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Afasia: que é e como identificar?

– Resumo
O presente artigo tem o objetivo de falar sobre a Afasia. Questões como o conceito, a etiologia e as principais situações em que se pode reconhecer algum dos sintomas também são trazidas à luz do texto. Por meio de referências consolidadas na área, as explicações mostram, por exemplo, as particularidades da Afasia de Wernicke e da Afasia de Broca. Diagnósticos e tratamento também são pontos importantes para o entendimento da Afasia na vida de uma pessoa.
– Introdução
A palavra Afasia é nova para você? Embora o nome não seja tão divulgado ou tenha tanta familiaridade como o Autismo, a Afasia também merece ganhar a atenção para o que ela significa.
É importante que falemos um pouco sobre sua etiologia. A Afasia é proveniente de distúrbios que geralmente não geram danos progressivos (situações como acidente vascular cerebral, a encefalite e o traumatismo craniano). Além disso, interessante salientar que nesses casos a Afasia tende a não se agravar.
Por outro lado, a Afasia pode piorar consideravelmente quando ela resulta de algum distúrbio progressivo, tal como a demência ou um tumor cerebral que se expande, por exemplo.

Afinal, o que é Afasia?                                                                               

Ela pode ser considerada como um comprometimento adquirido da linguagem e que tem como resultado problemas de compreensão e de produção tanto de palavras quanto de frases e discursos. A Afasia também é responsável pela disfunção dos chamados centros de linguagem no córtex cerebral e no núcleo de base.
Importante saber
Os especialistas apontam o que eles chamam de classificação da Afasia em via ventral e dorsal. Para Hickock (2012), as lesões na via ventral, pela Afasia, interrompem o fluxo da palavra, assim como a compreensão da frase. Já na via dorsal, as lesões são responsáveis pela interrupção do fluxo da palavra; e também da compreensão da fala.

Quais são os sintomas mais comuns da Afasia?

É impossível mencionar os sintomas sem falar sobre a Afasia de Wernicke e a Afasia de Broca, pois cada uma delas mostra uma particularidade; e os sinais estão presentes nela. Portanto, veja os principais pontos que estão incluídos nesses tipos.
– Afasia de Wernicke (pertence ao grupo das afasias fluentes)
Nesse caso, o paciente geralmente utiliza um discurso fluente e cheio de jargões, mas é notável a ocorrência de palavras e de fonemas muitas vezes sem uma sequência. Por isso, é comum que haja uma espécie de amontoado de palavras. Outra característica muito frequente é a não consciência da clareza da pronúncia. Ou seja, as pessoas incluídas nessa tipologia não têm ciência se seu discurso está sendo compreensível aos seus interlocutores.
O comprometimento da função auditiva e da escrita também pode ser notado. Esta última, para se ter ideia, pode ser fluente. No entanto, a escrita tende a mostrar muitos erros e a não contar com palavras substantivas.
– Afasia de Broca (pertence ao grupo das afasias não fluentes)
As pessoas que estão incluídas nessa tipologia costumam ter uma boa compreensão e conceituam relativamente bem. Porém, sua capacidade de formar as palavras pode ficar prejudicada. O indivíduo tende a enfrentar algumas situações de frustração provenientes de sua tentativa de tentar se comunicar, pois a Afasia interfere na execução da fala e da escrita.
Além disso, a incapacidade de nomear objetos (chamada de anomia) pode ser notada em pacientes. A repetição e a prosódia prejudicada também são claramente percebidas.

O diagnóstico

É interessante ressaltar que para se chegar ao diagnóstico da Afasia, podemos ter dois eixos para seguir: o comum e o incomum. Porém, vale salientar que isso se refere ao que chamamos de diagnóstico diferencial. Veja a seguir:
– Diagnóstico diferencial comum –
– Acidente vascular cerebral isquêmico;
– Hemorragia intracerebral;
– Doença de Alzheimer;
– Traumatismo cranioencefálico traumático;
– Diagnóstico diferencial incomum –
– Hematoma subdural;
– Hemorragia subaracnoide;
– Enxaqueca;
– Encefalite herpética.
Além disso, o diagnóstico também pode ser possibilitado a partir de uma investigação feita pela exclusão de outros problemas de comunicação, testes à beira do leito e testes neuropsicológicos, exames de imagem do cérebro.
Tratamento
Para proporcionar uma intervenção eficaz da Afasia, é interessante fazer uma abordagem mais ampla. “O tratamento deve ser individualizado para abordar os déficits residuais, as necessidades e prioridades de comunicação do indivíduo, além dos recursos disponíveis” (BMJ Best Practice, 2020). Vale lembrar que o especialista também pode tratar certas lesões causas pela Afasia (lesão de massa, por exemplo). Fonoaudiólogos e instrumentos amplificadores de comunicação também são indicados.
 
Referências
BMJ Best Practice. Avaliação da afasia. 2018. Disponível em: https://bestpractice.bmj.com/topics/pt-br/973#referencePop8. Acesso em: 09 jan. 2020.
HICKOCK, George. The cortical organization of speech processing: Feedback control and predictive coding the context of a dual-stream model. NCBI – National Center for Biotechnology Information. Bethesda, v. 45, n. 6, p. 393 – 402, Nov. 2012.

5 Comments

  • Maria de Fatima Franco da Silva
    Posted 20/09/2020 at 11:35 pm

    Excelente texto

  • Elaine
    Posted 16/04/2021 at 12:22 am

    Boa noite!

    Gostaria de Saber se tem cura ?

    • NeuroSaber
      Posted 18/04/2021 at 4:07 pm

      Olá Elaine,
      Existe tratamento, deve ser individualizado para abordar os déficits residuais, as necessidades e prioridades de comunicação do indivíduo.
      Atenciosamente,
      Equipe NeuroSaber

  • Érica Vitoria dos Santos
    Posted 18/03/2022 at 1:35 am

    Olá gostei do texto me ajudou a identificar um problema que eu posso ter . Tenho 17 anos e desde pequena tenho problema de trocar letras nas palavras, esquecer as palavras, pensar em uma palavra é dizer outra parecida ou nada haver. Dificuldade para entender o que os outros dizem . Me chamam de burra em casa e na escola. Eu sei escrever certo, sei falar certo ,mas minha cabeça não ajuda eu penso em uma coisa e digo outra. Vou procurar fazer exames para confirmar meu problema.
    Obragada pela ajuda . Ótimo trabalho.

    • Solange
      Posted 18/03/2022 at 1:58 pm

      Olá Érica, tudo bem?

      Que bom! Ficamos felizes em sempre poder auxiliá-los! Continue nos acompanhando, que sempre teremos artigos importantes como esse.

      Sol,
      Equipe NeuroSaber 💙

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