TDAH e autismo: quando os dois transtornos podem aparecer juntos

O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e o Transtorno do Espectro Autista (TEA) são condições do neurodesenvolvimento que podem afetar o comportamento, a aprendizagem e a interação social das crianças.
Durante muitos anos, acreditava-se que essas duas condições não poderiam ocorrer na mesma pessoa. Hoje, pesquisas mostram que TDAH e autismo podem coexistir, formando um quadro de comorbidade que exige atenção especial no processo de avaliação e acompanhamento.
Compreender essa relação é importante para pais, educadores e profissionais da saúde, pois ajuda a identificar melhor as necessidades da criança e a planejar intervenções adequadas.
Conteúdo
O que significa comorbidade
O termo comorbidade é utilizado quando duas ou mais condições de saúde ocorrem simultaneamente em uma mesma pessoa.
No caso do TDAH e do autismo, isso significa que a criança pode apresentar características associadas a ambas as condições ao mesmo tempo. Essa coexistência pode influenciar diferentes áreas do desenvolvimento, como aprendizagem, comportamento e habilidades sociais.
Para entender melhor esse contexto, veja também o artigo sobre sintomas de TDAH que podem atrasar o diagnóstico do autismo.
TDAH e autismo podem ocorrer juntos?
Sim. Atualmente, a literatura científica reconhece que TDAH e TEA podem ocorrer na mesma pessoa.
Essa possibilidade passou a ser oficialmente considerada após a atualização do DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), publicada em 2013. A partir dessa revisão, tornou-se possível diagnosticar as duas condições simultaneamente quando critérios clínicos para ambas estão presentes.
Esse reconhecimento foi importante porque permitiu compreender melhor os desafios enfrentados por muitas crianças que apresentam características associadas às duas condições.
Prevalência da associação entre TDAH e TEA
Pesquisas indicam que a coexistência entre TDAH e autismo é relativamente frequente.
Alguns estudos sugerem que:
- cerca de 30% a 50% das pessoas com TEA também apresentam sintomas de TDAH
- crianças com TDAH podem apresentar características associadas ao espectro autista.
Esses dados mostram que a presença simultânea das duas condições não é rara e precisa ser considerada durante o processo de avaliação.
Para aprofundar esse tema, veja também o conteúdo sobre crianças com TDAH que podem apresentar traços autistas.
Impactos da coexistência no desenvolvimento
Quando TDAH e autismo ocorrem juntos, alguns desafios podem se tornar mais complexos no desenvolvimento infantil.
Entre os aspectos que podem ser mais impactados estão:
- organização e execução de tarefas
- habilidades sociais
- adaptação às rotinas escolares
- processos de aprendizagem.
Em alguns casos, a coexistência das duas condições pode aumentar a necessidade de suporte educacional e acompanhamento especializado.
Também é importante considerar a presença de outras condições associadas, chamadas de comorbidades. Para entender melhor esse contexto, veja o artigo comorbidades no TDAH.
A importância da avaliação multiprofissional
Quando há suspeita de coexistência entre TDAH e TEA, a avaliação deve envolver diferentes profissionais da área da saúde e da educação.
Essa avaliação pode incluir especialistas como:
- neuropediatras
- psicólogos
- psiquiatras infantis
- fonoaudiólogos
- terapeutas ocupacionais.
Uma avaliação multiprofissional permite compreender melhor o perfil de desenvolvimento da criança e identificar suas necessidades específicas.
Esse processo é essencial para orientar estratégias educacionais e de acompanhamento que favoreçam o desenvolvimento global.
Formação para profissionais que atuam com TEA
Profissionais que desejam aprofundar seus conhecimentos sobre o Transtorno do Espectro Autista e suas relações com outros transtornos do neurodesenvolvimento podem buscar formação especializada.
O Instituto NeuroSaber oferece conteúdos formativos voltados para educadores e profissionais da saúde.
Conheça a formação sobre TEA e desenvolvimento infantil
No vídeo abaixo, você poderá aprofundar a compreensão sobre como o cérebro da criança com TDAH funciona e de que forma isso influencia comportamento, atenção e aprendizagem.
Considerações finais
A relação entre TDAH e autismo é um tema importante na compreensão dos transtornos do neurodesenvolvimento.
A possibilidade de coexistência dessas condições reforça a necessidade de avaliações cuidadosas e multidisciplinares, que considerem diferentes aspectos do desenvolvimento da criança.
Com diagnóstico adequado e acompanhamento especializado, é possível desenvolver estratégias que favoreçam a aprendizagem, o comportamento e a participação da criança no ambiente escolar e social.
FAQ — TDAH e autismo podem ocorrer juntos?
