Como a Análise de Comportamento Aplicada pode ajudar seu filho?

A Análise do Comportamento Aplicada (ABA) é uma terapia baseada na ciência da aprendizagem e do comportamento. Entenda como o método ABA pode ajudar seu filho.

A análise do comportamento ajuda a entender o seu funcionamento, como ele é afetado pelo meio ambiente e como a aprendizagem ocorre. O método ABA é uma área do conhecimento que analisa o comportamento para desenvolver aplicações e pesquisas. 

O objetivo do método ABA é desenvolver habilidades comportamentais importantes para o aprendizado e vida cotidiana. As intervenções ajudam no desenvolvimento das habilidades de linguagem e comunicação; atenção, foco, habilidades sociais, acadêmicas, entre outras.

O método ABA pode ajudar seu filho em suas dificuldades de aprendizagem e é muito utilizado em crianças com autismo e outros transtornos do neurodesenvolvimento.

Como funciona o método ABA?

ABA — Análise do Comportamento Aplicada — é um campo de investigação que promove aplicação de técnicas que visam ensinar comportamentos para as crianças.

Por não se tratar de um método único, as estratégias são flexíveis e se adaptam para atender às necessidades de cada criança. Ele pode ser aplicado por profissionais clínicos especializados, em casa e na escola.

O objetivo do método ABA é ensinar habilidades fundamentais para a vida cotidiana e escolar, através de técnicas que envolvem o reforço positivo. Ou seja, para cada avanço em uma aprendizagem, há um recompensa.

Isso porque, segundo a teoria da análise do comportamento, quando um comportamento é valorizado e recompensado, é provável que a pessoa o repita. Com o tempo, ocorre uma mudança positiva de comportamento.

Etapas do método ABA

Em primeiro lugar, o terapeuta precisa conhecer a criança, seus comportamentos, habilidades e dificuldades. Dessa forma, consegue traçar um objetivo, com foco em comportamentos específicos que serão trabalhados e desenvolvidos.

Os avanços da criança, como dissemos, são recompensados, pode ser com presente, um elogio, pequenos brindes, mas que a motivem a continuar desenvolvendo a habilidade em questão. Então, ocorrem mudanças significativas de comportamento ao longo do tempo.

As técnicas usadas pelo terapeuta também podem ser aplicadas nas escolas e em casa, pelos pais. O profissional pode orientar os pais sobre como fazer isso, uma vez que cada programa é único, feito para atender às necessidades de cada criança.

O objetivo do método ABA é ajudar a criança a desenvolver habilidades que a tornem mais independentes e capazes de superar suas dificuldades de aprendizagem, de autocuidado e de interação social.

Planejamento e Avaliação Contínua

Um terapeuta especializado na aplicação do método ABA, personaliza as intervenções de acordo com as habilidades, necessidades, interesses, preferências e situação familiar de cada criança.

Começa com uma avaliação detalhada das habilidades e preferências do seu filho e usa essas informações como base para traçar as metas do tratamento. É muito importante a participação da família neste processo.

Os objetivos do tratamento são desenvolvidos de acordo com a idade e habilidades da criança. As metas podem incluir desenvolver diferentes habilidades, como:

  • Comunicação e linguagem.
  • Habilidades sociais.
  • Autocuidado.
  • Lazer.
  • Habilidades motoras.
  • Aprendizagem e habilidades acadêmicas.

O planejamento inclui cada uma dessas habilidades que serão trabalhadas por etapas. O terapeuta trabalha com a criança desde tarefas simples até mais complexas, à medida que ela desenvolve as habilidades.

O terapeuta mede o progresso de cada criança coletando dados em cada sessão, o que ajuda a monitorar o progresso em relação às metas continuamente.

O analista de comportamento se reúne regularmente com familiares e professores da criança, assim como ocasionalmente com outros profissionais que a atendam. Esse contato ajuda a definir estratégias que serão aplicadas em cada contexto, em casa e na escola.

Os pais, familiares e cuidadores recebem orientação para que possam apoiar o aprendizado e a prática de habilidades em casa.

O método ABA ajuda crianças com autismo?

Sim, o método ABA já demonstrou ser altamente eficaz com as crianças com autismo. Habilidades sociais e de autocuidado podem ser desenvolvidas através das estratégias do método ABA.

O método ABA é eficaz para crianças, mas também para pessoas de todas as idades, podendo ser aplicado desde a infância até a vida adulta!

O método ABA funciona?

O ABA é considerado um método recomendado baseado em evidências pelo US Surgeon General e pela American Psychological Association.

“Baseado em evidências” significa que o ABA foi aprovado em testes científicos de utilidade, qualidade e eficácia. O método ABA inclui muitas técnicas diferentes que enfocam os antecedentes (o que acontece antes de um comportamento ocorrer) e as consequências (o que acontece depois do comportamento).

Mais de 20 estudos estabeleceram que a terapia intensiva e de longo prazo usando os princípios ABA melhora os resultados para muitas crianças com autismo. Esses estudos mostram ganhos no funcionamento intelectual, desenvolvimento da linguagem, habilidades de vida diária e funcionamento social. 

Agora que você já sabe como o método ABA pode ajudar seu filho, compartilhe este texto em suas redes e ajude outras famílias!

Referências:

ZAZULA, Robson  e  HAYDU, Verônica Bender. Análise aplicada do comportamento e capacitação de pais: Revisão dos de artigos publicados pelo Journal of Applied Behavior Analysis. Acta comport. [online]. 2012, vol.20, n.1 [citado  2020-09-17], pp. 87-107 .

MALAVAZZI, Dante Marino et al. Análise do comportamento aplicada: Interface entre ciência e prática?. Perspectivas [online]. 2011, vol.2, n.2 [citado  2020-09-17], pp. 218-230 .

Orientação familiar no autismo — Como proceder?

A orientação no autismo é tão importante para a família quanto para a criança com TEA. O impacto do diagnóstico assusta os pais, por isso eles devem receber informações e apoio para ficarem mais confortáveis e informados sobre o espectro.

A OMS — Organização Mundial de Saúde — estima que existam 70 milhões de pessoas com autismo no mundo. Portanto, o transtorno é mais comum que pensamos, mas a inclusão e o fluxo de informações para a conscientização ainda não são suficientes.

Dessa forma, torna-se essencial a orientação familiar no autismo, para que os pais e a família se informem sobre o espectro e recebam orientações e suporte profissional. Saiba mais, neste artigo.

O diagnóstico de autismo

O transtorno do Espectro Autista — TEA — é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta a comunicação, a interação social e o desenvolvimento cognitivo. Os sinais de autismo podem surgir nos primeiros anos da criança, mas nem sempre são percebidos.

Existem diferentes graus de autismo, por isso, em casos leves, pode ser que a criança receba o diagnóstico mais tarde. O TEA não tem cura, mas os tratamentos e intervenções adequados melhoram a qualidade de vida e desenvolvem habilidades essenciais nas crianças. 

