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Comorbidade no Autismo e os Impactos Motores 

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é conhecido principalmente pelas diferenças na comunicação e na interação social. Mas algumas pessoas com autismo também podem apresentar impactos motores no autismo, com diferenças no desenvolvimento da coordenação, do equilíbrio e do planejamento dos movimentos, o que pode afetar a forma como realizam atividades cotidianas e vivenciam novas experiências.

Este artigo explica como o TEA pode influenciar o desenvolvimento motor, sem entrar em diagnóstico, causas, genética, funcionamento cerebral ou alterações cognitivas em profundidade — temas que têm artigos próprios em nosso site, como Como o Autismo Influencia no Desenvolvimento Infantil.

O autismo pode afetar o desenvolvimento motor?

Sim, em alguns casos. Nem toda criança com TEA apresenta dificuldades motoras, mas quando elas aparecem, podem se manifestar em diferentes graus e afetar desde tarefas simples do dia a dia até atividades escolares e brincadeiras. Os impactos no autismo podem variar bastante entre pessoas com TEA — algumas apresentam apenas diferenças discretas, atípicas em relação ao esperado, enquanto outras precisam de mais apoio. É importante reforçar: dificuldade motora não é um critério obrigatório do autismo, e sim uma característica que pode ou não estar presente, variando bastante de criança para criança — assim como acontece com outras áreas descritas em Criança Autista: Limitações e Habilidades.

Diferenças entre motricidade fina e motricidade grossa

A coordenação motora se divide, de forma geral, em dois tipos:

  • Motricidade fina: envolve movimentos pequenos e precisos, como segurar o lápis, recortar com tesoura ou abotoar uma roupa.
  • Motricidade grossa: envolve movimentos amplos, que exigem força e equilíbrio, como correr, pular ou jogar bola.

Algumas crianças com TEA apresentam dificuldades em apenas um desses tipos de habilidade motora, enquanto outras podem apresentar diferenças em ambos — sempre em intensidade variável.

Quais dificuldades motoras podem aparecer?

No dia a dia, as dificuldades motoras associadas ao autismo podem aparecer em atividades como:

  • correr, pular ou caminhar com menos coordenação que os colegas, às vezes com um padrão de marcha diferente, como a marcha em ponta dos pés;
  • manter o equilíbrio e a postura em superfícies instáveis ou ao sentar-se por longos períodos;
  • pegar objetos pequenos, recortar, desenhar ou escrever com mais esforço;
  • usar talheres, amarrar o sapato ou abotoar roupas de forma mais lenta;
  • bater palmas ou repetir outros movimentos com o corpo de forma menos coordenada;
  • planejar uma sequência de movimentos para uma tarefa nova (o que os profissionais chamam de praxia, ou planejamento motor).

Nenhuma dessas dificuldades, isoladamente, indica autismo — elas só ganham relevância quando observadas em conjunto com outras características do desenvolvimento, e podem ser consideradas um desafio a mais nas interações sociais quando limitam a participação da criança em jogos e esportes com outras crianças típicas.

Como essas dificuldades impactam a escola?

Na escola, os impactos motores podem aparecer na educação física, na escrita, no recreio e no uso de materiais escolares, afetando tanto o desenvolvimento social quanto o aspecto emocional da criança. Um exemplo comum: um aluno pode ter ótimo desempenho em atividades orais, mas levar muito mais tempo que os colegas para copiar um texto do quadro, simplesmente pela dificuldade motora envolvida na ação de escrever — não por falta de conhecimento do conteúdo. Da mesma forma, no recreio, dificuldades de equilíbrio ou de planejamento motor podem tornar jogos como pega-pega ou queimada mais desafiadores, o que pode impactar a capacidade de participar plenamente das interações sociais nesses momentos.

Como estimular o desenvolvimento motor?

Algumas estratégias costumam ajudar a estimular a coordenação motora de crianças com TEA e auxiliar a aumentar sua autonomia:

  • Brincadeiras estruturadas. Jogar bola, dançar ou brincar de faz de conta ajudam a desenvolver coordenação de forma lúdica.
  • Atividades físicas regulares e esportes. Correr, pular corda ou andar de bicicleta favorecem o desenvolvimento da motricidade grossa e o fortalecimento muscular.
  • Fisioterapia e terapia ocupacional. Profissionais especializados trabalham diretamente eventuais déficits nas habilidades motoras finas e grossas, respeitando o ritmo da criança.
  • Psicomotricidade. Promove a integração entre aspectos motores, cognitivos e emocionais, ajudando a criança a desenvolver consciência do próprio corpo e do espaço ao redor — recursos como os descritos em A Importância de Suportes Visuais para Crianças com Autismo também podem apoiar esse processo.
  • Participação da família. Envolver a criança em tarefas simples do dia a dia, como ajudar a arrumar a mesa, também estimula a coordenação de forma natural.

