5 MITOS SOBRE A DISPRAXIA QUE VOCÊ PRECISA CONHECER

A dispraxia não é tão conhecida por pais e professores. Vamos conhecer cinco mitos comuns sobre esta desordem que afeta diferentes aspectos da coordenação motora e do desenvolvimento das crianças.
Conteúdo
O que é dispraxia?
A dispraxia é a dificuldade de processamento sensorial em que o cérebro tem dificuldade para planejar e coordenar os movimentos do corpo. A criança que possui dispraxia muitas vezes é chamada de “desajeitada” ou “desengonçada”, pois apresenta dificuldade para interagir com atividades que exigem coordenação, como correr, dançar, se vestir ou pegar uma bola e jogá-la.
Muitos pais confundem os sinais da dispraxia com outras dificuldades, por isso é essencial entender quais são os sinais de dispraxia de forma clara e objetiva.
Causas da dispraxia
A dispraxia geralmente tem origem neurodesenvolvimental, ou seja, está relacionada ao desenvolvimento atípico das conexões cerebrais que controlam o planejamento e a execução dos movimentos. Nesses casos, não há uma lesão identificável, mas sim uma imaturidade funcional das redes neurológicas envolvidas na coordenação motora.
Algumas pesquisas também apontam possíveis alterações genéticas em células do sistema nervoso, que podem afetar a velocidade e eficiência das sinapses neuronais, interferindo na capacidade do cérebro de processar e responder a estímulos motores.
Em casos menos frequentes, a dispraxia pode ser adquirida por lesões cerebrais, como em decorrência de um Acidente Vascular Encefálico (AVE/AVC) ou um traumatismo craniano na infância.
Diagnóstico da dispraxia
O diagnóstico deve ser realizado de preferência por uma equipe multidisciplinar, que irá avaliar as diferentes habilidades da criança. Esta equipe pode ser composta por médico, psicólogo, pediatra, psicopedagogo, fonoaudióloga e terapeuta ocupacional. O tratamento adequado exige que o profissional envolvido compreenda a complexidade da condição.
Tipos de dispraxia
A dispraxia pode ser dividida em três tipos:
- Dispraxia motora: acontece quando a criança possui dificuldades para exercer funções que necessitam de coordenação muscular. Tarefas que parecem ser simples se tornam difíceis, como andar, correr, se vestir e manusear um objeto. A coordenação motora é uma habilidade afetada pela dispraxia e seu desenvolvimento pode ser acompanhado por meio de atividades específicas, como descrito neste artigo sobre como ela se desenvolve por idade;
- Dispraxia da fala: a criança apresenta problemas para desenvolver as habilidades de linguagem. Por isso, a pronúncia dos sons e das palavras é mais complicada para o dispráxico. Pode ser confundida com apraxia de fala na infância. Durante o diagnóstico, é importante diferenciar a dispraxia da fala de outras condições, como mostrado neste conteúdo sobre apraxia de fala na infância.
- Dispraxia postural: causa um transtorno direto na postura da pessoa, impedindo-a de manter a postura corretamente.
Mitos sobre a dispraxia
MITO 1: Meu filho é desajeitado – ele deve ter dispraxia!
A dispraxia é mais do que simplesmente ser desajeitado. A origem da palavra ‘dispraxia’ vem da raiz ‘dux’, que significa difícil, e ‘práxis’, que é ação, portanto o significado da palavra é ‘dificuldade em realizar ações’.
Ademais, três pontos devem ser levados em consideração: ideação, planejamento e execução.
- Ideação: ter ideia para fazer algo. Por exemplo, uma criança que observa peças de um brinquedo de montar e tem a ideia de usar aquelas peças para construir uma caixa ou castelo;
- Planejamento: é como fazer para executar a ideia. Por exemplo, com as peças, a criança pensará em quantas no formato de tijolo ela vai precisar e em que posição o portão do castelo deve ficar. O planejamento vai dar vida à ideia;
- Execução: é o fazer, o momento que o corpo se move. Por exemplo, para montar o castelo vai ser necessário usar os dedos, além disso, é importante ter noção da força exercida para movimentar as peças.
Para ser diagnosticado com dispraxia, a criança deve possuir dificuldade em pelo menos duas dessas áreas. Conclui-se que pessoas com dispraxia não são apenas desajeitadas, mas também possuem dificuldade em idealizar, planejar ou executar uma sequência de ações.
MITO 2: Dispraxia é o mesmo que disgrafia.
Tanto a dispraxia como a disgrafia podem causar dificuldades semelhantes nas habilidades de escrita. Contudo, são condições diferentes. A dispraxia afeta as habilidades motoras finas e o ato físico de escrever, enquanto a disgrafia afeta a ortografia e a organização das ideias. A universidade, por exemplo, pode ser um desafio para quem lida com ambas, mas cada caso deve ser avaliado individualmente.
MITO 3: Se uma criança tem dislexia, ela também tem dispraxia.
É verdade que indivíduos com dispraxia podem ter dislexia, mas isso não é regra. São duas condições distintas. A dislexia está ligada à dificuldade com leitura e escrita, enquanto a dispraxia está relacionada à ação motora e à execução consciente de tarefas. Ainda assim, elas podem ocorrer juntas e exigir acompanhamento especializado.
MITO 4: Dispraxia é apenas sobre habilidades motoras.
Como foi explicado no “Mito 1”, a dispraxia também apresenta dificuldades nas funções executivas. Essas funções envolvem memória, organização, sequência, foco e outras capacidades cognitivas. Portanto, as necessidades relacionadas à dispraxia são mais amplas que apenas lidar com coordenação. É muitas vezes confundida com outras condições, como o TDAH, mas exige abordagens específicas.