Sim. O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e o Transtorno do Espectro Autista (TEA) podem ocorrer no mesmo indivíduo. Essa coexistência é chamada de comorbidade. Estudos mostram que muitas crianças com autismo também apresentam características associadas ao TDAH, o que exige uma avaliação clínica cuidadosa para compreender o desenvolvimento global da criança.
Comorbidade significa que dois transtornos podem ocorrer simultaneamente na mesma pessoa. No caso do TDAH e do autismo, o indivíduo pode apresentar características relacionadas a ambos os transtornos do neurodesenvolvimento. Essa associação pode influenciar o foco, a comunicação social, o comportamento e a adaptação às atividades escolares.
Sim. Pesquisas indicam que muitas crianças com autismo podem apresentar características associadas ao TDAH, como dificuldade em manter a atenção, impulsividade e variações no foco das atividades. Essa coexistência não é rara e reforça a importância de um diagnóstico precoce realizado por profissionais especializados.
A identificação geralmente ocorre por meio de uma avaliação clínica abrangente, que analisa o histórico de desenvolvimento, comportamento em diferentes ambientes e funcionamento social e escolar. Profissionais podem utilizar questionários padronizados, escalas comportamentais e observação direta para compreender o padrão de desenvolvimento do indivíduo.
O diagnóstico precoce é fundamental para orientar estratégias educacionais e intervenções terapêuticas adequadas. Quando TDAH e autismo são identificados cedo, é possível oferecer estímulos apropriados para apoiar o desenvolvimento da criança, melhorar a participação escolar e favorecer habilidades sociais e cognitivas.
Quando os dois transtornos ocorrem juntos, algumas crianças podem apresentar maior dificuldade em manter a atenção por períodos prolongados, organizar tarefas e adaptar-se a rotinas. Em alguns casos, podem existir comportamentos repetitivos, interesses com maior fixação e desafios relacionados à comunicação social.
O acompanhamento costuma envolver uma abordagem integral, com participação de profissionais da saúde e da educação. Psicólogos, psiquiatras, neuropediatras e educadores podem trabalhar juntos para definir estratégias de cuidados e intervenções terapêuticas que respeitem as particularidades do desenvolvimento da criança ou adolescente.
É recomendado procurar orientação profissional quando a criança apresenta desatenção persistente, dificuldade em manter foco nas atividades, desafios de comunicação social ou comportamentos repetitivos que afetam a rotina diária ou o aprendizado escolar. Uma avaliação especializada ajuda a reduzir confusões diagnósticas e orientar o acompanhamento adequado.
Referências científicas
SEGENREICH, Daniel; MATTOS, Paulo. Atualização sobre comorbidade entre transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e transtornos invasivos do desenvolvimento (TID).
HAMAD, Ana Paula Andrade. Autismo e TDAH. Universidade de São Paulo. Disponível em: https://edisciplinas.usp.br.

16 Comments
Relatório maravilhoso
Bom dia. Neste momento não tenho como ler com capricho e assimilar bem o conteúdo que, no primeiro momento sugere que se trata de material muito interessante. Lerei mais tarde, com tranquilidade. Grata Julia
Bom dia eu foi diagnosticado por uma pessoa com TDAH e mais tarde por outra com autismo leve. Porém eu realmente tenho alguns sintomas controverso aos dois. Eu não consigo me organizar e não consigo criar hábitos. Ao mesmo tempo eu tenho um problema que quando um assunto me chama atenção, minha concentração é tal que eu perco totalmente a percepção do que acontece a minha volta. Meu QI foi diagnosticado como acima da média. Se alguém puder me ajudar eu agradeço. Atualmente estou sendo tratado como autista, não acho isso ruim, apenas, lendo o artigo, pensei que talvez meu tratamento possa estar incompleto.
Minha filha tem 11 anos. Faz acompanhando desde 4 anos TDHA. E recentemente outra psicóloga está investigando o TEA. Os dois transtornos junto, por isso tenho imensa dificuldade de ajudar ela.
Fui diagnóstica com Tdah, mas apresento algumas comportamento do TEA, as vezes tenho fobias sociais e não gosto que toque ou me abrace, não costumo olhar nos olhos, fico muito desconfortável se alguém fica olhando para mim ou na minha direção, não consigo manter hábitos e rotina, sou muito desorganizada mas me estresso quando alguém tenta arrumar ou tira algo do lugar, tenho manias durante a alimentação, as vezes crio palavras ou falo palavras que não sei o que significa, tenho crises de ausência, tenho algumas visões e escuto e sinto cheiros pecebidos apenas por mim, odeio gritos e pessoas falando alto, eu me irrito ao vê alguém chorar mesmo que por do, sou um pouco grosseira com as palavras as vezes, adoro colocar as pessoas para fora, tenho facilidade para fazer amizade e dificuldade em manter-los.
