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Aprender a ler não começa no jardim de infância

Brincar é fundamental na aquisição das competências necessárias para aprender a ler. (Imagem:Canva)

Aprendizado formal da leitura não deve começar no jardim de infância. 

A escolarização das crianças não deve estar atrelada à ideia de alfabetização antes do tempo, já que ler e escrever depende de neurodesenvolvimento específico.

Com a entrada das crianças cada vez mais cedo no ambiente escolar, muitos pais podem acabar confusos quanto ao papel da Educação Infantil na formação dos pequenos. Há os que acreditam ser necessário “tarefas” e “atividades” formais de ensino da língua escrita, por exemplo. Outros, preocupam-se justamente com a perda da ludicidade frente a exercícios e deveres de casa que pouco contribuem com essa fase de desenvolvimento.

A neurociência aplicada à educação demonstra que a fase para iniciar a estimulação de habilidades de alfabetização, incluindo as preditoras (que antecedem esse processo formal), acontece entre os 4 e os 7 anos de idade. Os circuitos neurais responsáveis por “decodificar” grafema e fonema, ou seja, conectar o que você lê e o que você diz, só realizam as sinapses cerebrais a partir dos seis anos.

A Finlândia, país europeu com um dos melhores índices escolares do mundo, só inicia a educação formal das crianças aos 7 anos. Mas o que, então, as crianças deveriam aprender no jardim de infância? Brincar é o suficiente?

A resposta, baseada nas evidências, é sim! Na educação infantil, brincar é coisa séria e é por meio do lúdico que as crianças formarão as bases necessárias para, no tempo correto, aprenderem a ler e a escrever. 

SAIBA MAIS: A importância do brincar na educação infantil

É importante compreender que cada criança terá seu tempo individual, por isso a comparação com colegas que iniciam a leitura mais cedo não é benéfica e não significa um atraso no desenvolvimento. 

Apropriar-se do código escrito para decodificá-lo (ler) e realizar o processo de produção (escrever) exige a formação de uma complexa teia de sinapses. Para chegar a ler e a escrever, há alguns pré-requisitos importantes que garantem as habilidades cognitivas, motoras e  socioemocionais necessárias para a criança dar esse passo. 

Alguns desses pré-requisitos são:

  • Desenvolvimento da linguagem oral;
  • Desenvolvimento da coordenação motora fina e grossa;
  • Desenvolvimento da coordenação olho-mão;
  • Consciência corporal, como da lateralidade corporal;
  • Desenvolvimento da imaginação e da criatividade, entre outros.

Diante dessa realidade, é fácil compreender porquê não deve-se ensinar uma criança que acaba de aprender a falar e a andar a ler e a escrever.

Vale destacar que a Política Nacional de Alfabetização (PNA) define alfabetização como um processo, que não se inicia nem se esgota nos anos iniciais do Ensino Fundamental, mas cujas habilidades a serem estimuladas na Educação Infantil são, justamente, as preditoras, que antecedem a este processo formal. Já a Base Nacional Curricular Comum (BNCC), estabelece que ao final do 2° ano do Ensino Fundamental, aos 7 anos, as crianças já devem possuir habilidades de leitura e escrita.

Aquelas inseridas em um lar alfabetizado, com acesso a livros, que ouvem histórias, onde os pais leem jornais e revistas, etc, fazem parte de um “ambiente alfabetizador”. Já crianças que vivem em áreas de maior vulnerabilidade social, por exemplo, em que em geral a escrita se faz pouco presente, terão menos acesso aos usos sociais da leitura e da escrita. Assim, a aquisição de tais habilidades dependerá não só do ambiente escolar, mas de todo contexto social da criança.

Na Educação Infantil, para ambos os casos, os educadores irão trabalhar enriquecendo esse universo linguístico e trabalhando para desenvolver as habilidades necessárias por meio de jogos e brincadeiras como contação de histórias, cantigas de roda, atividades como correr, pular, escalar e dançar, desenhar, fazer colagens, apreciação artística, entre muitas outras possibilidades!

Por isso, pais e mães, se os seus filhos estão no jardim de infância e passam o dia todo brincando, saiba que é exatamente isso que eles devem fazer para se tornarem leitores lá na frente! 

REFERÊNCIAS:

BRASIL. Ministério da´Educação. PNA: Política Nacional de Alfabetização. Brasília. MEC, SEALF, 2019.

BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília. MEC/CONSED/UNDIME, 2017.

DAVIM, Juliana do Amaral Carneiro Silva Davim. Artigo: NOVOS OLHARES SOBRE ALFABETIZAÇÃO: NEUROCIÊNCIA COMO FERRAMENTA EVOLUTIVA PARA COMPREENDER O PROCESSO DE ENSINAR E APRENDER. Acesso em: https://editorarealize.com.br/editora/anais/conedu/2020/TRABALHO_EV140_MD1_SA8_ID3819_28082020185000.pdf

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