Apesar de serem frequentemente confundidos, dispraxia e TDAH apresentam características distintas, como explicado neste artigo sobre os diferentes tipos de TDAH e como identificá-los.
MITO 5: Crianças e adultos dispráxicos não podem ser bons em esportes.
Em suma, essas pessoas precisam de mais exercício, prática e ritmo de treinamento do que indivíduos sem a condição. Contudo, isso não significa que não possam se destacar. Através de terapia, acompanhamento e associação de estímulos, os desafios da dispraxia podem ser superados. Com esforço e apoio adequado, é possível aprender e até lembrar movimentos complexos com mais autonomia.
Conclusão
A dispraxia é uma condição complexa, muitas vezes mal compreendida, o que reforça a importância de desmistificar ideias equivocadas que cercam o transtorno. Como vimos, ser “desajeitado” não é o mesmo que ser dispráxico, e as dificuldades enfrentadas vão muito além da coordenação motora, envolvendo também aspectos cognitivos e emocionais.
Entender os sinais, diferenciar a dispraxia de outros transtornos, e buscar ajuda profissional especializada são passos essenciais para garantir o desenvolvimento adequado da criança. Com acompanhamento correto, apoio da escola e da família, é possível promover uma rotina de aprendizagem mais acessível, inclusiva e eficaz.
Desconstruir mitos é o primeiro passo para informar com responsabilidade e garantir que mais crianças recebam o tratamento apropriado desde cedo.
Perguntas Frequentes (FAQ): Dispraxia
A dispraxia é um transtorno neurológico que afeta a capacidade de uma criança de realizar movimentos coordenados. Esse distúrbio pode impactar tanto as habilidades motoras finas quanto as motoras grossas, dificultando atividades cotidianas como vestir-se, amarrar os sapatos, ou até mesmo jogar uma bola. As crianças com dispraxia podem apresentar sintomas que variam de leve a grave, afetando sua aprendizagem e interação social.
Embora a dispraxia possa coexistir com outras condições, como o TDHA e o autismo, ela não é simplesmente uma questão de falta de atenção. A dispraxia envolve desafios específicos relacionados à coordenação e à execução de tarefas motoras. Muitas crianças com dispraxia são perfeitamente capazes de se concentrar em atividades, mas enfrentam dificuldades em realizá-las devido a problemas na comunicação entre o cérebro e os músculos.
A dispraxia, também conhecida como Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação (TDC), é mais comum do que se imagina.
Segundo o estudo de Blank et al. (2019), publicado no Developmental Medicine & Child Neurology, a condição afeta entre 5% e 10% das crianças em idade escolar, variando conforme os critérios diagnósticos utilizados.
É fundamental que pais, professores e profissionais da saúde reconheçam os sinais da dispraxia para garantir o suporte adequado à criança, promovendo seu desenvolvimento motor, social e acadêmico.
REFERÊNCIAS
AZEVEDO, G. X.; LEMES, L. M. Distúrbios de aprendizagem: uma pesquisa bibliográfica. Brazilian Journal of Development, Curitiba, v. 6, n. 4, p. 22181-22192, abr. 2020. Disponível em: https://brazilianjournals.com/index.php/BRJD/article/view/9348. Acesso em: 10 jun. 2022.
What is Dyspraxia? It’s much more than clumsiness. Griffin Occupational Therapy, 2021. Disponível em: https://www.griffinot.com/what-is-dyspraxia-myths-explained/. Acesso em: 10 jun. 2022.

4 Comments
OLÁ MEU FILHO SE ENCAIXO EM TD QUE FALA SOBRE DISPRAXÍCOS, TEM 21 ANOS NÃO CONSEGUE AMARRAR CADARÇO, DÁ UM NÓ NO SACO DE LIXO, NUNCA APRENDEU ANDAR DE BICICLETA, FIGIA DAS ATIVIDADES F´SICAS, DIFICULDES PRA ESCREVER LEGÍVEL, NATAÇÃO NUNCA, DESCASCAR UMA FRUTA TEM DIFICULDADES, CORTAR COM TESOURA, GOSTARIA DE ENCONTRAR UM BOM MÉDICO.PEÇO AJUDA POR FAVOR MORO EM GUARULHOS
Olá Lusinete, tudo bem?
Infelizmente não temos nenhum convênio com medicos por isso não conseguimos auxiliar neste quesito. De qualquer forma, temos conteúdos no youtube.com/neurosabervideos e também em nosso blog que podem te ajudar em muitas questões. Boa sorte!
Sol,
Equipe NeuroSaber 💙
Olá tenho asperger e dispraxia, o que me ajudou muito a minha coordenação motora foi o karatê, a disciplina, a a diversidade de movimentos e a ausência de contato físico nas “lutas simuladas” e a motivação de evoluir de faixa.. além da compreensão e amizade da irmandade no dojô.. fez diferença na minha vida. Sou faixa marrom a última antes da preta.. e antes sempre era conhecida como ter um andar estranho, hoje ando normal e sou conhecida pelas minhas conquistas…
Olá Alana, tudo bem?
É inspirador ver como você superou os desafios e alcançou conquistas notáveis. Suas realizações e o fato de ser reconhecida por elas demonstram sua determinação e habilidades. Continue seguindo seu caminho no karatê, aproveitando os benefícios que ele traz para sua vida. Seja orgulhosa de suas conquistas e continue inspirando outras pessoas com seu exemplo positivo. Parabéns pela faixa marrom e boa sorte em sua jornada rumo à faixa preta!
Jhulli, Equipe NeuroSaber 💙