Da mesma forma, os pais devem receber orientações para que possam lidar com seus sentimentos e questionamentos diante o diagnóstico de seus filhos.

Orientação no autismo

O impacto do diagnóstico do autismo nos pais é enorme. Como a nossa sociedade ainda não é totalmente inclusiva, eles ficam temerosos em relação ao futuro de seus filhos.

Muitos pais têm que lidar com expectativas frustradas e com os sintomas do autismo em seus filhos, como dificuldade de contato visual, repetição de palavras e ações, impulsividade, entre outros.

Muitas crianças com autismo têm inteligência normal ou superior, mas apresentam dificuldades de organizar as informações. Os pais precisam ser orientados quanto aos diferentes graus no autismo, além de compreender que cada criança é única.

Por isso, em primeiro lugar devem buscar por informações sobre o TEA com profissionais especializados. Além disso, buscar pelas melhores intervenções, que atendam às necessidades específicas de seu filho, dentro do espectro do TEA.

Acompanhamento Psicológico

O acompanhamento psicológico é essencial na orientação no autismo. Os pais e irmãos podem se beneficiar muito do apoio e das orientações do psicólogo, que fornece conhecimento e acolhida, levando-os a construir um diferente olhar sobre o diagnóstico.

O objetivo do acompanhamento psicológico é dar suporte a família, ampliar o olhar sobre a situação e ajudá-los a entender como se comportar diante as crises de seus filhos. Os pais e a família da criança com autismo têm papel fundamental no tratamento dela. 

Dessa forma, devem ser acolhidos e preparados para lidar com as ansiedade e angústias de seu filho. Quanto mais informados estiverem, melhor entenderão o comportamento da criança, as situações que geram estresse e suas maiores necessidades.

Terapia em grupo

Uma boa opção para orientação familiar no autismo é a terapia em grupo. Além de ter contato com outras famílias que enfrentam situações semelhantes, os pais podem falar de seus maiores desafios e serem orientados e acolhidos por essas pessoas.

A terapia em grupo ajuda a família a lidar com os obstáculos que surgem no caminho e com os desafios do tratamento.

Orientação no autismo e escola

A presença dos pais na escola é essencial para o desenvolvimento de seus filhos. No caso do autismo, não é diferente. Pais e professores devem conversar sobre as características das crianças, suas habilidades e dificuldades, para que possam fazer as intervenções adequadas.

O psicopedagogo pode contribuir muito nessa conversa, orientando pais e professores sobre os procedimentos mais indicados para a sua aprendizagem. O trabalho multidisciplinar é fundamental para o tratamento da criança com autismo mas também na orientação familiar.

Informações sobre o TEA

Além do impacto do diagnóstico do autismo, muitos medos surgem devido à falta de informação sobre o espectro. Dessa forma, a busca por informações sobre o transtorno é essencial na orientação familiar.

Isso porque os pais podem compreender melhor as causas e as consequências que podem advir do TEA.  Quanto mais informados, melhor preparados estarão para lidar com suas expectativas quanto ao desenvolvimento e o futuro de seus filhos.

Se restou alguma dúvida sobre a orientação no autismo, deixe nos comentários.

Referências:

GOMES, Paulyane T.M. et al. Autismo no Brasil, desafios familiares e estratégias de superação: revisão sistemática. J. Pediatr. (Rio J.) [online]. 2015, vol.91, n.2 [cited  2020-09-15], pp.111-121.

FAVERO, Maria Ângela Bravo  and  SANTOS, Manoel Antônio dos. Autismo infantil e estresse familiar: uma revisão sistemática da literatura. Psicol. Reflex. Crit. [online]. 2005, vol.18, n.3 [cited  2020-09-15], pp.358-369.

Acompanhamento Terapêutico escolar e autismo

O acompanhamento terapêutico é uma forma de garantir apoio escolar para as crianças com autismo. Saiba mais, neste artigo.

Para colocar em prática a inclusão das crianças com necessidades especiais na escola, muito tem sido feito em busca das melhores metodologias e estratégias. O espectro do autismo é bem amplo e crianças com grau severo têm necessidade de um acompanhante escolar para contribuir com sua inclusão e aprendizagem.

A presença de um acompanhante terapêutico, especialmente nos casos mais graves de autismo, torna-se essencial para o desenvolvimento da criança. Esses profissionais são especializados — podem ser psicólogos, terapeutas ocupacionais ou pedagogos.

Em geral, a criança com autismo recebe um tratamento multidisciplinar, com terapias fora da escola que trabalham no desenvolvimento de habilidades sociais e de aprendizagem. O acompanhante terapêutico trabalha em conjunto com esses profissionais e com a família da criança para traçar as melhores estratégias.

Neste artigo, vamos falar sobre a importância do acompanhamento escolar no autismo. Confira!

A importância do acompanhamento terapêutico no autismo

O trabalho do acompanhante terapêutico consiste em estar próximo da criança, dentro e fora da escola. Contratado pela família, muitas vezes é indicado pelos profissionais que já trabalham com a criança, como terapeutas ocupacionais, psicólogos, médico ou psicopedagogo.

O objetivo do acompanhante terapêutico na escola é integrar a criança com autismo no convívio com os colegas, em primeiro lugar. Além disso, orientá-la nas atividades em sala de aula, garantindo recursos que facilitem a sua compreensão e aprendizagem. 

O acompanhante terapêutico também ajuda os professores a manejar comportamentos inadequados e estimular comportamentos adequados da criança com autismo em sala de aula.

O acompanhante terapêutico

O acompanhante terapêutico é um profissional que contribui muito com o desenvolvimento da criança com autismo na escola. A sua principal função é mediar e facilitar o processo de inclusão da criança, ajudando-a em suas dificuldades, seja de socialização e/ou aprendizagem.

Os acompanhantes terapêuticos fornecem suporte necessário para o bem-estar do aluno com autismo e para seu desenvolvimento pedagógico e social. As intervenções e os objetivos de cada acompanhamento será diferente para cada criança, por isso a importância do trabalho multidisciplinar. 

O acompanhamento escolar no autismo tem um viés pedagógico, terapêutico e educativo. Ele contribui na formulação de estratégias que favoreçam o aprendizado e a permanência da criança com autismo dentro e fora da sala de aula.

A importância do acompanhamento escolar no autismo

O ambiente escolar precisa ser estimulante o suficiente para que a criança com autismo possa se desenvolver. Como ela tem atrasos significativos no desenvolvimento, deve receber os mesmos estímulos que os seus pares, assim como terapias extras para potencializar sua aprendizagem.

Na escola, a criança com autismo precisa participar das atividades com os colegas, dos momentos de interação, da aula de Educação Física, das brincadeiras do intervalo. Da mesma forma, precisa acompanhar as explicações da professora para não acumular atrasos.