Me descreveu. Venho tentando tirar algumas coisas dessas de mim, mas é super difícil. Quando penso que consegui, já estou eu novamente fazendo essas coisas. aff!
Bom dia. Vc não está sozinha. Eu estou perdida também para conseguir especialistas que possam tratar do meu filho. Com um QI altíssimo, está com 16 anos terminando o 3 ensino médio. Porém, agora as características afloraram de uma tal forma que ele tem constantemente crises de ansiedade e não quer pessoas por perto…. É muito difícil.
Tomara que vc encontre um tratamento que te ajude
Olá eu tenho repensado muita coisa da minha vida e umas das respostas que tenho encontrado junto com a psicóloga é que em muitos casos eu encontrei um jeito racional de burlar ou disfarçar meus comportamentos não suportados pela sociedade. Inclusive para mim mesmo encontrei mecanismos que muitas vezes não fazem sentido para outras pessoas mas que servem muito para mim. Tive de aprender quando devo chorar, quando devo sorrir, quando devo demonstrar afeição, etc. Até hoje ainda nao acerto em todas as situações. Mas como descobri que tenho muita curiosidade pelo que nao entendo, esse campo das emoções me fascina e foi meu jeito de me inteirar na sociedade para poder estudar de perto como funcionam esse lado das emoções e suas reações. Defendo muito de que o TEA não tira nossas emoções nos apenas não conseguimos expressar mas la dentro de nos as emoções existem e causam uma convulsão de sensações que não sabemos expressar.
O QI alta ajuda muito mas tem de saber direcionar para o que iremos usar. E por ser mais facil lidar com o já entedemos vamos para o lado mais lógico e deixamos aquilo que eh confuso, principalmente para quem tem TEA, que são áreas que lidam com emoções e coisas instintivas dentro de suas equações.
Nas no meu caso a minha curiosidade e o meu Qi tem me ajudado a encontrar padrões dentro do “caos”, mas tenho de confessar que passo por situações embaraçosas e desconfortantes. Uma das perguntas que me fiz por muito tempo enquanto era adolescente foi o que era o amor qual o seu significado. Porque dizer para mim que era um sentimento bom apenas, não era inteligível para mim.
Enfim, entender o mundo através do meu olhar foi importante para o meu futuro ter explicações sobre ações e reações. Aprender a sorrir e e chorar foi bom para aprender a lidar e saber que são modos de aliviar a tensão. Tira um pouco daquele bolo de sensações que fica se acumulando dentro da gente. E aprender a ler esses sentimentos me ajudou a saber mais ou menos quando falar, quando não falar elas e o que falar com elas. Não acerto sempre mas consigo conviver melhor com as pessoas.
Gostei muito da explicação. Foi muito útil
Olá, Marly!
Agradecemos pela confiança em nosso trabalho!
Continue nos acompanhando para mais conteúdos úteis e didáticos.
Webster,
Equipe NeuroSaber 💙
Tenho um pessoa próxima que foi diagnosticado com TDAH e autismo gostaria de saber como ajuda
Olá, Otilia
Que legal você querer ajudar e se aprofundar mais sobre o tema. Aqui você encontra muitos materiais e conteúdos acerca da temática. Confira nosso canal no Youtube NeuroSaber e temos muitos artigos aqui em nosso Blog. E fique sempre de olho em nossas redes sociais!
Agradecemos pela sua mensagem ☺
Webster,
Equipe NeuroSaber 💙
Muito bom texto, explica o comportamento do meu marido. Ele foi diagnosticado com TDAH depois de adulto e começou o tratamento, que o ajudou muito nas atividades diárias. Mas ele apresenta sintomas de autismo leve, como incômodo a sons, texturas, mudança na rotina, entre outros. Porém consegue lidar melhor com esses sintomas com o tratamento para o outro distúrbio.
Boa Noite,
Olá Elisa tudo bem?
Muito obrigado pelo comentário e pela confiança!
Vamos juntos! Um NeuroAbraço!!!!!
Solange,
Equipe NeuroSaber 💙
Bom dia.
É possível fazer avaliação neuropsicóloga em uma criança com 4 anos? Tem como esta avaliação identificar TEA ou TDAH?
Olá Carol, tudo bem?
Segundo o livro: Como lidar com mentes a mil por hora do dr. Clay Brites, “não existem exames de sangue, eletro ou de neuroimagem que confirmem o TDAH, tal diagnóstico depende de observação do comportamento e da performance” do individuo, o mesmo ocorre com o TEA.
Saiba mais nos vídeos:
TEA: https://www.youtube.com/watch?v=WBfdzNzUUM8&t=1s
TDAH: https://www.youtube.com/watch?v=veLPQE_BQyk
Sol,
Equipe NeuroSaber 💙