Voltar

Existem sintomas semelhantes entre o Autismo e o TDAH?

Os sintomas de TDAH — Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) podem ser muito parecidos com os do autismo, como dificuldade de concentração, impulsividade, dificuldade de comunicação e interação social.

No entanto, são duas condições distintas, ainda que possam coexistir. Estudos sugerem que metade das crianças com autismo também têm TDAH, assim como dois terços das crianças com TDAH têm pelo menos uma condição de comorbidade, como o autismo.

O Transtorno do Espectro Autista — TEA — é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta as habilidades de linguagem, comportamento, interações sociais e a aprendizagem. Já o TDAH afeta a maneira como o cérebro se desenvolve. O diagnóstico correto é fundamental para que as crianças recebam o tratamento adequado.

Como diferenciar os sintomas de TDAH e autismo

As crianças com autismo têm dificuldade para se concentrar em atividades que não as interessam, mas podem se fixar naquelas que gostam muito. Já as crianças com TDAH têm dificuldade para se concentrar em geral e evitam atividades que exigem concentração.

Embora em ambas as condições possa haver dificuldade na interação social, isso se torna mais evidente no autismo, porque uma característica comum no TEA é a dificuldade de expressar seus pensamentos e sentimentos, inclusive evitando o contato visual.

Uma criança com TDAH, por outro lado, pode ser muito falante, chegando a interromper as pessoas quando elas estão falando ou intrometer-se e tentar monopolizar uma conversa. 

A criança autista costuma prezar a ordem e a repetição, resistindo a mudanças na rotina. Ao contrário da criança com TDAH, que pode não gostar de fazer a mesma coisa novamente ou por muito tempo.

Os sintomas ​​de TDAH mais comuns são: desatenção, hiperatividade e impulsividade. Os sintomas do autismo geralmente são: dificuldade nas interações sociais, comunicação e comportamentos repetitivos.

Dessa forma, para diferenciar os sintomas de TDAH e autismo é preciso compreender a razão por trás do comportamento. Por exemplo, a dificuldade na interação social pode estar presente em ambas as condições, mas a causa desse comportamento no TDAH, pode ser desatenção, incapacidade de organizar pensamentos ou impulsividade.

Para crianças autistas, os motivos costumam ser outros, como o não entendimento da comunicação não verbal ou atrasos nas habilidades de linguagem.

Como fazer um diagnóstico preciso

Para diagnosticar o TDAH, os médicos procuram um padrão de comportamento ao longo do tempo, como ficar distraído e esquecido, ter dificuldades para esperar a vez, inquietação. Geralmente, para realizar a avaliação, os médicos escutam os pais, professores e outros adultos que cuidam da criança, assim como tentam descartar outras possíveis causas para os sintomas.

O diagnóstico de autismo também requer conversas com os pais sobre os sintomas e, muitas vezes, observações do comportamento da criança.

Para um diagnóstico preciso e completo, é importante que o profissional esteja familiarizado com ambas condições. Uma avaliação completa visa definir os pontos fortes e fracos da criança, assim como documentar os sintomas de TDAH, função executiva, atrasos sociais e de comunicação, ansiedade, transtornos de humor e uma série de outros sintomas.

Avaliar o TDAH e o autismo continua sendo uma habilidade clínica baseada em conhecer a criança e seu comportamento em vários ambientes, assim como suas habilidades sociais, de comunicação e autonomia para atividades diárias, como o autocuidado.

Tratamento

Pode ser difícil distinguir os sintomas de TDAH e autismo, mas o diagnóstico correto é essencial para o tratamento.

O tratamento do TDAH geralmente envolve terapia comportamental e medicamentos. Para o autismo, o tratamento é multidisciplinar, com psicólogo, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, entre outros. Geralmente, não se usa medicamentos, a não ser que o TDAH esteja presente.

As terapias ajudam a criança a superar suas dificuldades sociais e a desenvolver habilidades.

Quando o TDAH e o autismo estão juntos, é muito importante tratar o TDAH para que os seus sintomas não agravem o quadro de autismo. Assim como o tratamento deve considerar as necessidades de cada criança, para que possa ser eficaz.

Embora existam sintomas semelhantes no autismo e TDAH, é importante saber como diferenciá-los para se chegar a um diagnóstico correto e, assim, ao melhor tratamento.

Se restou alguma dúvida, deixe nos comentários.

Referências:

PONDE, Milena Pereira; NOVAES, Camila Marinho  and  LOSAPIO, Mirella Fiuza. Frequency of symptoms of attention deficit and hyperactivity disorder in autistic children. Arq. Neuro-Psiquiatr. [online]. 2010, vol.68, n.1 [cited  2021-02-18], pp.103-106.

