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ASPERGER OU AUTISMO LEVE: ENTENDA A DIFERENÇA

Exemplos comuns de transtornos do neurodesenvolvimento, o autismo leve e o Asperger também podem apresentar traços semelhantes, capazes de, em um primeiro momento, confundir o entendimento ou retardar a definição do diagnóstico.  

Do ponto de vista da 11ª revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-11), o Transtorno ou Síndrome de Asperger já está ultrapassado. Isso ocorre porque a nova classificação reuniu em um só diagnóstico, no Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), tudo aquilo que faz parte dele, como o autismo infantil, as Síndromes de Rett e de Asperger e os transtornos de hipercinesia e o desintegrativo da infância.

Assim como o CID-11, a edição mais recente do Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) também não considera mais o termo Síndrome de Asperger.

Essa atualização tem um ponto positivo, visto que favorece o diagnóstico precoce, simplificando termos e induzindo as famílias a pensarem, desde cedo, na possibilidade de autismo, caso identifiquem, junto com pediatras, fonoaudiólogos e neuropsicólogos, indícios de TEA a partir dos dois anos de idade.

E quais seriam as características a serem observadas para essa identificação?

O indivíduo que tem autismo com sinais de Asperger possui peculiaridades no comportamento, nos aspectos intelecto-linguísticos, na forma de se manifestar em um ambiente típico e algumas complicações psiquiátricas, médicas ou comportamentais um pouco diferentes do autismo leve.

A criança ou adolescente com os traços de Asperger apresenta um nível de capacidade intelectual preservada, até superior, ou de alta habilidade. Tem, ainda, uma boa linguagem global, com funcionalidade suficiente para lidar com as questões do dia a dia, demonstrando apenas alguns prejuízos no que se refere à prosódia, ritmo ou à condução do diálogo.

Pode-se observar, também, um bom vocabulário, muitas vezes formal e com fala mecânica. Sua participação em conversas tende a girar em torno dos mesmos assuntos, pois possui interesses restritos em determinados temas, aprofundando-se exageradamente neles.

Além disso, o indivíduo com Asperger não costuma perceber intencionalidades sociais, piadas ou metáforas, nem ter filtro social, podendo se envolver em situações embaraçosas, a depender do contexto; não olha muito nos olhos, pode ficar alegre ou triste em momentos inadequados e demonstrar irritação em situações que ninguém entende o porquê.

É preciso compreender que todo Asperger é autista leve, mas nem todo autista leve é Asperger. Isso ocorre porque o autismo pode se associar a uma Deficiência Intelectual (DI), cujo quadro principal é justamente a existência dos traços do autismo. É importante demarcar essa terminologia pois, ao contrário, quem tem Asperger tem bom nível intelectual.

Mas, se as definições de Asperger não constam mais na CID-11, como classificar?

Os médicos neurologistas podem diagnosticar como autismo leve, com alto nível intelectual, explicando, no laudo, o que acontece com cada paciente, especificamente, e o que precisa ser feito em cada caso.

No entanto, é preciso tomar cuidado com as comorbidades que podem estar associadas ao autismo, separando-o do Asperger, já que o perfil deste apresenta mais transtornos depressivos, social ou de ansiedade, fobias específicas e questões delicadas associadas ao sensorial.

O mais importante não são as terminologias que irão caracterizar o indivíduo como autista leve ou Asperger, mas sim entender o que ele tem, do que ele precisa no momento, se irá necessitar de intervenções psicoterápicas, medicamentosas e, acima de tudo, promover a conscientização das pessoas ao seu redor, para que saibam como conduzir as situações e o que pode ser feito para gerar qualidade de vida satisfatória.

Dessa maneira, chegará o dia em que todas essas abordagens de transtornos ou síndromes ligadas ao TEA estarão superadas e, assim, será possível se falar apenas em “autismo leve” para todos eles, popularizando o termo e favorecendo, sobremaneira, o diagnóstico e o tratamento precoce. 

Referências:

Carvalho, Márcio Pedrote de; Souza, Luciana Sant`Ana de; Carvalho, Jair Antonio de. ‘Síndrome de Asperger: considerações sobre o espectro do autismo’.  Revista Unitpac, 2014. Disponível em https://assets.unitpac.com.br/arquivos/Revista/72/5.pdf .

Klin, Ami. ‘Autismo e síndrome de Asperger: uma visão geral’. Brazilian Journal Psychiatry, 28 (suppl 1), Maio 2006. Disponível em https://www.scielo.br/j/rbp/a/jMZNBhCsndB9Sf5ph5KBYGD/

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