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Como reconhecer os transtornos: TOD, Autismo e TDAH

O TOD, Autismo e TDAH são transtornos do neurodesenvolvimento distintos, mas que causam dificuldades cognitivas, sociais e emocionais. Como podem ter sintomas parecidos, é preciso conhecer as características de cada um deles para poder reconhecê-los e diferenciá-los. 

O TOD — Transtorno Opositivo Desafiador; o Autismo — Transtorno do Espectro Autista e o TDAH — Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade são patologias diferentes mas com sintomas semelhantes. 

Pensando nisso, escrevemos este artigo para você conhecer as semelhanças e diferenças entre TOD, Autismo e TDAH e poder reconhecer cada um deles. Confira!

TOD — Transtorno Opositivo Desafiador

Segundo o DSM-V, o TOD faz parte dos Transtornos de Comportamento Disruptivo e suas principais características são comportamentos desafiantes, negativistas e desobedientes, principalmente diante de figuras de autoridade. 

TDAH — Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade

O TDAH também está classificado nesse grupo e é dividido em três tipos: hiperativo-impulsivo, desatento ou a combinação dos dois. Os principais sintomas de TDAH são: dificuldade de concentração, inquietação e hiperatividade.

TEA — Transtorno do Espectro Autista

O autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento com diferentes níveis de gravidade dos sintomas, embora com características comuns como: prejuízos na comunicação, interação social e comportamentos repetitivos.

Semelhanças entre TOD, Autismo e TDAH

Antes de falarmos o que os três transtornos têm de diferenças, vamos analisar suas semelhanças, pois são elas as que mais dificultam o diagnóstico. São elas:

  • primeiros sintomas surgem na primeira infância;
  • podem causar comportamentos inadequados;
  • presença de alguma forma de hiperatividade;
  • dificuldades de adaptação a novos ambientes e de se relacionar;
  • os comportamentos podem ser confundidos como falta de interesse ou de educação;
  • pode haver dificuldade de concentrar nas tarefas domésticas e escolares.

Comorbidade

Quando duas condições aparecem juntas, damos a isso o nome de comorbidade. É comum que o TOD e o TDAH aparecem juntos, ou autismo e TDAH, enfim, uma condição que agrava os problemas comportamentais da criança e dificulta ainda mais a interação social.

Embora não seja uma tarefa fácil, é muito importante avaliar as comorbidades. 

Como diferenciar Autismo e TDAH

Muitas crianças com autismo têm TDAH, o que não significa que o contrário ocorra na mesma proporção. Quando a criança apresenta sintomas como inquietação, os pais logo pensam que pode ser TDAH, mas também pode ser Autismo. Por isso, é preciso conhecer as principais diferenças entre essas duas condições. 

Em relação ao foco e organização, no autismo encontramos a presença de rituais, enquanto no TDAH, a impulsividade é marcante. A criança com autismo consegue manter a atenção, o foco e a concentração, enquanto no TDAH isso é muito difícil.

Já no que diz respeito a regras, a criança com autismo ou com TDAH pode apresentar comportamentos desafiadores, mas os motivos são distintos. No TEA, muitas vezes, a criança desconhece a regra, por isso a infringe, enquanto no TDAH a infração se dá pela impulsividade. 

Já em relação à socialização, a dificuldade de fazer amizade pode estar presente no autismo e no TDAH, seja pela característica de se isolar do autismo ou pela impulsividade do TDAH.

Como diferenciar comportamento desafiador de TOD

Toda criança, em algum momento do desenvolvimento, apresenta comportamentos desafiadores, como as birras. Por isso, fica difícil diferenciar um comportamento típico do desenvolvimento de um transtorno como o TOD.

Para isso, é preciso avaliar a gravidade e a permanência desses comportamentos. Uma das características do TOD é justamente a persistência dos comportamentos desafiadores.

É comum que uma criança de 3, 4 anos apresente comportamentos desafiadores, pois está aprendendo a lidar com a frustração. No entanto, se esse sintoma não desaparecer com o tempo, pode ser sinal de TOD.

Os principais sinais do Transtorno Opositivo Desafiador são: excesso de teimosia, resistência para seguir regras e combinados, comportamentos perturbadores sem motivo claro.

Para o diagnóstico de TOD, é preciso que pelo menos quatro das seguintes características estejam presentes:

  • perde a paciência frequentemente;
  • discute com adultos com frequência;
  • comportamentos desafiadores em relação a regras;
  • responsabiliza o outro pelo seu comportamento inadequado;
  • se aborrece, fica com raiva e ressentido sem motivo;
  • mostra-se vingativo e rancoroso em algumas situações.

