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Leitura e Escrita em crianças com Autismo: como trabalhar?

As crianças com autismo tendem a apresentar dificuldades na alfabetização. Da mesma forma, professores precisam buscar metodologias eficazes que garantam a aprendizagem da leitura e da escrita no autismo.

A escrita e a leitura podem ser uma possibilidade de comunicação com o outro e com o mundo para as crianças com TEA — Transtorno do Espectro Autista. No entanto, elas enfrentam desafios específicos no processo de alfabetização, principalmente se forem utilizados métodos tradicionais. O processamento das informações em crianças com autismo é diferente, por isso precisam ser estimuladas adequadamente ao aprender a ler e escrever.

Qual a metodologia mais adequada, que já tenha sido testada e que tem mais fundamentação científica para alfabetização de crianças com Transtorno do Espectro Autista? A metodologia mais comprovadamente eficaz para o ensino da escrita e leitura no autismo é a metodologia fônica. Saiba mais neste artigo. 

A escrita no autismo

Antes de falarmos sobre a metodologia mais adequada para a alfabetização de crianças com autismo, vamos entender um pouco porque a escrita no autismo é mais desafiadora. Aprender a escrever envolve diferentes habilidades, como força muscular, linguagem, planejamento motor, entre outras. 

As crianças com autismo podem ter dificuldade em segurar o lápis, por exemplo, ao começar a escrever. Ou apresentar caligrafia ilegível. Tudo isso deve ser considerado ao realizar o planejamento e a escolha da metodologia de alfabetização.

A leitura no autismo

Da mesma forma, aprender a ler é um grande desafio para crianças com autismo. Isso porque podem ter mais dificuldade em prestar atenção e manter o foco por muito tempo. 

Outros fatores que podem dificultar o aprendizado da leitura no autismo é a dificuldade em memorizar frases ou compreender instruções divididas em etapas. Compreender os textos lidos torna se ainda mais desafiador para as crianças com TEA, devido as essas singularidades.

Como trabalhar a leitura e a escrita no autismo?

A capacidade de reconhecer palavras escritas das crianças com autismo, pode não ser tão prejudicada. No entanto, a dificuldade na integração das informações é um desafio para a alfabetização.

As crianças com TEA têm dificuldade em estabelecer sentidos, ou seja, integrar significados na leitura. Isso é fundamental para a compreensão do que se lê: poder relacionar o texto com conhecimentos prévios. 

Dessa forma, escolher a metodologia de alfabetização mais adequada para crianças com autismo é fundamental para o sucesso do processo de aquisição de escrita e leitura.

Metodologia Fônica

A metodologia fônica é um método de alfabetização que se dá pela associação entre grafemas e fonemas. Ou seja, uma metodologia que parte não só do nome das letras, mas também do som delas.

As crianças e adolescentes com autismo, ao serem alfabetizados com a metodologia fônica, vão trabalhar a sonorização das letras. O nome do método — fônico — vem daí, do foco no trabalho com o som das letras.

As metodologias de alfabetização que partem desse princípio fonético — som das letras — são melhor assimiladas pelas crianças com autismo. Pesquisas são feitas desde os anos 70 e 80 e indicam que as metodologias fônicas são seguras e altamente eficazes para crianças, adolescentes e adultos que tenham Transtorno do Espectro Autista ou qualquer outra deficiência.

Porque a metodologia fônica funciona? 

A metodologia fônica é eficaz na alfabetização de crianças com autismo, porque respeita o desenvolvimento cerebral e cognitivo do aluno, assim como a forma que ele aprende a ler e a escrever.

No Brasil, pesquisas comprovam que a metodologia de alfabetização mais adequada para crianças com autismo é a fônica. Funciona assim, ao apresentar o som da letra para a criança, faz-se também uma demonstração do som da letra.

Por exemplo, os nomes das vogais tem o mesmo som da letra — a, e, i, o, u. No entanto, para presentar as consoantes para as crianças, é preciso falar o nome e o som da letra. A letra F, se chama “EFE”, mas o som da letra é ffffff. É preciso mostrar isso para a criança, fazendo o som com a boca.

