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Autismo na infância: estimulando a autonomia da criança.

As estratégias para aumentar a autonomia no autismo devem considerar as habilidades de comunicação, autocuidado, interesses e metas para o futuro.

Assim como todas as crianças, autistas devem ser incentivados à independência desde cedo.

O diagnóstico de Transtorno do Espectro Austista (TEA) pode vir na trilha de várias dúvidas quanto ao desenvolvimento da criança: Ela poderá ir para escola? Poderá trabalhar? O que nós, pais, devemos fazer para que ela seja independente e tenha autonomia?

Antes de tudo, lembre-se que existem níveis de Autismo, dos mais leves aos mais severos. Exceto os casos mais graves, com episódios constantes de crises e necessidade de acompanhamento constante, as crianças autistas devem ser estimuladas desde cedo a ganhar autonomia dentro de suas possibilidades, assim como todas as crianças!

SAIBA MAIS: Diagnóstico de Autismo

É importante inseri-la em atividades que irão criar ferramentas fundamentais para o seu bem-estar e convívio com os outros, como autocuidado, noções de segurança e despertando seu interesse acadêmico-profissional e metas para o futuro. Para isso, os pais e cuidadores devem ter em mente a noção de habilidades sociais, que engloba esses outros aprendizados, e servirão como base para a criança desenvolver-se e engajar-se nas propostas.

Habilidades Sociais

As habilidades sociais ajudam as crianças a saber como agir em diferentes situações sociais – desde conversar com os avós até brincar com os amigos na escola. Ajudarão seu filho a aprender com os outros e desenvolver hobbies e interesses. Um fator primordial no desenvolvimento das habilidades sociais é o sentimento de pertencimento experimentado para a criança, além da promoção da qualidade de vida e saúde mental.

Você pode obter treinamento de habilidades sociais em sessões com um psicólogo, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional ou outro profissional de saúde. 

Algumas estratégias lúdicas para auxiliar a criança autista a desenvolver essas ferramentas são os jogos, a prática de elogios e encorajamento e a encenação.

Jogos: Praticar uma habilidade em diferentes situações de jogo ajudará seu filho a aprender a usar a habilidade de forma mais ampla. Por exemplo, você pode praticar revezando enquanto chuta uma bola para o outro, alimentando um ursinho, juntando peças de um quebra-cabeça ou jogos de cartas como Uno.

Elogios: Dê ao seu filho autista muitos elogios e encorajamento quando você o vir interagindo positivamente com os outros. Por exemplo, quando seu filho oferecer um brinquedo para outra criança, sorria e diga: “Você compartilhou seus blocos com seu amigo e esperou sua vez. Isso foi muito gentil, parabéns!”.

Encenação: antes de eventos sociais importantes, você pode aliviar a ansiedade e auxiliar a criança por meio de brincadeiras, representando como seria um encontro em família. Pratique a conversação sobre assuntos de interesse da criança, como o que fizeram no final de semanas, ou joguem juntos algum jogo que provavelmente ela poderá participar no encontro. 

Destacamos abaixo algumas formas interessantes de utilizar essas ferramentas para promover aspectos como o autocuidado, segurança, desenvolvimento de hobbies e mais. Em casa e na escola, toda hora é hora de aprender.

Cuidar de si e do entorno

Desde cedo, é importante estimular a criança a cuidar de si e a ter bons hábitos de higiene. Para ajudá-la, use recursos visuais, como cartões ilustrados mostrando o ritual de limpeza da manhã na sequência (por exemplo: lavar o rosto, escovar os dentes e pentear os cabelos). Assim, ela poderá verificar se concluiu a rotina. 

A participação nas atividades domésticas também insere a criança na rotina da família, desenvolve a responsabilidade e, pensando no futuro, ajuda a desenvolver habilidades essenciais de cuidado consigo e com o ambiente. Se notar alguma dificuldade, lembre-se de dividir as tarefas em partes menores. Por exemplo: em vez de pedir-lhe que arrume a cama, detalhe as ações: primeiro, estique o lençol; depois, dobre o cobertor, etc.

Segurança

Pratique com a criança como caminhar na rua, atravessar na faixa e estar atenta à sinalização de trânsito, como os semáforos e placas, por exemplo. Oriente sempre antes dos passeios o que ela poderá vivenciar. Produza um pequeno cartão de identificação com o nome, telefone, uma breve descrição do diagnóstico e nome de um responsável da criança para o caso dela sair sozinha (mesmo para uma curta distância – estamos falando de autonomia, lembra?).

Hobbies e interesses

É comum crianças autistas desenvolverem hiperfoco, cerca de 75% a 95% das pessoas com o espectro desenvolvem esse interesse de forma intensa sobre um tópico muito específico. Uma forma positiva de utilizar essa característica é conversar sobre o tema com eles, o que faz com que se sintam valorizados, reconhecidos por sua inteligência e habilidade intelectual.

Vale também promover o contato da criança em atividades esportivas e artísticas para sua saúde física e mental e também para o convívio com outras crianças. Realizar algo meramente recreativo ajuda a lidar com a ansiedade.

Na adolescência, essas atividades podem vir a se tornar um interesse acadêmico. Faça uma lista com os pontos fortes, interesses e habilidades para buscar juntos as atividades profissionais que podem ser consideradas. Criar um plano pedagógico adequado, que contemple os itens da lista, auxiliará o jovem a chegar na fase adulta com autonomia em vários aspectos da vida.  

Com apoio e informação correta, os pais e cuidadores podem – e devem – incentivar as crianças no espectro autista a ganhar autonomia para viver plenamente – assim como todas as crianças.

REFERÊNCIAS:

Social Skills For Children with ASD. Disponível em: https://raisingchildren.net.au/autism/communicating-relationships/connecting/social-skills-for-children-with-asd

Ten Ways to Build Independence. Site: Autism Speaks. Disponível em:

https://www.autismspeaks.org/tool-kit-excerpt/ten-ways-build-independence

MAPELLI, Lina Domenica et al. Child with autistic spectrum disorder: care from the family. Esc. Anna Nery [online]. 2018, vol.22, n.4 [cited  2020-12-01], e20180116.

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4 respostas em “Autismo na infância: estimulando a autonomia da criança.”

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