Quanto antes for realizado o diagnóstico, melhor será o tratamento do TOD, para que não evolua para um transtorno de conduta. Embora não tenha uma cura para o transtorno, a psicoterapia melhora as habilidades de comunicação e sociais da criança.

Em alguns casos, é indicada a medicação pelo médico para regular as emoções e no caso de comorbidades.

Vale lembrar que comportamentos desafiadores não significam a presença de um transtorno, mas é preciso investigar quando os sintomas persistem. É importante conhecer bem cada criança, para avaliar quando é necessário buscar ajuda especializada.

Agora que você já sabe um pouco mais sobre como reconhecer os transtornos: TOD, Autismo e TDAH, compartilhe este artigo em suas redes e ajude outras pessoas!

Referências:

SILVA, Micheline  and  MULICK, James A.. Diagnosticando o transtorno autista: aspectos fundamentais e considerações práticas. Psicol. cienc. prof. [online]. 2009, vol.29, n.1 [cited  2021-05-18], pp.116-131.

Maria Antonia Serra-Pinheiro. Marcelo Schmitz. Paulo Mattosc e Isabella Souz. Transtorno desafiador de oposição: uma revisão de correlatos neurobiológicos e ambientais, comorbidades, tratamento e prognóstico.

4 Comments

  • Trackback: Autismo, TOD e TDAH: como reconhecer os transtornos? - Instituto NeuroSaber
  • Maria aparecida dutra pereira
    Posted 24/03/2023 at 12:08 pm

    Trabalho com um aluno que possui todos esse transtornos juntos ,gostaria de ideias para trabalhar com ele ,como terapia faciais de fazer no ensino regular .idade 16 anos ,está no ensino médio, não se encontra alfabetizado .

    • Camilla
      Posted 24/03/2023 at 8:28 pm

      Trabalhar com um aluno que possui múltiplos transtornos pode ser um desafio, mas há muitas estratégias que podem ajudar a apoiá-lo em sua aprendizagem e desenvolvimento.

      Aqui estão algumas ideias para trabalhar com seu aluno:

      Individualize o aprendizado: Certifique-se de que seu aluno esteja recebendo apoio individualizado para atender às suas necessidades específicas de aprendizado. Isso pode incluir a utilização de recursos visuais, quebra-cabeças e jogos educacionais, atividades de escrita e leitura em diferentes formatos e estilos.

      Utilize técnicas de ensino multisensorial: Essas técnicas envolvem o uso de múltiplos sentidos durante o aprendizado para ajudar a reforçar conceitos e melhorar a compreensão. Por exemplo, use jogos educacionais que envolvam movimento, música e cor, em vez de atividades que envolvam apenas a leitura e escrita.

      Trabalhe com um terapeuta ocupacional ou fonoaudiólogo: Esses profissionais podem ajudar a desenvolver habilidades sociais e emocionais, além de melhorar a comunicação e a coordenação motora fina do seu aluno. Eles também podem fornecer dicas e estratégias para ajudar a lidar com comportamentos difíceis.

      Crie um ambiente de aprendizado seguro e positivo: Certifique-se de que seu aluno se sinta seguro e acolhido em sua sala de aula. Isso pode incluir o estabelecimento de rotinas claras, com limites e expectativas bem definidos, bem como fornecer elogios e feedback positivo sempre que possível.

      Estabeleça metas de curto e longo prazo: Trabalhe com seu aluno para estabelecer metas alcançáveis e realistas de curto e longo prazo. Isso pode ajudá-lo a se sentir mais motivado e comprometido com o aprendizado, além de ajudá-lo a desenvolver habilidades de planejamento e organização.

      Trabalhe em parceria com os pais: Certifique-se de que os pais ou responsáveis do seu aluno estejam envolvidos no processo de aprendizagem. Eles podem ser um recurso valioso e podem fornecer informações importantes sobre as necessidades do aluno.

      Em geral, trabalhar com um aluno que tem múltiplos transtornos requer paciência, compaixão e um compromisso com a aprendizagem individualizada e centrada no aluno. Lembre-se de que cada aluno é único e pode responder a diferentes estratégias de ensino e apoio.

    • Silmara Evaristo
      Posted 09/06/2023 at 10:32 pm

      Nossa, muito obrigada por todos esses comentários, está me ajudando a entender meu filho e lidar com a situação

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