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NEUROMITOS: 3 ideias que você pode esquecer sobre neurodesenvolvimento.

Algumas informações desatualizadas sobre o funcionamento do cérebro continuam a ser repetidas, mas sem fundamento científico.

 “Os seres humanos utilizam apenas 10% do seu cérebro”. Com certeza, você já ouviu essa máxima por aí. Essa é uma das teorias sobre neurodesenvolvimento que não possuem nenhum respaldo científico. Com o avanço da Neurociência, áreas como a Educação têm se beneficiado e vêm derrubando uma série de mitos. Neste artigo, você irá conhecer 3 “neuromitos” e porque não deve mais repeti-los.

“Os neuromitos são baseados em informações científicas, mas simplificam e adaptam esta informação ao contexto no qual ela pode ser útil, de tal forma a torná-la mais atraente e acessível, que frequentemente produz distorções da informação ou gera interpretação equivocada.” (VELOSO, 2015).

A autora canadense Catherine L’Ecuyer destaca, em seu livro “Educar na Realidade”, o esforço mundial para o combate a essas ideias equivocadas, empreitada assumida inclusive pela Organização Para Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), em 2002.

O documento final do evento chama atenção para a proliferação dos “neuromitos”, especialmente para a venda e propagação de aparelhos e jogos eletrônicos como ferramentas indispensáveis à educação infantil.

Mas quais são essas informações pseudocientíficas?

Mito 1: “Humanos só utilizam 10% do cérebro”.

A ideia de que utilizamos apenas uma pequena parte do cérebro segue sendo difundida, mas entre os neurocientistas há uma batalha para derrubá-la. Isso porque, através de pesquisas com equipamento de imagem e outros, sabe-se que utilizamos todo o cérebro, o tempo todo. Há partes mais ativas que outras para realização desta ou daquela atividade, mas definitivamente não existe a possibilidade de 90% do cérebro humano ser inutilizado.

O impacto desse “neuromito” pôde ser avaliado em um estudo publicado na revista Nature, em 2014: 48% dos professores ingleses afirmavam acreditar nisso. A taxa se manteve semelhante entre educadores de outros países avaliados, como Turquia, Grécia e China.

“Tal crença mostra profundo desconhecimento do funcionamento cerebral e da biologia humana. O desuso funcional de 90% dos nossos cérebros acarretaria alto gasto energético utilizado para manter tecidos cerebrais vivos” (GONCHOROSKI et al. 2015, p. 11).

Mito 2: “Quem usa o lado esquerdo do cérebro é melhor em matemática.”

Outro neuromito bastante difundido é o de que as pessoas com uso predominante do lado esquerdo do cérebro seriam melhores em atividades relacionadas à lógica, e as com predominância do lado direito seriam mais criativas, artísticas.

Não se sabe ao certo quando esse mito surgiu, mas com o avanço na neurociência e dos exames de imagem, pode-se observar que na verdade ambos os hemisférios se ativam para resolver problemas matemáticos.

Enquanto o hemisfério esquerdo faz cálculos, o direito realiza estimativas para se aproximar do resultado. Com a maturação das áreas cerebrais responsáveis pela linguagem é que adquirimos a habilidade de realizar operações matemáticas.

Mito 3: Crianças devem ser estimuladas ao máximo até os 3 anos de idade ou perderão sua capacidade de desenvolvimento.

A ideia por trás desse mito é de que as crianças precisam ser expostas ao máximo de estímulos possível nesse período, sob pena de perderem sua capacidade de desenvolvimento. Chamado de “mito da sinaptogênese” (processo de formação das sinapses do cérebro), tal conclusão é corroborada pelo fato de que sim, nos primeiros anos são formadas milhões de sinapses cerebrais, mas a plasticidade cerebral se mantém por toda a vida.

Sabemos que há períodos sensíveis no que tange ao desenvolvimento cognitivo, como abordamos sempre aqui, mas não são janelas que se fecham definitivamente aos 3 anos. L’Ecuyer cita um exemplo bastante elucidativo: pode ser mais fácil para a criança aprender uma segunda língua com 1 ano de idade. Mas não devemos inferir, a partir disso, que aprender outra língua seja determinante para o desenvolvimento do bebê ou mais importante que construir laços de afeto saudáveis com seu cuidador (pais e educadores).