Quando procurar avaliação especializada?

Quando as dificuldades motoras são consistentes, aparecem em diferentes contextos e impactam a autonomia ou a participação da criança em atividades importantes, vale buscar avaliação com profissionais especializados — como terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas ou psicomotricistas. O artigo Atuação do Psicólogo no Transtorno do Espectro Autista traz mais detalhes sobre como esse acompanhamento multiprofissional costuma funcionar.

Conclusão

O desenvolvimento motor no autismo varia muito entre as crianças — algumas não apresentam nenhuma dificuldade motora perceptível, enquanto outras podem se beneficiar de apoio específico para a coordenação fina, grossa ou o planejamento motor. Reconhecer essas diferenças, sem generalizações, é o que permite oferecer um acompanhamento individualizado e respeitoso ao ritmo de cada criança. Para complementar este tema, o Instituto NeuroSaber oferece o Programa Inclusão Escolar, e você pode assistir a este vídeo com a psicomotricista e fundadora do Instituto, Luciana Brites, sobre como a brincadeira estimula o desenvolvimento motor de crianças com autismo:

Este conteúdo tem caráter educacional e informativo e não substitui avaliação ou acompanhamento por profissionais da saúde e da educação.

FAQ Impactos Motores no Autismo

O autismo pode afetar o desenvolvimento motor?

Sim, em alguns casos. Algumas crianças com TEA apresentam diferenças na coordenação motora fina, grossa ou no planejamento de movimentos, mas isso não acontece com todas.

Quais são as diferenças entre motricidade fina e motricidade grossa?

A motricidade fina envolve movimentos pequenos e precisos, como escrever ou recortar. A motricidade grossa envolve movimentos amplos, como correr, pular ou manter o equilíbrio.

Toda criança com autismo apresenta dificuldades motoras?

Não. As dificuldades motoras variam bastante entre crianças autistas — algumas não apresentam nenhuma alteração perceptível nessa área.

Como estimular a coordenação motora de crianças com TEA?

Por meio de brincadeiras estruturadas, atividades físicas regulares, terapia ocupacional e psicomotricidade, sempre respeitando o ritmo e os interesses da criança.

Quando procurar avaliação especializada?

Quando as dificuldades motoras são consistentes ao longo do tempo, aparecem em diferentes contextos e impactam a autonomia ou a participação da criança em atividades do dia a dia.

Qual profissional acompanha alterações motoras no autismo?

Terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas e psicomotricistas costumam ser os profissionais mais indicados, muitas vezes em conjunto com outros especialistas da equipe multiprofissional.

As dificuldades motoras do autismo têm cura?

Não se trata de cura. O TEA é uma condição do neurodesenvolvimento, e o acompanhamento com terapia ocupacional e psicomotricidade tem como objetivo estimular e potencializar as habilidades motoras da criança, não “corrigir” ou eliminar o autismo.

Referências Científicas

KRUGER, Gabriele Radünz; SILVEIRA, Jennifer Rodrigues; MARQUES, Alexandre Carriconde. Motor skills of children with autism spectrum disorder. Revista Brasileira de Cineantropometria & Desempenho Humano, v. 21, e60515, 2019.

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders: DSM-5-TR. 5. ed. rev. Washington, DC: American Psychiatric Publishing, 2022.

ZIRONDI, A. P.; MANTOVANI LEITE, S. R. A importância da psicomotricidade na educação infantil: algumas contribuições. Encontro Internacional de Formação de Professores e Fórum Permanente de Inovação Educacional, v. 11, n. 11, 2018.

2 Comments

  • Avatar
    Girlene Lopes de Oliveira Lourenço
    Posted 18/02/2023 at 11:10 pm

    Gostaria muito de fazer um curso abordando essas temáticas.

    • Avatar
      Solange
      Posted 22/02/2023 at 5:51 pm

      Olá Girlene, tudo bem?

      Entre em contato com o nosso suporte em [email protected] para conhecer o curso Protea.

      Sol,
      Equipe NeuroSaber 💙

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