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Como saber se a criança tem TOD ou se é apenas imatura?

O dilema de muitos pais, mães, professores e até terapeutas para lidar com crianças agressivas, irritadas e desobedientes pode significar uma dor de cabeça para todos. Enquanto boa parte enxerga esse comportamento inadequado como falta de educação dos pequenos, outra parcela sabe que o motivo de tal rebeldia vai além de impressões, muitas vezes sem fundamentos. Para evidenciar mais, a origem dessa característica tem possibilidade de ser transtorno opositivo desafiador ou TOD.
O fato de estar por dentro do que realmente se trata é importante; afinal, quanto mais cedo procurar auxílio profissional, mais eficazes os tratamentos disponibilizados podem ser. Porém, antes devemos relembrar aos leitores o que é exatamente o transtorno opositivo desafiador. Vale dizer que TOD e imaturidade são coisas distintas e não devem ser colocadas no mesmo pacote.

O que é o transtorno opositivo desafiador?

O TOD pode ser caracterizado como uma condição na qual a criança adota uma postura de teimosia frequente, além de hostilidade e lado desafiador (como o nome já mostra). Interessante ressaltar que não existe na literatura médica algo que mostre sua causa, mas sabe-se que o ambiente a qual o pequeno está inserido pode ser crucial para influenciá-lo.
É válido dizer que a maioria das pessoas costuma pensar no fato de a criança já nascer com os sintomas do TOD. O que muitas famílias não sabem ainda é que aspectos neurobiológicos podem causar o transtorno.
Uma dica é saber que os comportamentos identificados no TOD não devem ser considerados normais, ou seja, se a criança manifesta um, dois ou mais características dos aspectos citados anteriormente (desobediência, irritabilidade e agressões gratuitas). É preciso investigar, mas, para isso, somente profissionais são capazes de certificar a existência do transtorno opositivo desafiador.

Existem exames para identificar TOD?

Ao longo dos anos, várias pesquisas foram realizadas por estudiosos de diversos países. Muitos são enfáticos quando afirmam que não existem exames médicos capazes de indicar a prevalência do TOD na vida do pequeno.
A impossibilidade de haver um exame que facilite a existência do TOD, ligado ao fato de o transtorno também não apresentar nenhum sinal físico, obriga o profissional a conhecer as técnicas clínicas e observacionais; esse caminho é o único que favorece a identificação do TOD.

Por que todos os profissionais devem conhecer as técnicas?

O problema é que muitos terapeutas ainda não foram apresentados à maneira mais indicada de obter tais técnicas. Somente com essa prática (clínica e observacional), os profissionais podem direcionar com segurança aquelas ações que visam às intervenções adequadas para os pacientes.
Além disso, o fato de os profissionais conhecerem quais caminhos devem ser tomados significa um ponto a mais na busca por um olhar multidisciplinar, tal qual é exigido pelo tratamento.

É possível saber se a criança é imatura ou tem TOD?

A partir dos sintomas identificados é possível saber se o pequeno age sob uma provável imaturidade ou pela existência do transtorno opositivo desafiador. De fato, não é uma tarefa fácil, tendo em vista que alguns sinais podem ser facilmente confundidos.
Há alguns comportamentos que são possíveis de serem percebidos quando se trata de TOD. Vejam abaixo quais são eles:
– Discussões diárias com pais, colegas de sala e professores;
– Hostilidade com tudo e todos;
– Pessimismo;
– Comportamento vingativo;
– Ataques de fúria;
– Predominância de agressividade;
– Outros.
A imaturidade está intrinsecamente ligada a um quadro de desobediência e é justamente nesse aspecto que as diferenças ficam evidentes entre o ser imaturo e o TOD. A distinção entre a desobediência e o TOD está na intensidade, uma vez que a primeira situação ocorre em determinados momentos e a segunda em praticamente todos.

Vale ressaltar uma situação: quando a criança não respeita as ordens e insiste em continuar fazendo aquilo que pais ou professores pedem para não fazer, seja por simples teimosia ou pirraça, constitui-se uma desobediência. Isso é algo comum em crianças e adolescentes. Nada como uma conversa ou uma advertência mais séria (reiterando: nada de agressões físicas ou verbais) para que os pequenos passem a refletir sobre suas atitudes. Todos podem ter, ao longo da infância, uma fase de desobediência e isso passa com o amadurecimento.
Agora, no transtorno opositivo desafiador não adianta sentar, conversar e indicar qual a atitude certa. É preciso muito mais e somente intervenções adequadas são aconselháveis para que essa questão seja trabalhada.