Ou seja: não há necessidade de bombardear as crianças com estimulação sensorial excessiva, muito menos quando estes estímulos se relacionam com o uso de telas, como smartphones ou tablets.

“Durante os primeiros anos de desenvolvimento, os padrões de interação entre a criança e o cuidador são mais importantes do que um excesso de estimulação sensorial. A investigação sobre a vinculação sugere que a interação interpessoal colaborativa, e não a estimulação sensorial excessiva, é a chave para um desenvolvimento saudável” (SIEGEL, in Educar na Realidade, 2018).

Para aproximar os educadores dos avanços sugeridos pela neurociência, é preciso estimular o diálogo interdisciplinar para tornar tais vocabulários acessíveis aos profissionais de Educação, a fim de facilitar a interpretação dessas descobertas e interromper a circulação dessas falsas afirmações.

REFERÊNCIAS:

HOWARD-JONES, P. Neuroscience and education: myths and messages. Nature Reviews Neuroscience. 2014. Disponível em: < http://www-nature-com .ez27.periodicos.capes.gov.br/nrn/journal/v15/n12/full/nrn3817.html#auth-1>.

L’ECUYER, Catherine. Educar na realidade. 1ª edição – São Paulo, 2018

ORGANIZAÇÃO PARA A COOPERAÇÃO E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO – OCDE. Neuromyths. 2002.

VELOSO, Kelly Tainara da Silva. Investigando a propagação de neuromitos entre educadores da educação infantil de Belo Horizonte – Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2015

10 Comments

  • Sielia Matos
    Posted 29/05/2022 at 9:26 pm

    Sim, estimula a atenção, concentração e a oralidade!
    Minhas filhas foram estimuladas desde cedo a leitura, através de histórias lidas e contadas, hoje elas gostam de ler principalmente a minha filha mais nova , ela é apaixonada por leitura, elas lêem muito bem e tem um grande conhecimento de mundo!

    • Solange
      Posted 30/05/2022 at 4:15 pm

      Olá Sielia, tudo bem?

      Que bom! Obrigada pelo carinho! Continue sempre acompanhando!

      Sol,
      Equipe NeuroSaber 💙

  • LUCIANA
    Posted 29/05/2022 at 10:34 pm

    A NeuroSaber tem me ajudado a trabalhar com crianças de baixa renda e em risco social a medida que fico mais segura para alfabetizar, elas aprendem mais rápido.

    • Solange
      Posted 30/05/2022 at 5:28 pm

      Olá Luciana, tudo bem?

      Que bom! Ficamos felizes em sempre poder auxiliá-los!

      Sol,
      Equipe NeuroSaber 💙

  • Maria de Fátima Duarte Macário
    Posted 07/07/2022 at 12:00 pm

    Bom dia.
    De tanto me enviarem o anúncio dos cursos de Lu Brites, atavés do canal do you tube, me despertou a curiosidade de acessar esse canal. Estou apaixonada por esse grupo do neurosaber. Cada dia aprendo novas coisas . Obrigada!!!
    Que Deus abençoe essa equipe maravilhosa.

    • Solange
      Posted 07/07/2022 at 1:49 pm

      Olá Maria de Fátima, tudo bem?

      Primeiramente agradecemos pela confiança. Obrigada pelo carinho! Continue sempre acompanhando!

      Sol,
      Equipe NeuroSaber 💙

  • Trackback: RTI: como utilizar esse modelos como proposta inclusiva?
  • Trackback: A importância do conhecimento científico na construção de um ambiente de aprendizado seguro e eficiente - Instituto NeuroSaber
  • Riber
    Posted 04/07/2023 at 2:55 pm

    Uma dica; referências bibliográficas.

    • Jhulli
      Posted 04/07/2023 at 6:00 pm

      Olá, tudo bem?

      As referências encontram-se no final do artigo.

      Jhulli, Equipe NeuroSaber 💙

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