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Autismo e a dificuldade em realizar contato visual

A falta de contato visual é um sintoma comum no autismo. Pessoas autistas apresentam dificuldades ao olharem diretamente para os olhos de outra pessoa, o que demonstra um menor nível de engajamento social.

Este comportamento pode ser observado a partir do primeiro ano de vida em muitas crianças autistas, portanto, essa é uma das características mais debatidas e pesquisadas dentro do autismo.

No entanto, as razões para isso não são tão simples quanto parecem, continue lendo para saber mais sobre a dificuldade em manter contato visual no autismo.

O contato visual no Autismo

No geral, podemos interpretar a falta de contato visual como um indicativo de falta de interesse em indivíduos de desenvolvimento típico. Mas para a criança com TEA (Transtorno do Espectro Autista), o contato visual é causa de estresse e desconforto. 

De acordo com pesquisas, isso acontece porque a parte do cérebro responsável pelo contato visual, quando ativada, sofre uma atividade incomum.

Esta mesma área – o sistema subcortical – é a responsável por instigar a curiosidade de crianças em rostos familiares e também pela percepção de emoções.

Portanto, a dificuldade de contato visual no autismo acontece porque essa parte do cérebro, quando estimulada, desencadeia sentimentos de estresse e desconforto tanto na criança quanto no adulto autista. 

Desta forma, concluímos que o contato visual pode ser uma experiência sensorial muito intensa para autistas, por isso, existe a dificuldade em mantê-lo. 

Dificuldade de Contato Visual e Diagnóstico

A falta de contato visual é um de muitos critérios utilizados por médicos para diagnosticar o autismo. Mas este sintoma sozinho não é o suficiente para fechar o diagnóstico.

Portanto, a dificuldade em manter contato visual é apenas um de muitos sinais e comportamentos que podem sugerir autismo. 

Como não existem testes de sangue ou de imagem para diagnosticar o autismo, médicos devem analisar essa e outras características comportamentais de acordo com o que está previsto no Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5).

Portanto, é somente após a análise completa sobre este e outros sintomas da criança que o médico irá determinar a presença ou não de autismo, ou até mesmo sugerir que o diagnóstico é inconclusivo. 

Por que existe a dificuldade em manter o contato visual no autismo?

A falta de contato visual é um sintoma clássico de autismo e é uma das descrições mais presentes no autismo infantil.

As crianças com autismo podem prestar mais atenção à boca do que aos olhos daqueles que interagem com ela.

Porém, por não manterem atenção aos olhos das pessoas, crianças autistas podem apresentar dificuldades em reconhecer emoções faciais. E isso pode apresentar um grande prejuízo para suas futuras interações sociais.

Estudos sugerem que as crianças com com autismo podem evitar o contato visual por diversas razões, como por exemplo:

  • A falta de motivação social usual que leva outras crianças a fazer contato visual;
  • Dificuldade em se concentrar na linguagem falada e nos olhos de outra pessoa ao mesmo tempo;
  • A falta de compreensão de que observar os olhos de outra pessoa pode ser mais revelador do que, por exemplo, observar a boca ou as mãos dessa pessoa.
  • Sentir que o contato visual é um estímulo sensorial muito intenso.

Como estimular o contato visual

Forçar o contato visual com a criança pode desencadear um impacto negativo em seu desenvolvimento. Por isso, um dos métodos a serem utilizados para essa estimulação é o reforço positivo.

O estímulo deve ser incentivado, mas não forçado. Isso pode ter efeito contrário e desencadear ainda mais estresse na criança. 

Você pode, por exemplo, acostumar a criança de forma gradual ao contato visual, conversando com ela de uma maneira que os seus olhos e os dela fiquem no mesmo nível. Então se ela estiver no chão, abaixe e se posicione à frente dela antes de engajar uma conversa.

Não se esqueça de parabenizar sempre que ela manter contato visual com você! Isso fará com que ela se sinta mais segura sempre que olhar para os seus olhos.

Portanto, vimos que para algumas crianças, o contato olho no olho pode ser uma fonte de enorme ansiedade e/ou superestimulação. 

Além da terapia, é muito importante que o contato visual seja estimulado sempre que possível de uma maneira que evite causar mais estresse à criança com autismo.

É importante ressaltar que, apesar de a dificuldade em manter contato visual seja uma característica muito presente em crianças autistas, a presença dela sozinha não significa, necessariamente, autismo.

Por isso, é importante estar atento a outros sinais que podem ser sugestivos do TEA. Veja este vídeo do Dr. Clay Brites sobre o assunto e aprenda quais são eles! 

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2 respostas em “Autismo e a dificuldade em realizar contato visual”

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