PISA 2025: O que VOCÊ PRECISA SABER!

O PISA 2025 está chegando e promete ser uma das edições mais inovadoras do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes. Mais do que uma simples prova, ele reflete mudanças profundas no cenário educacional, exigindo competências que vão além do conteúdo tradicional. Entre os principais destaques estão a inclusão de pensamento computacional, inteligência artificial, educação ambiental e o uso crítico da tecnologia em sala de aula.
Para educadores, gestores, famílias e estudantes, compreender essas transformações é essencial. Este artigo traz tudo o que você precisa saber sobre as novas diretrizes do PISA, os impactos no Brasil e como nos preparar, de forma prática e eficaz, para essa avaliação internacional. Afinal, não se trata apenas de desempenho, mas da capacidade dos nossos jovens de pensar, agir e transformar a realidade em que vivem.
Conteúdo
O que é o PISA e por que ele importa tanto?
O PISA (Programme for International Student Assessment), ou Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, é uma avaliação aplicada pela OCDE que acontece a cada três anos. Ele mede a capacidade de estudantes na faixa etária dos 15 anos de aplicar conhecimentos e habilidades adquiridas ao longo da vida escolar para resolver situações do cotidiano.
Não se trata de medir apenas o conteúdo aprendido, mas de avaliar processos metacognitivos, cognitivos e comportamentais que envolvem motivação e regulação emocional, tomada de decisão, resolução de problemas e pensamento crítico. O exame oferece uma visão global da educação, permitindo comparações entre países e servindo como base para pesquisas, políticas públicas e capacitações para os profissionais da educação.
Quais são as mudanças previstas no PISA 2025?
O PISA 2025 trará inovações significativas, refletindo as transformações no cenário educacional convencional e as demandas do século XXI, especialmente o uso da tecnologia em sala de aula. A seguir, destacamos as principais mudanças:
1. Pensamento Computacional e Codificação
Pela primeira vez, o exame PISA terá como domínio principal a avaliação da capacidade dos estudantes de utilizar ferramentas digitais para explorar sistemas, coletar dados, resolver problemas por meio de tecnologias e construir modelos computacionais e realidades simuladas.
Embora seja a primeira vez que essas habilidades digitais sejam o foco principal da avaliação, é importante destacar que o PISA já realizou testes-piloto relacionados a competências digitais e globais em edições anteriores, como em 2018. A proposta é observar como os alunos conduzem práticas de investigação computacional com recursos como computador e softwares educacionais.
Além disso, os alunos deverão demonstrar habilidades em investigação computacional e científica, que envolvem linha de raciocínio estruturada, lógica e a capacidade de utilizar a tecnologia em sala de aula de forma crítica e criativa.
Para compreender os impactos e os benefícios do uso da tecnologia desde os primeiros anos escolares, veja o artigo Cuidados e benefícios com o uso das tecnologias na Educação Infantil.
2. Atualização no Marco de Ciências
O novo marco prioriza o uso de técnicas de investigação científica e competências como:
- Planejar e avaliar práticas escolares investigativas;
- Formular hipóteses e interpretar dados;
- Argumentar com base em evidências;
- Aplicar conceitos científicos à realidade social e ambiental.
Além disso, espera-se que os estudantes pensem criticamente e se engajem com a ciência, entendendo seu papel no mundo. Esses processos envolvem aprendizagem autorregulada, responsabilidade e comportamentais e de autorregulação durante tarefas mais complexas.
3. Educação Ambiental e Sustentabilidade
O PISA 2025 introduz o conceito de “Agência no Antropoceno”, visando avaliar como os estudantes compreendem e agem frente a questões como mudanças climáticas e sustentabilidade. Isso pode incluir simulações, resolução de problemas globais e análise de causas e consequências.
É possível que estudantes sejam expostos a conteúdos como visitas em museus do mundo, galerias de arte ou passeios virtuais por meio do Google Earth ou pelos próprios sites de instituições culturais, o que evidencia o uso da tecnologia como recurso transversal de aprendizagem.
4. Avaliação em Língua Inglesa
Mais de 20 países testarão a compreensão da língua inglesa como língua estrangeira, ampliando a perspectiva internacional da prova. A compreensão de textos, a escuta ativa e a interpretação de conteúdo produzido por ferramentas digitais serão centrais.
O que o PISA mede além do conteúdo?
O PISA vai além de avaliar apenas o conhecimento adquirido em disciplinas escolares. Ele analisa a capacidade de resolver problemas em contextos reais, aplicar conhecimentos de forma interdisciplinar e demonstrar cognição flexível e estratégica.