Quando a criança com autismo tem um acompanhamento escolar é possível garantir que ela não fique de fora da roda ou isolada na hora de explicações importantes. O acompanhante escolar oferece materiais concretos para uma melhor compreensão do aluno, pois a criança com autismo se beneficia com os recursos visuais.

Outra função importante do acompanhante escolar é manejar comportamentos inadequados em sala de aula, acalmar a criança e redirecionar sua atenção para as atividades. 

Desafios do acompanhamento escolar no autismo

Sabemos que ainda existem muitos desafios para colocar em prática a inclusão escolar e garantir a aprendizagem de todos os alunos. Existem obstáculos no caminho e o acompanhamento terapêutico nas escolas tem sido fundamental para as crianças com autismo mais grave.

O acompanhamento escolar proporciona às crianças condições para desempenhar suas competências educacionais e sociais. No entanto, a presença do acompanhante terapêutico é indicada para crianças com autismo mais severo. Ainda que os demais casos não estejam livres de desafios, o espectro severo do autismo necessita do acompanhamento escolar para contribuir com o processo de aprendizagem.

Agora que você já sabe da importância do acompanhamento terapêutico escolar no autismo, compartilhe este artigo em suas redes e ajude outras pessoas!

Referências:

NASCIMENTO, Verônica Gomes; SILVA, Alan Souza Pereira  e  DAZZANI, Maria Virgínia Machado. Acompanhamento terapêutico escolar e autismo: caminhos para a emergência do sujeito. Estilos clin. [online]. 2015, vol.20, n.3 [citado  2020-09-10], pp. 520-534 .

BERTAZZO, Joise de Brum e Rosanita Moschini. ACOMPANHAMENTO TERAPÊUTICO ESCOLAR: O ATENDIMENTO A ALUNOS COM TRANSTORNOS GLOBAIS DO DESENVOLVIMENTO NAS CLASSES INCLUSIVAS. Disponível em: http://www.ucs.br/etc/conferencias/index.php/anpedsul/9anpedsul/paper/viewFile/1378/686

Autocuidado e habilidades sociais no ABA

O autocuidado e as habilidades sociais no autismo precisam de atenção e estímulos adequados para se desenvolverem. Conheça o método ABA.

As crianças com autismo precisam desenvolver habilidades sociais e de auto cuidado para que possam alcançar mais autonomia. As limitações impostas pelo transtorno devem ser superadas para que as crianças possam melhorar suas relações, consigo, com o outro e com o meio ambiente.

O método ABA — Análise do Comportamento Aplicada — é uma área de conhecimento que parte da análise do comportamento para desenvolver pesquisas e aplicações. As habilidades sociais podem ser desenvolvidas no autismo a partir de tarefas e intervenções baseadas na ABA. Saiba mais, neste artigo.

O Método ABA

Como dissemos, ABA é um campo de investigação que promove pesquisas e aplicações de acordo com a análise do comportamento. Terapeutas que embasam suas intervenções na ABA, têm resultados significativos no desenvolvimento de habilidades sociais e de autocuidado no autismo.

Isso porque, as estratégias visam ensinar comportamentos essenciais para a criança, por partes, respeitando o tempo de aprendizagem de cada etapa. As crianças com autismo se beneficiam dessa prática, pois precisam adquirir habilidades sociais e de autocuidado para aumentar sua independência.

Alguns exemplos comuns de habilidades de autocuidado que a abordagem ABA trabalha são: ir ao banheiro, lavar as mãos, escovar os dentes, fazer refeições, tomar banho, entre outras. 

Conheça algumas estratégias de ensino essenciais que terapeutas e pais podem implementar para trabalhar o autocuidado e as habilidades sociais no autismo.

Estratégias para desenvolver habilidades sociais e autocuidado no autismo

Avalie as habilidades prévias

Antes de esperar que a criança escove os dentes ou faça uma refeição sozinha, é importante avaliar se ela possui habilidades anteriores. Por exemplo, se consegue segurar uma escova de dentes ou se sabe onde encontrar alimentos na cozinha para fazer uma refeição. Caso contrário, é preciso trabalhar essas habilidades primeiro. 

Desenvolva habilidades fundamentais

Se a criança com autismo ainda não desenvolveu algumas habilidades prévias, isso não significa que ela não será capaz de completar uma tarefa de autocuidado com independência. 

No entanto, antes de começar a trabalhar essas habilidades, primeiro é preciso fortalecer os déficits. O aprendizado de habilidades básicas prepara a criança para a próxima etapa. 

Divida as tarefas em etapas menores

Tomar um banho, por mais que pareça uma tarefa simples, requer alguns conhecimentos prévios! A criança precisa saber abrir o chuveiro e colocá-lo em uma temperatura confortável, saber a diferença entre xampu e condicionador, quanto sabonete usar, etc. 

As crianças com autismo precisam de instruções claras e explícitas sobre o que se espera delas. Dessa forma, as tarefas de autocuidado que requerem várias etapas precisam ser divididas e apresentadas de forma direta. 

É importante dar um passo por vez e quando a criança concluir uma etapa, passar para a próxima, até que ela consiga dar todos os passos com independência. 

Comemore suas conquistas

Comemorar cada pequena vitória ao longo do caminho motiva a criança a dar o próximo passo na conquista de habilidades sociais e de autocuidado. As crianças precisam se sentir motivadas para aprender e o incentivo de pais e professores é fundamental.

Os incentivos são uma ótima maneira de motivá-la a querer concluir as tarefas de forma independente. Eles podem ser simbólicos, como ganhar adesivos ou pequenos agrados, acompanhados de elogios e entusiasmo! 

Use suporte visual

Os recursos visuais são muito úteis para mostrar para as crianças com autismo as etapas necessárias para concluir uma tarefa de autocuidado. Ajudam a promover a independência, pois ela não precisa de um adulto que a oriente em cada passo e serve como um estímulo. 

O suporte visual deve ser usado de acordo com a idade da criança e com o seu nível de habilidade de comunicação. Se ela sabe ler, pode ser uma programação escrita, uma lista de tarefas. Se não, horários com fotos são uma ótima opção. 

À medida que a criança com autismo aprende as habilidades sociais e de autocuidado, as intervenções se modificam e passam a exigir menos recursos visuais e apoio dos adultos. O método ABA é eficaz para a aprendizagem dessas habilidades tão essenciais, por isso tão utilizado por profissionais que trabalham com crianças com TEA.

Espero que este artigo tenha te ajudado a conhecer um pouco melhor esse campo de conhecimento e a aprender a aplicá-lo no dia a dia, seja com seu filho ou aluno. Se você gostou, compartilhe este texto em suas redes e ajude outras pessoas!

Referências:

FERNADES, Fernanda Dreux Miranda e Cibelle Albuquerque de la Higuera Amato. Análise de Comportamento Aplicada e Distúrbios do Espectro do Autismo: revisão de literatura. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/codas/v25n3/16.pdf

CAMARGO, Síglia Pimentel Höher, Mandy Rispoli. Análise do comportamento aplicada como intervenção para o autismo: definição, características e pressupostos filosóficos. Disponível em: https://periodicos.ufsm.br/index.php/educacaoespecial/article/view/9694

Como a terapia pode melhorar a interação social no autismo

Entenda a importância da terapia para melhorar a interação social no autismo, neste artigo.

Uma das características mais comuns no Transtorno do Espectro Autista — TEA —  é a dificuldade de interação social. O nível de dificuldade varia muito de caso a caso, podendo ser grave no autismo severo ou nem tanto, nos casos leves e moderados.

No entanto, mesmo no autismo leve a dificuldade de comunicação interfere na interação social na escola, no trabalho e nos relacionamentos. Dessa forma, as terapias são essenciais para desenvolver habilidades e melhorar a qualidade das relações sociais das pessoas com autismo.

As habilidades sociais são as mais afetadas no TEA, mas com as intervenções adequadas, é possível desenvolvê-las. Entenda melhor, neste artigo.

Habilidades sociais afetadas no autismo

Em alguns casos de autismo, as habilidades sociais básicas são muito afetadas. As crianças com TEA podem não fazer contato visual, não responder ao serem chamadas, assim como ter dificuldade em compreender a comunicação não verbal e os signos sociais.

Essas habilidades básicas são ferramentas importantes para a interação social. Ainda que em alguns casos de autismo haja mais interação, podem existir dificuldades na compreensão dos sentimentos do outro e em responder adequadamente. Isso ocorre, pois as pessoas com TEA têm dificuldade em compreender a linguagem corporal.

Essas características do TEA prejudicam a interação e podem levar a problemas sociais e desentendimentos. Isso se reflete na aprendizagem, sendo muito importante que a escola também esteja atenta para desenvolver as habilidades sociais no seu aluno com autismo.

Terapia para melhorar a interação social no autismo

Não existe uma terapia que seja para todos. Cada criança com autismo é única e vai ter necessidades únicas. Terapias com psicólogos, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos e psicopedagogos são essenciais no TEA.

Os profissionais que atendem a criança com autismo irão trabalhar competências de comunicação que influenciam no desenvolvimento das suas habilidades sociais. Uma alternativa eficaz é a ABA (Análise do Comportamento Aplicado), uma abordagem focada no comportamento humano social, muito indicada para o TEA.

O objetivo é ensinar habilidades sociais, estimulando atitudes positivas e dissolvendo comportamentos agressivos e estereotipados. Além disso, ajuda a ampliar a capacidade motora, cognitiva e a linguagem, favorecendo a interação social no autismo.

A importância da terapia para melhorar a interação social no autismo

Terapias como a ABA, ajudam a pessoa com autismo a se relacionar melhor com seus familiares e amigos, aperfeiçoar suas habilidades e a ter mais autonomia na vida.

Além de melhorar a interação social, elas ajudam a tratar outros déficits presentes no transtorno, como ecolalias, estereotipias, maneirismo, agressividade entre outros. Ainda que traços desses comportamentos permaneçam, eles tendem a diminuir com as intervenções.

Como pais e professores podem ajudar a melhorar a interação social no autismo

Além de buscar ajuda de profissionais especializados para realizar as terapias com as crianças com autismo, pais e professores também podem ajudar. É essencial contar como acompanhamento profissional para pensar juntos nas melhores estratégias para cada criança.

As habilidades sociais precisam ser trabalhadas e praticadas em diferentes ambientes e com diversas pessoas. Pais e professores devem estar atentos a não expor a criança com autismo a essas novas situações quando ela estiver estressada — é importante que haja uma preparação.

Dessa forma, sempre que for expor a criança a uma situação social nova, converse com ela antes e incentive-a a buscar soluções. Uma dica para os pais, é fotografar os passeios e depois conversar sobre eles, sobre o que a criança sentiu, buscando fazer associações positivas.

Imitações faciais de sentimentos (tristeza, alegria, etc) ajudam a criança a entender o que cada um deles significa. Os pais podem fazer isso em casa, com seus filhos, em frente ao espelho, incentivando-os a fazer as expressões e falar sobre elas.

Na escola, os livros de história com imagens ajudam a criança com autismo a entender o que escuta. Os professores podem ler para seus alunos e perguntar o que é ela entendeu. Além disso, é preciso lembrar que, como toda criança, ela precisa brincar e aprender as regras.

Jogos e brincadeiras com bola, amarelinha, memória, são boas opções para ensinar regras para a criança com autismo. Assim, elas se tornam mais seguras para interagir com seus colegas e em outras situações sociais.

O mais importante é acreditar na capacidade da criança com autismo de desenvolver suas habilidades sociais. Depois é fornecer a ela as oportunidades para isso e as terapias são fundamentais.

Restou alguma dúvida sobre como a terapia pode melhorar a interação social no autismo? Deixe nos comentários.

Referências:
BOSA, Cleonice Alves. Autismo: intervenções psicoeducacionais. Rev. Bras. Psiquiatr. [online]. 2006, vol.28, suppl.1 [cited  2020-09-03], pp.s47-s53. Available from: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462006000500007&lng=en&nrm=iso>. ISSN 1809-452X.  http://dx.doi.org/10.1590/S1516-44462006000500007.

https://www.autismspeaks.org/social-skills-and-autism

Como é o tratamento de Autismo Severo

O autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por dificuldades na comunicação, socialização e comportamentos repetitivos. Como é um espectro, apresenta diferentes níveis de gravidade: leve, moderado e severo.

No autismo severo, é comum que outros transtornos e condições estejam associados, como deficiência intelectual, epilepsia e outros. Devido a isso, são pessoas extremamente dependentes que precisam de apoio e tratamento multidisciplinar, além de intervenções pedagógicas específicas.

O tratamento de autismo severo é fundamental para que a família possa ter um apoio e a criança possa se desenvolver, ainda que necessite de apoio, provavelmente para o resto da vida. O autismo severo é raro, mas precisamos falar sobre ele e seus tratamentos para dar suporte às famílias de crianças nessa condição.

Pensando nisso, escrevemos este artigo sobre como é o tratamento de autismo severo. Confira!

Autismo severo

O diagnóstico precoce de autismo é essencial para o melhor desenvolvimento das crianças, principalmente no nível 3 — severo.

O Transtorno do Espectro autista é dividido em três níveis:

  • Nível 1 — leve. A pessoa necessita de pouco suporte, tem dificuldades na comunicação, mas sem que isto limite sua interação social. Problemas de organização e planejamento podem prejudicar a independência.
  • Nível 2 — moderado. O grau de autismo moderado apresenta déficits nas habilidades de comunicação verbais e não verbais, mas com menos intensidade do que o nível 3 (severo). Devido às dificuldades de linguagem, necessitam de suporte para o aprendizado e interação social.
  • Nível 3 — severo. As pessoas com grau severo de autismo precisam de ainda mais suporte, pois apresentam déficits de comunicação graves. Também têm muita dificuldade nas interações sociais e capacidade cognitiva prejudicada. Tendem ao isolamento social e podem apresentar alta inflexibilidade de comportamento.