Por que é imprescindível saber diferenciar TOD de imaturidade?

Deve-se ter em mente que é importante estar atento às diferenças entre as duas situações, a saber:
– Conseguir uma intervenção adequada para a criança ou adolescente na escola, em casa e em clínica.
– Garantir que a vida acadêmica do jovem não seja prejudicada.
– Melhorar relacionamentos familiares, tirando dos pais a culpa da “educação errada” dentro de casa.
– Antecipar soluções aos problemas que possam acontecer.
– Ter mais segurança na condução de casos de TOD na escola.

E os medicamentos? Eles podem substituir o tratamento?

Na verdade, a eficácia dos remédios para o TOD não é tão marcante. O medicamento ameniza alguns dos sintomas. Isso pode resolver por um determinado tempo, mas é importante frisar que em longo prazo, isso vai custar caro. No final, quem pagará o preço será essa criança ou adolescente no futuro, pois os medicamentos não solucionarão todos os comportamentos inadequados que estão presentes no transtorno opositivo desafiador.
Até hoje não existe nada que mostre para os pais que um profissional vai ter resultado com a intervenção em casos de TOD até que o profissional entre em prática e perca meses e até anos tentando resolver o problema.
É por isso que criamo o Guia TOD – Enfrentando o Transtorno Opositivo Desafiador, para servir como um orientador para famílias e escolas saberem como identificar o TOD e salvar a vida desse adolescente ou criança.
Um Profissional que não sabe lidar com esse transtorno, não sabe o que é e como trabalhar com alunos que tenham esse tipo de problema, ficando perdidos desde o encaminhamento quando suspeitam que aquela determinada criança pode ter alguma coisa.

Dr Clay Brites

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9 respostas em “Como saber se a criança tem TOD ou se é apenas imatura?”

É muito bom esse Artigo!!
Ao ler, veio pela minha cabeça alguns alunos, mais 4 aninhos, segundo a faixa etária citado acima, certos comportamentos. Dois já encaminhei a Especialista de Escola.
Parabéns pelo Trabalho Desenvolvido!!!
Obrigada pelo Artigo.

Muito bom esse artigo minha filha de 5 anos tem um comportamento muito parecido com o TOD, mas ela só manifesta esse comportamento na escola.

Bom dia minha filha foi diagnosticada com Todo quando ela tinha 6 anos.. por uma psicóloga professora q atendeu nós de graça oq não tínhamos condições de pagar a consulta. E nessa consulta ela me fez algumas perguntas. ..e dessas perguntas deu q ela eh hiperativa e tem o tdh e tem o tod.. muitos profissionais não conhecem o tod..e não sabiam como me falar pra lidar com a minha filha… Agora passei ela por uma psiquiatra no sus e ela colocou num relatório q minha filha tinha impulsividade,todo ano tenho q enviar a escola um relatório da doença dela..pra escola saber como lidar com ela..da primeira a segunda série as professoras q a diretora colocou com ela eram psicopedagoga..e na terceira série era professora normal..ela teve muitos problemas com a minha filha no final do ano…
Eh frustante…

Olá Lilian , infelizmente tem instituição escolar que não tem feito capacitação e preparo com seus profissionais para trabalhar com alunos que tenha TOD ou qualquer outro transtorno ou dificuldade o Brasil ainda precisa evoluir muito na educação para garantir o desenvolvimento integral de todos alunos .

Eu estou passando maus momentos com minha filha de seis anos.Ela está agindo como se fosse uma adolescente. Responde, desobedece .É atrevida. Depois pede desculpa , abraça e faz tudo de novo.
Depois da Pandemia ela piorou.Eka não aceita que chamem atenção, que fale nao.Da birra, grita , remeta.Ja bati, coloco de castigo, tirando o q gosta. Não adianta.
Não sei o que fazer.

Olá Danielly,
Primeiramente obrigada pela confiança!
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Atenciosamente,
Equipe NeuroSaber

Tenho uma filha de 5 anos com síndrome de Down e a neurologista mencionou que ela tem um comportamento muito desafiador, medicou com Aristab 3ml ao dia, e honestamente não mudou nada. Apenas deu sono nela. Devo levá-la a um psiquiatra para ajustar a medicação? Obrigada.

Olá Érica ,
Quando não tem melhora após uso do medicamento, o ideal é informar o médico para fazer a mudança.
Mas se você quiser pode também trocar o especialista para solicitar a troca do medicamento .
Atenciosamente
Equipe NeuroSaber

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