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Efeitos da hiperatividade no TEA, como tratar?

Neste artigo, vamos falar de um assunto muito importante: os efeitos da hiperatividade no autismo, a importância do diagnóstico precoce e tratamento.

O TEA — Transtorno do Espectro Autista — engloba diferentes graus de severidade e tem múltiplas etiologias, como o próprio nome espectro sugere. O diagnóstico precoce é muito importante para o sucesso do tratamento da criança com autismo e as melhores intervenções sejam feitas para o seu desenvolvimento.

Acontece que a comorbidade no TEA, ou seja, a possibilidade de uma pessoa com autismo ter um distúrbio mental associado, é grande. Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), a prevalência é de cerca de 70%.

O TDAH — Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade — com outros como ansiedade e depressão, é um dos mais comuns no autismo. No entanto, os sintomas do TDAH, como desatenção, agressividade e hiperatividade agravam o quadro do autismo, que já tem uma característica de dificuldade de interação social. 

Dessa forma, é muito importante entender os efeitos da hiperatividade no autismo, a fim de que possamos fazer diagnósticos precoces e o tratamento adequado a criança. Saiba mais neste artigo.

O diagnóstico da hiperatividade no autismo

A presença da hiperatividade — inquietação excessiva — em uma criança com autismo faz com que hajam grandes prejuízos no processo de observação e avaliação. O que quero dizer é que ela pode dificultar e até, atrasar o diagnóstico de TEA.

Isso acontece porque a criança inquieta e agitada tem menos capacidade de interação social, de contato visual, de fazer atividades específicas, e assim, fica difícil detectar se se trata de TDAH ou autismo.

Muitas vezes, a hiperatividade atrasa o diagnóstico de autismo. Existem artigos e pesquisas que comprovam que a presença de hiperatividade no autismo faz com que o próprio diagnóstico do TEA seja feito tardiamente, após os 6 anos de vida da criança. E isso não é bom. 

O diagnóstico precoce é fundamental para evitar que uma criança com autismo hiperativa passe seus primeiros anos de vida sendo diagnosticada como TDAH e não com autismo. Muitos médicos fazem um diagnóstico direcionado para TDAH e deixam o autismo em segundo plano, sendo que deveria acontecer o oposto. 

Para evitar esse problema no diagnóstico, a recomendação é que toda criança hiperativa que apresente dificuldade de socialização e sintomas opositores, seja primeiramente investigada a possibilidade de autismo. 

Efeitos da hiperatividade no autismo

A presença da hiperatividade no autismo atrapalha as intervenções das diversas terapias que a criança esteja realizando. Afeta a terapia comportamental do Abba, as intervenções da fonoaudióloga, atrapalha a musicoterapia e todas as outras que a criança participa. Isso vai fazer com que ela preste menos atenção e se engaje menos nas terapias, prejudicando a longo prazo a resposta e os resultados das mesmas.

Outro efeito da hiperatividade no autismo é percebido na escola. A criança com autismo e hiperatividade vai ter menos capacidade de memorização, menor engajamento social nas regras e rotinas da escola, mais dificuldade para se submeter a uma determinada imposição do grupo. Além disso, vai dificultar o trabalho dos seus cuidadores e professores que conduzem o seu aprendizado na escola.

Como tratar a hiperatividade no autismo

O melhor tratamento para as crianças com TEA é multidisciplinar. Profissionais de diversas áreas da saúde: médicos, fonoaudiólogos, psicólogos, psicopedagogas e terapeutas ocupacionais oferecem intervenções e programas específicos que favorecem as interações sociais e as habilidades de linguagem e comunicação.

Essas intervenções multidisciplinares tratam a criança com um todo e treinam também os pais, oferecendo técnicas de comportamento. Os programas terapêuticos mais usados no TEA são o Abba, que visa reduzir comportamentos prejudiciais e melhora as comunicação e interação social; e o TEACCH, que ajuda as crianças a se engajar mais nas atividades e ter mais independência.

Não existem provas que os medicamentos sejam eficazes em crianças com TEA, mas em caso de comorbidades é necessário tratar de ambos transtornos. A hiperatividade no autismo deve ser tratada, e pode ser que seja recomendado o uso de medicamentos. Da mesma forma, as intervenções disciplinares terão outro foco, considerando a presença da hiperatividade no autismo.

De toda forma, cada criança é única e cada caso precisa ser analisado para se chegar aos melhores resultados no tratamento da hiperatividade no autismo. Lembrando que o diagnóstico precoce favorece muito o desenvolvimento das crianças.

Restou alguma dúvida? Deixe nos comentários.

Referências:

GADIA, Carlos A.; TUCHMAN, Roberto  and  ROTTA, Newra T.. Autismo e doenças invasivas de desenvolvimento. J. Pediatr. (Rio J.) [online]. 2004, vol.80, n.2, suppl. [cited  2020-05-05], pp.83-94.

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2 respostas em “Efeitos da hiperatividade no TEA, como tratar?”

Tenho uma neta com 2 anos e meio que percebe tudo mas não fala. Pouca coisa mesmo e é só quando quer. É hiperactiva , evasiva ,não se concentra nas coisas, tem comportamento instável , revela problemas emocionais, insegurança, mas ao mesmo tempo é carinhosa com pais e
Irmaos. Tem um mundo muito próprio só dela…
Os pais já a levaram a uma terapeuta da fala, mas ela disse que nao ia intervir antes de ela fazer 3 anos que há criancas que falam mais tarde e havia aspectos que ela revelava competencias acima da média, que iriamos aguardar porque podia ir desenvolvendo esses aspectos progressivamente …. Dr Clay Brites não haverá aqui indicios de autismo também? Peço ajuda. Obrigada

Olá Maria,tudo bem?Sem avaliação não podemos dar uma orientação precisa sobre caso .
Temos muitos conteúdos que podem te ajudar a entender melhor isso. Acesse youtube.com/neurosabervideos que podem te ajudar.
Atenciosamente
Equipe NeuroSaber

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