Atividades sensoriais que podem favorecer a atenção no TDAH

As atividades sensoriais que podem favorecer a atenção no TDAH vêm sendo estudadas como recursos complementares para crianças que apresentam Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Esse transtorno do neurodesenvolvimento pode envolver desatenção, impulsividade e hiperatividade, impactando a autorregulação e a organização comportamental.
Para compreender melhor as bases do transtorno, veja também O que é TDAH?.
Durante a infância, o cérebro está em intensa reorganização. A integração entre sistemas tátil, visual, proprioceptivo e motor é fundamental para a construção da atenção e da estabilidade corporal. Quando essa integração apresenta desafios, podem surgir dificuldades relacionadas ao foco e à permanência em atividades.
Conteúdo
Integração sensorial e atenção
A atenção não depende apenas de esforço cognitivo. Ela envolve:
- Organização corporal
- Percepção espacial
- Coordenação viso-motora
- Regulação do nível de alerta
- Controle inibitório
Esses aspectos se relacionam às funções executivas, responsáveis pelo planejamento e controle do comportamento.
Quando o processamento sensorial é bem organizado, a criança tende a manter melhor o foco e a estabilidade nas tarefas.
Principais tipos de atividades sensoriais
1. Atividades proprioceptivas (organização corporal)
Indicadas para crianças com muita agitação ou busca constante por movimento.
Exemplos:
- Empurrar a parede com as mãos
- Carregar livros leves supervisionados
- Pular em marcações no chão
- Empilhar objetos com peso moderado
Objetivo: estimular a percepção corporal e favorecer a sensação de estabilidade.
2. Atividades táteis (exploração sensorial)
Estimulação do sentido do tato por meio de diferentes texturas.
Exemplos:
- Caixa sensorial com grãos
- Massinhas
- Sacos sensoriais com diferentes tecidos
- Objetos com texturas variadas
Os sacos sensoriais, quando utilizados de forma orientada, podem auxiliar na organização do foco, especialmente quando a criança acompanha o movimento com os olhos.
3. Atividades visuais (rastreamento e discriminação)
Relacionadas ao acompanhamento visual e percepção espacial.
Exemplos:
- Seguir objetos com o olhar
- Jogos de encontrar diferenças
- Pareamento de figuras
- Sequências visuais
Essas atividades podem apoiar o desenvolvimento de habilidades necessárias à leitura e organização espacial.
4. Atividades bilaterais (coordenação cruzada)
Envolvem movimentos que cruzam a linha média do corpo.
Exemplos:
- Bater palmas alternando mãos
- Tocar joelho oposto
- Desenhar com as duas mãos
Objetivo: favorecer integração hemisférica e coordenação motora.
5. Atividades rítmicas (regulação do nível de alerta)
Movimentos repetitivos e estruturados.
Exemplos:
- Palmas em sequência
- Marcha ritmada
- Sequência de movimentos com contagem
Essas atividades podem contribuir para organizar o ritmo corporal antes de iniciar tarefas que exigem atenção.
Benefícios potenciais observados
| Área estimulada | Possível contribuição |
| Propriocepção | Maior estabilidade corporal |
| Coordenação viso-motora | Apoio à escrita |
| Rastreamento visual | Melhor acompanhamento de leitura |
| Organização motora | Maior controle de impulsos motores |
| Regulação sensorial | Melhor preparação para tarefas cognitivas |
É importante destacar que essas atividades não substituem intervenções educacionais estruturadas, mas podem funcionar como apoio complementar.
Quando bem estruturadas, essas práticas podem favorecer o desempenho escolar, especialmente nas dificuldades de aprendizagem associadas ao TDAH.
Quando utilizar atividades sensoriais?
- Antes de tarefas que exigem concentração
- Após períodos prolongados sentado
- Em momentos de transição
- Como parte de rotina estruturada
Sempre respeitando a fase de desenvolvimento e as necessidades individuais da criança.
Essas estratégias também podem ser complementares no manejo da hiperatividade, como discutido no artigo sobre como lidar com crianças hiperativas.
O que evitar
- Uso indiscriminado sem planejamento
- Atividades muito rápidas ou desorganizadas
- Substituir estratégias pedagógicas por estímulos sensoriais isolados
- Excesso de estímulos simultâneos
O objetivo não é “gastar energia”, mas favorecer a organização sensorial.
Considerações finais
As atividades sensoriais que podem favorecer a atenção no TDAH devem ser compreendidas como ferramentas complementares dentro de um planejamento mais amplo de apoio educacional e familiar.