As pessoas com autismo severo precisam de muito apoio, muita terapia, de acompanhante terapêutico para fazer as coisas fora de casa e na escola. Isso tudo para funcionar de uma maneira ainda muito limitada.

Elas precisam de ajuda porque são dependentes, principalmente para realizar as atividades da vida diária, como ir sozinha ao banheiro, conseguir ser autônoma para comer e para os cuidados básicos de higiene.

As pessoas com autismo severo precisam de apoio para tudo, por isso a severidade do espectro. O que caracteriza uma pessoa com autismo severo é o quanto ela precisa de ajuda, de apoio, para fazer as coisas, o quanto é dependente de outras pessoas.

As crianças com autismo severo costumam se isolar e têm muita dificuldade de flexibilidade mental, gostam de ficar sozinhas e detestam interferências que podem desorganizar. Geralmente, têm um atraso cognitivo e alto um nível de comprometimento em deficiência intelectual, ou seja, atraso mental.

Tratamento do autismo severo

O tratamento no autismo severo tem o objetivo de tentar fazer com que essas crianças, através de um tratamento intensivo, consigam migrar para um nível moderado ou dependendo da condição cognitiva, para o nível leve.

No entanto, nem sempre isso é possível. Muitas vezes, as crianças precisarão de apoio e acompanhamento próximo por toda a vida. 

Como é o tratamento de autismo severo

Não existe cura para o Transtorno do Espectro Autista e não existe um tratamento que sirva para todos. O objetivo do tratamento no autismo severo é maximizar a capacidade de funcionamento da criança, reduzindo os sintomas e apoiando o desenvolvimento e a aprendizagem. 

A variedade de tratamentos e intervenções para o transtorno do espectro do autismo pode confundir os pais, por isso é importante contar com o apoio do médico e outros profissionais para entender qual é o mais adequado para cada criança.

As opções de tratamento incluem:

Terapias diversas

Muitos programas abordam a variedade de dificuldades sociais, de linguagem e comportamentais associadas ao Transtorno do Espectro Autista. Alguns se concentram na redução de comportamentos agressivos — comuns no autismo severo —  e no ensino de novas habilidades. 

Outros programas se concentram em ensinar as crianças como agir em situações sociais ou se comunicar melhor com outras pessoas. A análise de comportamento aplicada (ABA) pode ajudar as crianças a aprender novas habilidades, através de um sistema de motivação baseado em recompensa.

Acompanhamento psicopedagógico

Crianças com Transtorno do Espectro Autista costumam responder bem a programas educacionais altamente estruturados. Os programas bem-sucedidos geralmente incluem uma equipe de especialistas e uma variedade de atividades para melhorar as habilidades sociais, a comunicação e o comportamento. 

Crianças em idade pré-escolar que recebem intervenções pedagógicas individualizadas e intensivas geralmente apresentam bom progresso. No entanto, no autismo severo esse desenvolvimento pode ser lento e até parcial, cada melhora e conquista é importante para a criança nessa condição.

Terapias familiares

Os pais e outros membros da família podem aprender a brincar e interagir com seus filhos de maneiras que promovam habilidades de interação social, administrem problemas de comportamento e ensinem habilidades de vida diária e comunicação.

Outras terapias

Dependendo das necessidades do seu filho, a fonoaudiologia é indicada para melhorar as habilidades de comunicação, a terapia ocupacional para ensinar as atividades da vida diária e a fisioterapia para melhorar os movimentos e o equilíbrio. 

Medicamentos

Nenhum medicamento pode melhorar os sinais essenciais do Transtorno do Espectro Autista, mas medicamentos específicos podem ajudar a controlar os sintomas, principalmente no autismo severo. 

Certos medicamentos podem ser prescritos em caso de hiperatividade; para tratar problemas comportamentais graves e a ansiedade. 

O melhor tratamento de autismo severo é aquele que considera as necessidades e potencialidades de cada criança. Ainda que possam precisar de apoio constante, muitos sintomas podem ser amenizados, proporcionando uma melhor qualidade de vida para as pessoas nessa condição.

Compartilhe este artigo e ajude outras famílias a saber mais sobre como é o tratamento de autismo severo.

Referências:

NIKOLOV, Roumen; JONKER, Jacob  and  SCAHILL, Lawrence. Autismo: tratamentos psicofarmacológicos e áreas de interesse para desenvolvimentos futuros. Rev. Bras. Psiquiatr. [online]. 2006, vol.28, suppl.1 [cited  2020-08-27], pp.s39-s46. Available from: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462006000500006&lng=en&nrm=iso>. ISSN 1809-452X.  https://doi.org/10.1590/S1516-44462006000500006.

GADIA, Carlos A.; TUCHMAN, Roberto  and  ROTTA, Newra T.. Autismo e doenças invasivas de desenvolvimento. J. Pediatr. (Rio J.) [online]. 2004, vol.80, n.2, suppl. [cited  2020-08-27], pp.83-94. Available from: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572004000300011&lng=en&nrm=iso>. ISSN 1678-4782.  https://doi.org/10.1590/S0021-75572004000300011.

Diagnóstico tardio do autismo afeta a qualidade de vida

Os sinais do transtorno do espectro do autismo surgem na primeira infância. O diagnóstico tardio afeta o desenvolvimento de habilidades sociais e cognitivas da criança. Entenda melhor, neste artigo.

Os sintomas do TEA variam muito, mas alguns sinais como a falta de contato visual, atrasos na fala e na linguagem, entre outros, devem ser considerados pelos pais.

Ainda que esses sintomas não sejam suficientes para o diagnóstico de autismo, a presença desses comportamentos são sinais de alerta. Sabemos que é muito difícil para os pais aceitaram essa condição em seus filhos.

No entanto, o diagnóstico precoce é fundamental para que a criança receba as intervenções e tratamentos adequados. Uma equipe multidisciplinar é essencial para detectar a presença do TEA, assim como para atender as crianças com TEA.

As dificuldades no diagnóstico do autismo

É muito importante que as crianças com autismo recebam tratamento precoce para que possam desenvolver habilidades sociais e cognitivas. No entanto, a dificuldade em realizar precocemente o diagnóstico, faz com que ele só ocorra tardiamente, em muitos casos.

O diagnóstico tardio acontece, pois, muitas vezes, a criança recebe outros diagnósticos antes do autismo ser detectado. Muitas são diagnosticadas com TDAH, por exemplo, ou com problemas de processamento sensorial. Assim, o autismo não é detectado até que as demandas da escola e das situações sociais aumentem. 

