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Fatores facilitadores e complicadores para o diagnóstico de autismo

O DSM-V — Manual de Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais — estabelece critérios para o diagnóstico de autismo, dentre eles: déficits na comunicação, interação social, comportamentos repetitivos e restritos.

No entanto, o diagnóstico de autismo é um processo complexo, pois existem fatores que podem confundir os profissionais, o que leva a um diagnóstico tardio. Da mesma forma, outros fatores facilitam a detecção dos primeiros sinais e sintomas de autismo.

O diagnóstico do TEA — Transtorno do Espectro Autista — é feito por um profissional especializado através de observações da criança, conversas com os pais e, em alguns casos, testes para rastrear o autismo. É importante também excluir a possibilidade de outras condições. Entenda melhor, neste artigo.

Sinais e sintomas de autismo

É muito importante que os pais conheçam quais são os primeiros sinais de autismo, para poderem identificá-los precocemente. 

No primeiro ano de vida, o bebê pode fazer pouco ou nenhum contato visual, não balbuciar ou responder quando chamado pelo nome; demonstrar desinteresse em compartilhar objetos e interagir com as pessoas, além de dificuldades com o sono e hipersensibilidade a estímulos sensoriais.

Até os dois anos, muitos pais percebem seletividade na alimentação, nas brincadeiras, jogos e até mesmo nas roupas. Pode haver atrasos na fala, para andar ou engatinhar. A partir dos dois anos, o diagnóstico de TEA pode ser realizado, por isso é muito importante que os pais estejam atentos a esses sinais.

Critérios para o diagnóstico de autismo

O DSM-V estabelece critérios para o diagnóstico de autismo, tais como: déficits na reciprocidade sócio emocional e na comunicação não-verbal; dificuldades no contato visual e na linguagem corporal; déficits nas interações sociais; comportamentos estereotipados/repetitivos; aderência inflexível a rotinas, padrões ou comportamentos ritualizados; interesses restritos e fixos; hiper ou hipo sensibilidade a estímulos sensoriais, entre outros.

Para realizar o diagnóstico de autismo os sintomas devem estar presentes desde o primeiro ano de vida, mesmo que se intensificam à medida que as demandas sociais aumentam. Além disso, devem causar prejuízos significativos na aprendizagem, no autocuidado e no funcionamento social.

Também está descrito como um critério para o diagnóstico de TEA, a importância de descartar outros transtornos. A gravidade dos sintomas será posteriormente avaliada de acordo com o nível das deficiências de comunicação, interação social e dos padrões de comportamento

Os déficits na comunicação e na interação social estão relacionados a dificuldades na abordagem com o outro, pouco interesse nas interações, dificuldades na comunicação não verbal; no contato visual e compreensão da linguagem corporal.

Os padrões de comportamento restritos e repetitivos, estão ligados a fala, movimentos e uso de objetos de forma estereotipada ou repetitiva. Além disso, rotina inflexível, comportamentos ritualizados, interesses restritos e hipo ou hipersensibilidade a estímulos sensoriais.

Dessa forma, podemos dizer que os fatores facilitadores para o diagnóstico de autismo, se referem ao conhecimento dos primeiros sinais e sintomas do transtorno, para poder ser detectado precocemente.

Fatores complicadores para o diagnóstico de autismo

Um dos maiores desafios do diagnóstico de TEA é a dificuldade da aceitação dos pais de que seus filhos possam ter autismo. Sabemos ser um momento delicado para toda a família, mas é importante lembrar que o diagnóstico precoce favorece o tratamento.

O tratamento precoce no autismo, aumenta a possibilidade de desenvolver as habilidades cognitivas e sociais da criança. O diagnóstico tardio acontece quando a criança é encaminhada para uma avaliação somente quando aumentam as demandas sociais e de aprendizagem e os sinais ficam mais claros.

Outro fator que dificulta o diagnóstico é o diagnóstico equivocado. Muitas crianças, antes de serem diagnosticadas com TEA, recebem outros, erroneamente, como TDAH ou dificuldades no processamento sensorial.

Pode acontecer que o TDAH ocorra em comorbidade com o TEA, o que é muito comum — aproximadamente 30 a 40% das crianças com transtorno do espectro autista também têm TDAH. 

Além disso, os desafios de processamento sensorial são considerados um sintoma de transtornos, sendo comuns em crianças com autismo. Acontece que quando o diagnóstico é equivocado, há um atraso não só no diagnóstico do TEA, mas também no tratamento, o que pode ter um impacto negativo no desenvolvimento da criança.

Isso acontece porque essas crianças recebem tratamentos equivocados, por isso o diagnóstico precoce do autismo é tão importante.

Dentre os fatores complicadores para o diagnóstico do TEA, podemos citar alguns erros muito comuns, como prender-se ao mito da idade, negar os sinais de autismo, negligenciar a hiperatividade, não verificar sintomas de autismo em crianças com atrasos no desenvolvimento e não encaminhar para o especialista.

Agora que você já sabe um pouco mais sobre os fatores facilitadores e complicadores para o diagnóstico de autismo, compartilhe este artigo em suas redes e ajude outras pessoas!

Referências:

ZANON, Regina Basso; BACKES, Bárbara  e  BOSA, Cleonice Alves. Diagnóstico do autismo: relação entre fatores contextuais, familiares e da criança. Psicol. teor. prat. [online]. 2017, vol.19, n.1 [citado  2021-06-09], pp. 152-163 .

ZANON, Regina Basso. Bárbara Backes Cleonice Alves Bosa. Identificação dos Primeiros Sintomas do Autismo pelos Pais.

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