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Como é a terapia focada em esquemas de Jeffrey Young

Muitas pessoas que apresentam transtornos psiquiátricos e psicológicos não respondem às abordagens clássicas de tratamento. A terapia focada em esquemas, de Young, é uma opção para esses casos. Entenda melhor.
O psicólogo Jeffrey E. Young desenvolveu a terapia focada em esquemas a partir das demandas que enfrentava diariamente em sua clínica. Os esquemas de Young abordam várias linhas e escolas, como a comportamental e a Gestalt, com conceitos de psicanálise e do construtivismo. Ela se mostra muito eficaz no tratamento de transtornos psicológicos crônicos que não respondem bem a outras terapias.
Young, na busca de um tratamento efetivo para superação desse problema, entendeu que a terapia cognitiva tradicional era limitada para tratar alguns transtornos. Assim, sistematizou a terapia focada em esquemas, um modelo integrativo de terapia clínica que atende melhor a complexidade humana. Saiba mais neste artigo.

Os esquemas de Young

A terapia de Young tem uma abordagem integrativa e estratégias que vão além do tratamento cognitivo de Aaron T. Beck. Isso porque o seu foco é um nível de cognição mais profundo, que ele chamou de Esquema Inicial Desadaptativo (EID).
Segundo Young, desenvolvemos estruturas estáveis de pensamento e comportamento desadaptativo que se cristalizam muito cedo na vida e que estão associadas a psicopatologias. Para superar isso, é preciso mudar esses comportamentos e esquemas passados. 

Esquema Inicial Desadaptativo

Os Esquemas Iniciais Desadaptativos são padrões emocionais e cognitivos que interferem na interação social da pessoa e moldam sua personalidade. Os esquemas disfuncionais levam a consolidação de comportamentos prejudiciais.
Young construiu um questionário para identificar esses esquemas, oferecendo uma teoria simples e compreensível para os pacientes. O questionário avalia 15 esquemas iniciais desadaptativos, reunidos em 5 grupos, a saber:
Desconexão e rejeição — avaliação de 5 esquemas que estariam ligados ao sentimento de frustração: privação emocional, abandono, desconfiança/abuso, isolamento social e defectividade/vergonha.
Autonomia e desempenho prejudicados — avaliação de sentimentos de incapacidade de conquista da autonomia: fracasso, dependência/incompetência, vulnerabilidade a dores e doenças, emaranhamento.
Limites prejudicados — deficiência nos limites internos, dificuldade em respeitar o direito do outro e de concretizar objetivos. Esquemas associados: merecimento e autocontrole/autodisciplina insuficientes.
Orientação para o outro — foco excessivo nos desejos e sentimentos do outro em busca de receber amor e aprovação, deixando suas necessidades em segundo plano. Esquemas: subjugação e auto-sacrifício.
Supervigilância e inibição — bloqueio da felicidade, supressão dos sentimentos, rigidez. Esquemas: Inibição emocional e padrões inflexíveis.

Como é a terapia de Young

A terapia focada em esquemas é integrativa com uma base mais emocional e afetiva do que a terapia cognitivo-comportamental. O seu foco é buscar esquemas disfuncionais estabelecidos na infância, trabalhando o senso de identidade, a capacidade de autocontrole, a comunicação, a autonomia e o senso de competência do paciente.
Os esquemas de Young se baseiam em dois pilares: identificar os esquemas comportamentais e o estilo de enfrentamento.
O esquema é um padrão que determina comportamentos e pensamentos que podem ser desconfortáveis e causar sofrimento. Para Young, é muito importante entender as primeiras experiências de vida e a personalidade da pessoa para detectar os esquemas originais.
Eles são causados por experiências traumáticas que impossibilitaram a pessoa de ter suas necessidades emocionais atendidas. Tais necessidades seriam: segurança, proteção, autonomia, liberdade para se expressar, limites e autocontrole. Ainda que não tenham havido traumas, esses esquemas de padrão de comportamento são sofridos e prejudiciais.
A partir do entendimento dos próprios esquemas, é possível buscar outro modo de enfrentar os desafios diários. Young descreveu 4 estilos de problemas de enfrentamento:

  1. Evitação: fugir das responsabilidades.
  2. Abandono: sentimento de incapacidade e impotência diante os desafios da vida.
  3. Contra-ataque: reage com violência as circunstâncias.
  4. Defeituosidade: sentimento de ser defeituoso, inadequado.

Esses comportamentos desadaptativos se formam para responder aos esquemas, mas não fazem parte deles. Um esquema desadaptativo é causado por padrões emocionais e cognitivos, levando a essas respostas desadaptativas.
Na terapia de Young, ao identificar os esquemas, eles poderão ser trabalhados com intervenções específicas para reduzir os sintomas.

Para quem é a  terapia focada em esquemas

Agora você deve estar se perguntando quem pode se beneficiar com os esquemas de Young. A terapia focada em esquemas é eficaz para pessoas com transtornos de ansiedade, do humor e transtornos dissociativos.
Além disso, o próprio Young defende que a terapia pode beneficiar outras pessoas, que não têm transtornos, mas dificuldade em expor seus sentimento e emoções. Essas pessoas têm bloqueios e negações que as impedem de se manifestar livremente. Os esquemas de Young podem ser muito úteis também nesses casos. 
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Referências:
CAZASSA, Milton José; OLIVEIRA, Margareth da Silva. Terapia focada em esquemas: conceituação e pesquisas. Rev. psiquiatr. clín.,  São Paulo ,  v. 35, n. 5, p. 187-195,    2008

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