Essas avaliações iniciais não são necessariamente imprecisas, pois se estima que 30 a 40% das crianças com transtorno do espectro do autismo também tenham TDAH. Da mesma forma, os desafios de processamento sensorial são comuns em crianças com autismo, sendo considerados um sintoma do transtorno. 

No entanto, esses diagnósticos equivocados podem atrasar o diagnóstico de autismo. Enquanto as crianças receberem tratamento para TDAH ou para problemas de processamento sensorial, estarão deixando de fazer terapias que têm um impacto muito maior em suas vidas.

Dessa forma, o diagnóstico precoce é o que vai permitir que as crianças recebam tratamento adequado, ainda na primeira infância.

A importância do diagnóstico correto

Muitas vezes, os diagnósticos são equivocados, pois os sintomas podem confundir os médicos. É muito comum que as crianças que receberam um diagnóstico de TDAH, mais tarde sejam diagnosticadas com o TEA.

O foco precoce em problemas sensoriais, embora possa ajudar algumas crianças, pode atrasar o diagnóstico de autismo. Elas se enquadram no espectro do autismo, mas recebem terapias inadequadas, por terem recebido outros diagnósticos.

Diagnóstico tardio do autismo

Existem várias razões pelas quais as avaliações iniciais da criança não resultam em um diagnóstico de autismo. Tanto os médicos quanto os pais gravitam em torno do diagnóstico com o melhor prognóstico. É compreensível, já que os médicos querem um certo nível de certeza antes de entregar um diagnóstico fechado de TEA. 

Portanto, a abordagem inicial costuma ser tratar o que é tratável e depois reavaliar. Por exemplo, tratar os sintomas como TDAH primeiro e acompanhar o desenvolvimento da criança.

Os pediatras querem dar uma chance ao desenvolvimento, uma vez que as crianças se desenvolvem em ritmos diferentes. Assim, os médicos tendem a tranquilizar os pais, desconsiderando sinais importantes que indicam a presença do TEA.

O diagnóstico do autismo não é simples, requer avaliações com diferentes especialistas e entrevistas estruturadas com os pais sobre os sintomas atuais e passados da criança. Dessa forma, o TDAH associado ao autismo pode ser confundido com um TDAH grave, pois sintomas dos dois transtornos podem ser muito semelhantes, a princípio.

O autismo é um espectro, com uma ampla gama de comportamentos. Muitas vezes, seus sintomas variados levam ao diagnóstico tardio do autismo.

Problemas sensoriais costumam ser detectados na pré-escola e, de fato, podem estar causando sofrimento à criança, mas geralmente não são o quadro completo. Quando o processamento sensorial se torna o foco principal ou único, a criança perde um tempo valioso de tratamento.

Os pais que enxergam sinais de autismo em seus filhos, devem buscar uma avaliação completa, feita por um profissional experiente no diagnóstico do TEA. Da mesma forma, professores também devem estar atentos aos sinais em seus alunos.

A conversa entre escola e família é fundamental para olhar cada criança atentamente e diante de dúvidas, procurar um especialista. Dessa forma, caso seja realizado o diagnóstico de autismo, a qualidade de vida da criança pode ser melhor cuidada.

Compartilhe este artigo em suas redes sociais e ajude outras famílias a compreenderem como o diagnóstico tardio no autismo afeta a qualidade de vida das crianças.

Referências:

PINTO, Rayssa Naftaly Muniz et al. Autismo infantil: impacto do diagnóstico e repercussões nas relações familiares. Rev. Gaúcha Enferm. [online]. 2016, vol.37, n.3 [cited  2020-08-25], e61572. Available from: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1983-14472016000300413&lng=en&nrm=iso>.  Epub Oct 03, 2016. ISSN 1983-1447.  https://doi.org/10.1590/1983-1447.2016.03.61572.

http://www.sagolcenter.org.il/wp-content/uploads/2014/07/Davidovitch-et-al.-2015-1.pdf

O que diferencia o grau de autismo?

O Transtorno do Espectro Autista tem uma ampla variedade de severidade dos sintomas. O que diferencia o grau do autismo é o nível de dependência e a necessidade de suporte. Saiba mais.

Até 2013, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) classificava os tipos de autismo em: transtorno autista; síndrome de Asperger; transtorno invasivo do desenvolvimento não especificado e transtorno desintegrativo da infância. Hoje, todos fazem parte de um único diagnóstico, o Transtorno do Espectro Autista (TEA).

No entanto, a terminologia anterior não foi completamente eliminada e alguns médicos ainda fazem o diagnóstico com base nela, o que pode ser confuso. Neste artigo, vamos falar dos diferentes graus de autismo, baseado nas informações atuais do DSM-V. Confira!

Quais são os sintomas do autismo?

Os sintomas mais comuns do autismo envolvem dificuldades de comunicação e interação social. As habilidades de aprendizado, raciocínio e resolução de problemas também são afetadas. A presença de deficiência intelectual é muito comum no autismo(50%) ainda que altas habilidades também possam estar presentes no espectro (5–10%).

Cada indivíduo é único — enquanto algumas pessoas com autismo apresentam sintomas graves, outras apresentam um grau leve ou moderado. Dessa forma, é importante que os  pais e professores fiquem atentos aos sinais de autismo. São eles:

  • a criança não responde quando chamam seu nome;
  • evita o contato visual;
  • não compartilha objetos;
  • não gosta de contato físico;
  • não aponta;
  • repete palavras ou frases;
  • realiza movimentos repetitivos;
  • dificuldade de expressar necessidades;
  • brinca sozinha;
  • dificuldade de adaptação à mudança;
  • hipersensibilidade ao som, cheiro, sabor, visão ou toque;
  • necessidade de organização ou comportamento rígido;
  • fala e habilidades de linguagem atrasada;
  • perda de habilidades aprendidas anteriormente;
  • dificuldade em ler a linguagem corporal, expressões faciais e outras pistas sociais;
  • não entende sarcasmo, provocação ou figuras de linguagem;
  • fala em tom monótono;
  • dificuldade em se relacionar.

Tipos de autismo 

Embora a diferenciação dos tipos de autismo não seja mais tão usada hoje, é bom entender do que se trata. No entanto, quando o autismo é classificado por tipos, o diagnóstico se torna mais complicado, pois as diferenças entre eles podem não ser nítidas.

O diagnóstico único de TEA tira a ênfase da categorização e a coloca na intervenção precoce e no acesso a serviços essenciais. No entanto, é preciso conhecer os tipos de autismo, pois muitos diagnósticos foram realizados antes de 2015. São eles:

Síndrome de Asperger

A síndrome de Asperger está na extremidade leve do espectro. Pessoas com Asperger são consideradas de alto funcionamento, com inteligência normal a acima da média. 