Durante a realização do exame, os estudantes serão desafiados em tarefas que exigem:
- Interpretação de tabelas, textos e gráficos interativos;
- Uso de ferramentas simuladas baseadas em inteligência artificial — como interfaces similares ao ChatGPT desenvolvidas pela própria OCDE — para que os estudantes processem informações, avaliem respostas automatizadas e demonstrem compreensão crítica sobre o funcionamento dessas plataformas.
- É importante destacar que o PISA não permite o uso de ferramentas externas reais durante a prova; as tarefas são baseadas em simulações controladas que visam avaliar o letramento digital e a capacidade de interação crítica com tecnologias emergentes;
- Análise crítica de fake news e desinformações;
- Reconhecimento de situações que envolvam viabilidade, recursos e estrutura lógica para encontrar soluções.
Como fica a inclusão e acessibilidade no PISA?
Embora o PISA ainda não seja plenamente adaptado para atender às diversas necessidades de estudantes com deficiência, a OCDE tem avançado em diretrizes internacionais voltadas à acessibilidade.
Alguns países, por exemplo, já implementaram adaptações específicas, como o uso de leitores de tela e versões com tempo estendido para estudantes com dislexia. Além disso, há iniciativas em andamento para ampliar a equidade nas avaliações futuras, considerando diferentes perfis de aprendizagem e neurodivergência. para todos os perfis de estudantes com deficiência ou neurodivergência, a avaliação reforça a urgência de práticas escolares inclusivas e adaptadas, considerando a diversidade de perfis e a necessidade de capacitações para os profissionais da educação.
Essas demandas são urgentes, especialmente considerando que os empregos do futuro exigirão cada vez mais competências digitais, cognitivas e socioemocionais, e que conteúdos devem ser compartilhados de maneira acessível, sensível e ética.
Conheça recursos inclusivos como a CSA no artigo A CSA como aliada no processo de inclusão do aluno com TEA.
O que educadores e famílias podem fazer?
Incentivar o protagonismo dos estudantes é uma forma eficaz de desenvolver autonomia e senso crítico. Saiba mais em Como incentivar o protagonismo infantil na escola.
- Incentivar a aprendizagem autorregulada, com atividades que estimulem organização e autonomia;
- Trabalhar motivacionais e afetivos durante tarefas, valorizando o processo, não só o resultado;
- Introduzir inteligência artificial e tecnologia em sala de aula com propósito pedagógico;
- Respeitar limites no uso de telas e discutir sobre a proibição das telas de forma crítica e orientada;
A discussão sobre o uso consciente de dispositivos móveis na escola é atual e necessária. Leia mais em Uso do Celular em Sala de Aula: impactos e a nova lei que restringe seu uso nas escolas.
- Promover interdisciplinaridade entre disciplinas e projetos que ampliem o repertório cultural.
O que educadores e famílias podem fazer desde já?
1. Fortalecer competências base
Trabalhe com leitura, raciocínio lógico, pensamento crítico e resolução de problemas desde a infância.
2. Desenvolver habilidades digitais e ambientais
Inclua no currículo projetos sobre sustentabilidade, uso consciente de tecnologias e análise crítica da informação.
3. Promover a ciência na prática
Estimule o pensamento científico com experimentos simples, perguntas investigativas e uso de fontes confiáveis.
4. Valorizar o aprendizado de línguas
Incentive o contato com o inglês desde cedo, com músicas, histórias e atividades lúdicas.
5. Cuidar da saúde emocional
Um ambiente seguro, afetivo e acolhedor é pré-requisito para qualquer avanço cognitivo.
Conclusão
O PISA 2025 não é apenas uma prova — é um reflexo das competências que nossos estudantes precisam desenvolver para viver com consciência, autonomia e responsabilidade. Preparar-se para essa avaliação é uma forma de investir em uma educação mais significativa e transformadora.
Não se trata de “ensinar para o teste”, mas de formar crianças e adolescentes capazes de atuar com ética, pensamento crítico e conhecimento científico no mundo real.
FAQ – O que você ainda precisa saber sobre o PISA 2025?
O PISA é uma avaliação internacional que mede o desempenho de estudantes de 15 anos em leitura, matemática e ciências. Seus dados ajudam o Brasil a revisar políticas públicas, identificar desigualdades e promover melhorias na educação.
Entre as principais mudanças estão: inclusão de pensamento computacional, avaliação de sustentabilidade, teste de língua inglesa e atualização no domínio de ciências.
Embora não adapte as provas, os relatórios do PISA reforçam que países que adotam políticas de inclusão e valorização da diversidade têm melhor desempenho geral.
Investir em metodologias ativas, projetos interdisciplinares, uso de tecnologia educativa, ensino de línguas e cuidado com o bem-estar emocional dos alunos.
Promovendo leitura em casa, incentivando a curiosidade, acompanhando a rotina escolar e criando um ambiente seguro e afetivo para o aprendizado.