Quando utilizadas com intencionalidade, podem contribuir para melhor organização corporal, estabilidade e preparação para atividades que exigem foco. No entanto, cada criança responde de maneira individual, e a orientação profissional é fundamental.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação de profissionais especializados.
FAQ – Atividades sensoriais e atenção no TDAH
Atividades sensoriais são práticas estruturadas que estimulam diferentes sistemas responsáveis pelo processamento de informações sensoriais, como visão, som, cheiro, tato e propriocepção. Em crianças com transtorno de déficit de atenção, essas experiências podem ajudar a organizar o funcionamento mental, promovendo maior capacidade de foco e autorregulação. Ao trabalhar de forma intencional esses estímulos, é possível ajudar a criança a se preparar melhor para tarefas escolares e interações no ambiente familiar e na sala de aula. Este tipo de abordagem não substitui intervenções pedagógicas ou terapêuticas, mas pode contribuir para o desenvolvimento global e para o sucesso no processo de aprender.
Pais e educador podem introduzir atividades simples e de fácil aplicação no dia a dia, como explorar diferentes materiais (texturas variadas, grãos, areia, tecidos), utilizar almofadas para estímulo proprioceptivo, realizar exercícios de rastreamento com a visão ou propor brincadeira organizada que envolva movimento controlado. Atividades envolvendo o olfato, como identificar odores suaves, também podem ser utilizadas com cuidado. Essas práticas ajudam a criança a explorar o que está ao seu redor, promovendo conforto, organização corporal e maior disponibilidade atencional.
A escolha deve considerar as características individuais da criança, seu nível de sensibilidade e o objetivo da intervenção. Algumas crianças respondem melhor a estímulos táteis firmes; outras se beneficiam mais de estímulos visuais ou auditivos com som controlado. É importante ter cuidado para que os materiais sejam seguros, adequados à faixa etária e devidamente supervisionados. Quando necessário, os pais podem consultar profissionais especializados para modelar estratégias mais específicas e personalizadas.
Quando bem planejadas, essas atividades podem promover melhor organização interna, favorecendo a capacidade de manter o foco em tarefas acadêmicas. Ao organizar o sistema nervoso e reduzir a sobrecarga emocional, a criança pode apresentar maior disponibilidade para aprender e processar conteúdos escolares. As práticas sensoriais não ensinam diretamente leitura ou matemática, mas ajudam a criar condições mais favoráveis para o desenvolvimento das habilidades acadêmicas.
A frequência depende das necessidades individuais. Pequenas pausas sensoriais ao longo do dia, especialmente antes de atividades que exigem maior concentração, costumam ser eficazes. O importante é observar como a criança responde no ambiente escolar e familiar. Ajustes devem ser feitos sempre que houver sinais de desconforto ou sobrecarga.
Se a criança apresentar irritabilidade, evitar contato com determinados materiais, demonstrar desconforto com cheiro ou som específico, ou aumentar a agitação, pode ser sinal de que a proposta precisa ser revista. Nesses casos, é importante interromper a atividade e reavaliar a estratégia, garantindo segurança emocional e física.
É possível incluir pequenas intervenções organizadas entre tarefas, criar um canto estruturado na sala de aula ou utilizar atividades de transição para ajudar crianças com transtorno a se reorganizarem antes de conteúdos mais exigentes. Essas estratégias devem ser planejadas com intencionalidade pedagógica e alinhadas ao currículo, garantindo que contribuam para o desenvolvimento sem comprometer o tempo de ensino.
Se as atividades não estiverem produzindo os resultados esperados ou se houver reações intensas a estímulos sensoriais, é recomendado consultar um especialista. Profissionais podem oferecer informações sobre abordagens terapêuticas mais adequadas e orientar pais e educadores na melhor forma possível de ajudar crianças com transtorno a desenvolver maior autorregulação e conforto no ambiente escolar e familiar.
Referências Científicas
BARKLEY, Russell A. Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade: manual para diagnóstico e tratamento. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2015.
SCHAFF, Roseann C.; SCHOEN, Sarah A. A randomized controlled trial of sensory integration therapy for children with sensory processing disorders. Journal of Autism and Developmental Disorders, 2015.
AMBRÓSIO, Helena. Partilha de jogos e objetos nas primeiras idades. 2020. Dissertação (Mestrado) – Instituto Politécnico de Santarém, 2020.