Os sinais e sintomas incluem: prejuízo na interação social; dificuldade em ler expressões faciais, linguagem corporal e dicas sociais; não compreender ironia, metáfora ou humor; falta de contato visual e comportamentos repetitivos. 

Transtorno invasivo do desenvolvimento

Esse diagnóstico era dado quando um transtorno do desenvolvimento não atendia aos critérios para autismo, síndrome de Asperger, síndrome de Rett ou transtorno desintegrativo infantil. Também chamado de “autismo atípico”.

Os sinais incluem: déficits no comportamento social, fala e linguagem mal desenvolvidas, dificuldade em aceitar a mudança, comportamentos repetitivos, entre outros.

Transtorno autista

O transtorno autista estava na extremidade grave do espectro, com os seguintes sintomas: dificuldade na interação social, problemas de comunicação, comportamentos repetitivos, distúrbios de sono e alimentação, entre outros.

Crianças no extremo do espectro preferem brincar sozinhas, têm pouco ou nenhum interesse pelos outros, nem pelo mundo exterior e necessitam de um alto nível de suporte.

Transtorno desintegrativo infantil

Uma criança com esse transtorno atinge marcos de desenvolvimento normais nos primeiros anos. Depois disso, há um rápido declínio nas habilidades de linguagem e comunicação, sociais, de autocuidado e motoras. O transtorno desintegrativo da infância estava na extremidade grave do espectro.

Porque essa terminologia não é mais usada por médicos?

O espectro aborda uma ampla gama de atrasos no desenvolvimento e gravidade dos sintomas. O TEA inclui pessoas com traços de autismo leve, moderado e severo, englobando todos os níveis de inteligência e vários graus de comunicação e habilidades sociais.

As diferenças entre um grau e outro podem ser sutis e difíceis de identificar. No entanto, o diagnóstico ajuda a definir as melhores intervenções, considerando as necessidades individuais.

Quais as diferenças entre os graus de autismo?

Segundo o DSM-V, o grau de autismo é medido pela gravidade do comprometimento. A maioria das pessoas com TEA têm algum nível de deficiência intelectual e o grau varia de leve(nível 1) à severo(nível 3), passando pelo moderado(nível 2).

Grau leve (nível 1)

Nesse grau de autismo, a pessoa necessita de pouco suporte, tem dificuldades na comunicação, mas sem que isto limite sua interação social. Problemas de organização e planejamento podem prejudicar a independência.

Grau moderado (nível 2)

O grau de autismo moderado apresenta déficits nas habilidades de comunicação verbais e não verbais, mas com menos intensidade do que o nível 3 (severo). Devido às dificuldades de linguagem, necessitam de suporte para o aprendizado e interação social.

Grau severo(nível 3)

As pessoas com grau severo de autismo precisam de ainda mais suporte, pois apresentam déficits de comunicação graves. Também têm muita dificuldade nas interações sociais e capacidade cognitiva prejudicada. Tendem ao isolamento social e podem apresentar alta inflexibilidade de comportamento.

Como é feito o diagnóstico de autismo?

Não há um teste para diagnosticar o TEA. O diagnóstico é feito pela avaliação comportamental da criança e conversas com pais e cuidadores. A intervenção precoce está associada a efeitos positivos de longo prazo, portanto o diagnóstico precoce favorece o desenvolvimento da criança.

Agora que você já sabe o que diferencia o grau de autismo, compartilhe este artigo em suas redes sociais e ajude outras famílias!

Referências:

SILVA, Micheline  e  MULICK, James A.. Diagnosticando o transtorno autista: aspectos fundamentais e considerações práticas. Psicol. cienc. prof. [online]. 2009, vol.29, n.1 [citado  2020-08-20], pp. 116-131 . Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98932009000100010&lng=pt&nrm=iso>. ISSN 1414-9893.

OLIVEIRA, Karina Griesi e SERTIÉ, Andréa Laurato.Transtornos do espectro autista: um guia atualizado para aconselhamento genético. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/eins/v15n2/pt_1679-4508-eins-15-02-0233.pdf

Ferramentas para alfabetização de crianças com TEA

A alfabetização no TEA é um desafio para pais e professores. No entanto, é possível criar estratégias e propor atividades que considerem as características do espectro. Saiba mais, neste artigo. 

É importante ressaltar que não existe uma metodologia específica para alfabetizar crianças com autismo. Os professores devem criar estratégias que envolvam toda a classe, ainda que algumas atividades possam ser adaptadas para o aluno com TEA.

As crianças com autismo não devem ser excluídas de experiências ricas e significativas de alfabetização, como ler e escrever histórias, clubes de livros, teatro, discussões em grupos, entre outras. 

Para fornecer oportunidades de alfabetização para todos os alunos, os professores precisam deixar de lado suposições sobre o espectro e ver todos os alunos como aprendizes. 

Veja, neste artigo, algumas ideias de ferramentas para alfabetização no TEA, dentro do ponto de vista inclusivo.

Ideias de atividades para alfabetização no TEA

As ideias de ferramentas para alfabetização no TEA propostas a seguir, podem ser um ponto de partida para a criação de aulas atraentes e desafiadoras para todos os alunos em uma sala de aula inclusiva. Confira!

Use recursos visuais

Embora os alunos com autismo possam se beneficiar da instrução verbal, o uso de recursos visuais ajuda na compreensão das atividades. Os professores podem usá-los ao transmitir um novo conteúdo, informar a rotina do dia e ao explicar o que os alunos devem fazer nas atividades propostas. 

As imagens não são a única forma de recurso visual, embora sejam muito eficazes para se comunicar com os alunos com autismo. A palavra escrita também pode ser usada como suporte visual. Por exemplo, quando o professor der uma instrução verbal, pode anotá-la no quadro, com letras grandes.

Muitos alunos com autismo compreendem melhor o texto escrito do que a fala.

Planeje as formas de instrução 

Ao planejar o conteúdo que será trabalhado em sala de aula, o professor deve pensar como vai dar as instruções para o aluno com autismo. É muito importante também buscar oportunidades no dia-a-dia que possam contribuir com o processo de alfabetização de seus alunos. 

Criar estratégias para que o aluno com autismo compreenda o que precisa fazer é mais eficaz do que criar atividades específicas para ele, distanciando-o da turma. É claro, que isso pode ser necessário em algum momento, mas é muito importante que a criança com autismo seja integrada nas atividades com a turma.

Leia em voz alta

A leitura faz parte do dia-a-dia na escola, principalmente no processo de alfabetização. Incluir alunos com autismo nesta atividade é promover a sua aprendizagem. Ler em voz alta, alternando o tom de voz e expressando as emoções dos personagens ajuda a criança com autismo a compreender o contexto.

Ler em voz alta para os alunos ajuda no processo de alfabetização e as crianças com autismo têm a oportunidade de aprender mais sobre linguagem e interação social. Isso porque elas têm dificuldade para decifrar emoções e compreender o contexto global.