MATTOS, Paulo. Daniel Segenreich1 , Atualização sobre comorbidade entre transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e transtornos invasivos do desenvolvimento (TID).

Você também pode se interessar...

6 respostas em “Existem sintomas semelhantes entre o Autismo e o TDAH?”

Parabéns pelo trabalho maravilhoso de vocês!! Gostaria de aproveitar essa oportunidade de diálogo e sugerir que seja citada também junto a equipe multidisciplinar, a atuação da Musicoterapia e sua comprovada importância frente ao tratamento de pessoas portadoras de TEA!! Obrigada um abraço a todos!! Denise ( Musicoterapeuta)

Olá Denise,
Anotamos sua sugestão!
Obrigada pelo carinho. Continue sempre acompanhando.
Atenciosamente,
Equipe NeuroSaber

SOU MÃE DE CRIANÇA AUTISTA E NÃO SABIA QUE É EXATAMENTO O TDAH QUE TORNA O AUTISMO TALTVEZ MAIS GRAVE, FOI ISSO QUE ENTENDI. QUANDO O PEDRO HENRIQUE COMEÇOU A FICAR EM PÉ NO BERÇO, ELE PULAVA MUITO, SEMPRE PERGUNTEI A PEDIATRA SE ERA “NORMAL”, ESSE COMPORTAMENTO? CONFORME ELE CRESCIA, A INQUIETUDE AUMENTAVA, NO ANIVERSÁRIO DE 1 ANINHO JÁ ANDAVA, FALAVA MUITO BEM ALGUMAS PALAVRAS, MAS AO REUNIR ALGUNS FAMILIARES PARA SUA FESTA PERCEBEMOS QUE ELE NÃO ACEITAVA MUITO O CONTATO, PRINCIPALMENTE NO MOMENTO DAS FOTOS. ENTÃO, JÁ ERA VISÍVEL QUE ALGO PRECISAVA SER INVESTIGADO. INICIAMOS INVESTIGAÇÃO COM PROFISSIONAIS QUANDO ELE TINHA 1 ANO E MEIO, MAS TALVEZ NÃO ESTÁVAMOS PREPARADOS PARA A VERDADE. E TAMBÉM PERCEBIAMOS QUE OS ESPECIALISTAS FALAVAM, VAMOS AGUARDAR MAIS UM POUCO, AINDA NÃO PODEMOS DÁ O DIAGNÓSTICO, ISSO NOS DEIXAVA MAIS CONFUSOS, PASSEI EM TRÊS NEUROPEDIATRAS QUE FALARAM, “O PEDRO NÃO PRECISA SER ACOMPANHADO POR MIM, BASTA AS TERAPIAS. NAQUELE TEMPO MEU PEQUENO, DORMIA MUITO BEM, NUNCA FOI AGRESSIVO, COME MUITO BEM, FRUTAS, VERDURAS, TODO TIPO DE ALIMENTO. COMECEI LER SOBRE AUTISMO, MAS POUCA COISA, SE APROXIMAVA DOS COMPORTAMENTOS DO PEDRO HENRIQUE.
FOI COM A LUCIANA BRITES E DR. CLAY BRITES, QUE CONSEGUIR TER SEGURANÇA E BUSCAR AJUDA PARA CONSEGUIR MELHORAR A QUALIDADE DE VIDA DO MEU FILHO. POIS COM A PANDEMIA ELE DESENVOLVEU TRANSTORNOS DE ANSIEDADE E DO SONO, SEM ESSES DOIS LINDOS PROFISSIONAIS; “LU E DR. ClAY”, TENHO CERTEZA QUE EU NÃO TERIA CONSEGUIDO; HOJE 21/02/21, NOSSA QUALIDADE DE VIDA ESTÁ MUITO BOA, JUNTO COM O NOSSO LINDO FILHO, QUE ESTÁ SENDO MEDICADO PELO DR. CLAY E COM AS ORIENTAÇÕES NAS AULAS COM ELE E A LUCIANA, CONSIGO VER AVANÇOS NA APRENDIZAGEM DO PEDRO HENRIQUE.
GRATIDÃO AO QUERIDO DR. CLAY BRITES E ESSA LINDA E QUERIDA LUCIANA BRITES QUE DEUS OS ABENÇOE SEMPRE.

Bom dia professora Luciana!
Minha neta é autista e toma o remédio kepra, então isso significa que ela tem associado o TDAH?

Olá Maria,
Primeiramente obrigada pela confiança!
Nesses casos orientamos buscar um especialista pessoalmente para lhe dar melhores informações e orientação assertivas sobre o caso.
De qualquer forma,temos conteúdos no youtube.com/neurosabervideos e Artigos em nosso Blog: http://www.neurosaber.com.br/artigos que podem te ajudar em muitas questões.
Atenciosamente,
Equipe NeuroSaber

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *