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Integração sensorial em crianças com Autismo

As crianças com autismo podem ter um sistema sensorial disfuncional, ou seja, distúrbios de integração sensorial. 

Às vezes, um ou mais sentidos são super/sub-reativos à estimulação. Esses problemas sensoriais podem ser a razão subjacente para comportamentos como balançar, girar e agitar as mãos, muito comuns no TEA. 

Embora os receptores dos sentidos estejam localizados no sistema nervoso periférico, acredita-se que o problema seja decorrente de uma disfunção neurológica no sistema nervoso central. 

Técnicas de integração sensorial podem facilitar a atenção, a consciência e reduzir a excitação em crianças com autismo. Entenda melhor, neste artigo. 

Integração sensorial

A integração sensorial é um processo neurobiológico inato e refere-se à integração e interpretação da estimulação sensorial do ambiente pelo cérebro. Por outro lado, a disfunção sensorial é um distúrbio no qual a entrada sensorial não está integrada ou organizada de forma adequada no cérebro e pode produzir problemas no desenvolvimento, processamento de informações e comportamento. 

A teoria de integração sensorial foi desenvolvida a partir de estudos em neurociências, desenvolvimento físico e função neuromuscular. Tratamentos baseados em evidências para crianças com autismo que experimentam diferenças sensoriais podem melhorar o conforto e a qualidade de vida.

A integração sensorial se concentra em três sentidos básicos — tátil, vestibular e proprioceptivo. Suas interconexões começam a se formar antes do nascimento e continuam a se desenvolver à medida que a criança amadurece e interage com seu ambiente. 

Os três sentidos estão interconectados e também conectados a outros sistemas do cérebro. Embora sejam menos familiares do que a visão e a audição, são essenciais para nossa sobrevivência. Basicamente, eles nos permitem experimentar, interpretar e responder a diferentes estímulos do ambiente.

Sistema Tátil

O sistema tátil inclui nervos sob a superfície da pele que enviam informações ao cérebro, como toque, dor, temperatura e pressão, que desempenham um papel importante na percepção do ambiente, bem como nas reações protetoras para a sobrevivência.

Sintomas de disfunção no sistema tátil:

  • não suporta ser tocado;
  • recusa-se a comer certos alimentos “texturizados”;
  • recusa-se a usar certas roupas;
  • evita sujar as mãos (manusear cola, areia, lama, tinta);
  • usa as pontas dos dedos para manipular objetos.

Um sistema tátil disfuncional pode levar a uma percepção equivocada do toque e / ou dor (hiper ou hipo sensibilidade) e pode levar ao isolamento, irritabilidade, distração e hiperatividade.

Quando o sistema tátil é imaturo e funciona incorretamente, sinais neuronais anormais são enviados para o córtex cerebral, o que pode interferir em outros processos cerebrais. Isso faz com que o cérebro seja excessivamente estimulado e pode levar a uma atividade cerebral excessiva, que não pode ser desligada nem organizada. 

Esta super estimulação no cérebro dificulta a organização do comportamento e da concentração, podendo levar a uma resposta emocional negativa às sensações de toque.

Sistema Vestibular

O sistema vestibular refere-se a estruturas do ouvido interno que detectam movimentos e mudanças na posição da cabeça. Por exemplo, o sistema vestibular avisa quando sua cabeça está na vertical ou inclinada (mesmo com os olhos fechados). 

A disfunção neste sistema pode se manifestar de duas maneiras diferentes. Algumas crianças podem ser hipersensíveis à estimulação vestibular e ter reações de medo às atividades normais de movimento (balanços, escorregador, rampas). 

Também podem ter problemas para aprender a subir ou descer escadas; ficar apreensivas ao caminhar por superfícies irregulares ou instáveis. Em geral, essas crianças parecem desajeitadas. 

Por outro lado, a criança pode buscar ativamente experiências sensoriais muito intensas, como girar/pular excessivamente — sinais de sistema vestibular hipo-reativo — como uma tentativa de estimular seus sistemas vestibulares.

Sistema Proprioceptivo

O sistema proprioceptivo refere-se aos componentes dos músculos, articulações e tendões que fornecem uma consciência da posição do corpo. Quando a propriocepção está funcionando de forma eficiente, a posição corporal de um indivíduo é ajustada automaticamente em diferentes situações; por exemplo, sentar-se corretamente em uma cadeira e descer de um meio-fio com suavidade. 

O sistema proprioceptivo também nos permite manipular objetos usando movimentos motores finos, como escrever com lápis, usar uma colher e abotoar a camisa.

Sinais comuns de disfunção proprioceptiva:

  • falta de jeito;
  • tendência a cair;
  • falta de consciência da posição do corpo no espaço;
  • postura corporal estranha;
  • não engatinha;
  • dificuldade em manipular pequenos objetos (botões, encaixes);
  • comer de uma maneira desleixada;
  • resistência a novas atividades de movimento motor.

Outra dimensão da propriocepção é a práxis ou planejamento motor, ou seja, a capacidade de planejar e executar diferentes tarefas motoras. Para que esse sistema funcione adequadamente, ele deve se basear na obtenção de informações precisas dos sistemas sensoriais e, em seguida, organizar e interpretar essas informações de forma eficaz.

A disfunção nesses três sistemas se manifesta de várias maneiras, o nível de atividade pode ser alto ou baixo e a criança pode ficar em constante movimento ou apresentar fadiga com facilidade. 

Além disso, algumas crianças podem oscilar entre esses extremos. Problemas de coordenação motora grossa e / ou fina também são comuns quando esses três sistemas são disfuncionais e podem resultar em atrasos na fala / linguagem e em baixo desempenho acadêmico. 

Comportamentalmente, a criança pode se tornar impulsiva, facilmente distraída e mostrar uma falta geral de planejamento. Outras podem ter dificuldade para se ajustar a novas situações e reagir com frustração, agressão ou retraimento.

A avaliação e o tratamento dos processos integrativos sensoriais básicos são realizados por terapeutas ocupacionais e / ou fisioterapeutas. Os objetivos são: (1) fornecer à criança informações sensoriais que ajudem a organizar o sistema nervoso central, (2) auxiliar na inibição e / ou modulação das informações sensoriais e (3) auxiliar no processamento uma resposta mais organizada aos estímulos sensoriais.

Se restou alguma dúvida sobre integração sensorial em crianças com autismo, deixe nos comentários.

Referências:

POSAR, Annio  e  VISCONTI, Paola. Alterações sensoriais em crianças com transtorno do espectro do autismo. J. Pediatr. (Rio J.) [online]. 2018, vol.94, n.4 [citado  2020-12-03], pp.342-350.

MATTOS, Jací Carnicelli. Alterações sensoriais no Transtorno do Espectro Autista (TEA): implicações no desenvolvimento e na aprendizagem. Rev. psicopedag. [online]. 2019, vol.36, n.109 [citado  2020-12-03], pp. 87-95 .

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6 respostas em “Integração sensorial em crianças com Autismo”

Texto muito esclarecedor. Atendo uma menina de 6anos,1° ano, que só anda na ponta dos pés Muito desatenta, segura o lápis com flacidez e jogando para o lado direito e muito em cima . Usa letra bastão.Faz muitas trocas ao falar. Ao ler o texto acredito que seja a área proprioceptiva .
Segundo pais ela passa no fisioterapia e tem tendões curtos e precisa fazer cirurgia.
Gostaria de uma orientação
do Dr.Clay.
Sou Psicopedagoga.
Agradeço

Boa tarde
Qual o investimento do Curso “Integração sensorial em crianças com autismo” e sua duração?

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