Ofereça vários textos

Ter uma variedade de textos disponíveis e investigar quais os alunos com autismo mais se identificam, ajuda o professor a conhecer seus interesses. Por isso é importante oferecer diferentes formatos de textos — livros, jornais, revistas — que podem ficar disponíveis em sala de aula, em um canto da leitura, por exemplo.

Use jogos e brincadeiras

Nada melhor do que aprender brincando, não é mesmo? Existe uma variedade de jogos educativos que podem e devem ser usados no processo de alfabetização. Além de promover a interação social eles ajudam a criança com autismo a manter o foco e a atenção.

Promova a estimulação sensorial

Atividades que envolvem música, rimas são excelentes para desenvolver a consciência fonológica no processo de alfabetização. Da mesma forma, faça atividades com tintas e objetos reciclados, massinha, areia, entre outros materiais que podem ser usados para incentivar a escrita.

Considerar as dificuldades, mas também as habilidades dos alunos com autismo em sala de aula, é promover uma alfabetização inclusiva. Quando os professores conhecem as características comuns no espectro e conhecem seu aluno, fica muito mais fácil planejar atividades para alfabetização no TEA.

Dessa forma, as crianças com autismo têm a oportunidade de desenvolver suas habilidades, a partir de experiências de aprendizagem que atendam às suas necessidades.

Conhece mais dicas de ferramentas para alfabetização no TEA? Deixe nos comentários e contribua com a discussão!

Referências:

BARBERINI, Karize Younes. A escolarização do autista no ensino regular e as práticas pedagógicas. Cad. Pós-Grad. Distúrb. Desenvolv. [online]. 2016, vol.16, n.1 [citado  2020-08-19], pp. 46-55 . Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1519-03072016000100006&lng=pt&nrm=iso>. ISSN 1519-0307.

http://naescola.eduqa.me/wp-content/uploads/2015/09/atividade-autismo.pdf

Autismo e Dislexia: é comum criança com mais de um distúrbio?

É comum que as crianças com Transtornos do Espectro Autista — TEA —  tenham mais risco de ter outras condições associadas. Neste artigo, vamos falar sobre autismo e dislexia.

Os transtornos mais comuns no autismo são: dislexia e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Além destes, as crianças com TEA podem ter epilepsia, deficiência auditiva, ansiedade, depressão e outras condições associadas. 

Quando ocorre essa sobreposição de distúrbios, dizemos que há uma “comorbidade”, que pode levar a dificuldades maiores de aprendizagem. O termo comorbidade, significa um diagnóstico duplo ou múltiplos diagnósticos. 

No TEA, as habilidades cognitivas, de linguagem, sociais e de comunicações são prejudicadas. Já a dislexia é um transtorno de aprendizagem que afeta as habilidades de leitura e ortografia. Crianças com autismo podem ter dislexia e hoje vamos falar sobre essa comorbidade.

Diferenças entre Autismo e Dislexia

Embora as crianças com autismo ou dislexia apresentam dificuldades semelhantes na escrita e leitura, os padrões cognitivos, perceptivos e de memória são diferentes. A dislexia é um transtorno de aprendizagem e o autismo um transtorno de neurodesenvolvimento.

No autismo, é comum a dificuldade de compreensão na leitura e os professores devem buscar metodologias que facilitem essa compreensão. No entanto, algumas crianças com autismo apresentam dislexia enquanto outras, podem apresentar hiperlexia — capacidade de ler precocemente. 

Na dislexia, as crianças têm dificuldade no reconhecimento e na decodificação das palavras, com comprometimento na consciência fonológica. Dessa forma, os alunos podem apresentar inversão de letras, lentidão para ler e escrever e dificuldade para memorizar. 

Saiba mais sobre a dislexia.

O que é Dislexia? 

A dislexia é um transtorno de aprendizagem que afeta as habilidades de leitura e ortografia. A criança com dislexia tem dificuldade para decodificar símbolos e associar o som à letra. Isso leva a dificuldades na leitura, na escrita, na interpretação de texto e de símbolos matemáticos.

A causa do transtorno é neurobiológica, genética hereditária e não está relacionada a falta de inteligência. As crianças disléxicas apenas apresentam um funcionamento diferente e devem ter suas habilidades ressaltadas e as dificuldades consideradas nas estratégias pedagógicas.

Além dessas características, as crianças disléxicas podem apresentar dificuldades de processamento visual e auditivo, semelhantes à hipersensibilidade ou hipossensibilidade frequentemente associadas ao TEA. 

Autismo e dislexia

Como o próprio nome diz, o espectro do autismo é amplo e a intensidade dos sintomas varia muito. A criança com autismo pode ter dislexia. Nesse caso, deve receber tratamentos adequados que respeitem sua individualidade e que visem a superação de suas dificuldades na alfabetização.

Confirmar o diagnóstico de dislexia no TEA é importante — ainda que não seja simples — para se pensar nas melhores estratégias e tratamentos. Pais e professores podem ficar atentos aos erros que a criança apresenta na leitura quando começa a alfabetização.

Caso identifiquem sinais de dislexia, podem procurar um psicólogo ou psicopedagogo que irão realizar testes para realizar o diagnóstico. Lembrando que é normal que as crianças confundam as letras quando estão aprendendo a ler e escrever. Por isso, é a partir dos 8 anos que o diagnóstico de dislexia pode ser fechado.

Embora as crianças com autismo e dislexia tenham dificuldades para aprender a ler e escrever, isso não significa que não são capazes. Tudo que precisam são dos métodos adequados para que tenham sucesso no processo de alfabetização.

Vale lembrar, que as pessoas com autismo e dislexia podem ter outras habilidades surpreendentes e isso deve ser sempre ser valorizado e integrado ao planejamento pedagógico. Quanto mais as crianças forem estimuladas, mais capacidade terão de superar suas dificuldades de aprendizagem.

O número de crianças com autismo e dislexia não é grande, segundo pesquisas. Ainda assim, outros transtornos como dispraxia e discalculia podem estar presente quando as duas condições estão associadas. 

Autismo e dislexia na vida adulta

Se as crianças com autismo e dislexia recebem tratamento adequado e se alfabetizam através de estratégias adequadas, têm grandes chances de superar suas dificuldades de leitura e de comunicação.

Dessa forma, na alfabetização, é importante que a consciência fonológica seja trabalhada, onde as crianças tenham oportunidade de praticar a pronúncia das sílabas e perceber os seus sons diferenciados.

Essa estratégia permite que a pessoa com dislexia aperfeiçoe sua capacidade de leitura, melhorando a auto estima e a interação social. Tudo isso impacta na vida adulta e ajuda com que a criança se torne um adulto capaz de superar suas dificuldades. 

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Referências:

https://doi.org/10.1590/0102-311X00109917
https://blog.rhemaeducacao.com.br/dislexia-e-tea-quando-eles-estao-associados/