Quando se parte do som da letra, a criança passa a perceber que quando ela junta o fffff com A, vira “FA” e assim sucessivamente. O processo de alfabetização se torna mais simples, adequado e efetivo para as crianças com autismo. 

Muitas pesquisas já comprovaram que o método fônico é utilizado para ensinar a leitura e escrita no autismo e apresenta ótimos resultados. Tem mais alguma dica ou sugestão de como trabalhar a leitura e escrita em crianças com autismo? Contribua com a discussão, deixe nos comentários!

 

Referências:

BERNARDINO, Leda Mariza Fischer. A importância da escrita na clínica do autismo. Estilos clin. [online]. 2015, vol.20, n.3 [citado  2020-05-14], pp. 504-519 .

NUNES, Débora Regina de Paula. WALTER, Elizabeth Cynthia. Processos de Leitura em Educandos com Autismo: um Estudo de Revisão1 Literacy Process in Students with Autism Spectrum Disorder (ASD): a Review Study.

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10 respostas em “Leitura e Escrita em crianças com Autismo: como trabalhar?”

achei muito interessante a metodologia, pois em muitas escolas estaduais ou quase em sua totalidade não se percebe a necessidade de uma metodologia adequasa

Olá Marli, tudo bem?

Em nossos canais temos muitos conteúdos que vão te ajudar a entender melhor. Confira nosso canal no Youtube e nosso Blog e continue sempre de olho em nossas redes sociais! 💙

Sol,
Equipe NeuroSaber 💙

Bom dia,
Acompanho um autista e ele sabe ler, porém possui dificuldades na fala, logo a escrita dele é comprometida, apesar de ser legível, onde ele estaria na fase silábica alfabética. Essas fases da escrita também são consideradas para os autistas? Temo que ele não escreve corretamente devido a dificuldade na fala e não pq não está alfabético. Ele está no 7º ano EFII

Boa tarde Jéssica, tudo bem?

Sim, a consciência fonológica é trabalhada com crianças atípicas e não atípicas. A compreensão de sílabas e fonemas são elementos importantes para a compreensão do alfabeto!

Quais técnicas para trabalhar escrita do autista, que desperte o interesse visto o mesmo ter Q I elevado e autodidata com até inglês fluente?
Aprendeu sozinho, através de filmes, desenhos da Internet
8 anos

Olá Vera, tudo bem?

Para trabalhar a escrita do autista com QI elevado e autodidata, pode-se utilizar algumas estratégias que despertem o interesse e a motivação dele. Algumas sugestões são:

Utilizar temas de interesse do autista: como ele é autodidata e tem inglês fluente, pode-se aproveitar isso e trabalhar temas que sejam interessantes para ele, como por exemplo, a escrita de histórias em inglês.

Utilizar tecnologia: como o autista tem facilidade com tecnologia, pode-se utilizar aplicativos ou programas de computador para estimular a escrita, como por exemplo, o “Scrivener”, um programa que ajuda a organizar ideias para a escrita de histórias.

Estimular a criatividade: é importante estimular a criatividade do autista na hora de escrever, permitindo que ele crie histórias e personagens que sejam do interesse dele.

Fornecer feedback: é importante fornecer feedback positivo e construtivo para o autista, para que ele se sinta motivado a continuar escrevendo e melhorando sua escrita.

Utilizar jogos e brincadeiras: jogos e brincadeiras podem ser utilizados para estimular a escrita do autista, como jogos de palavras ou jogos de escrita de histórias colaborativas.

É importante lembrar que cada autista é único e pode ter interesses e habilidades diferentes, por isso, é importante adaptar as estratégias de acordo com as necessidades e interesses do indivíduo. Além disso, é importante que a escrita seja trabalhada de forma lúdica e prazerosa, para que o autista se sinta motivado a aprender e a desenvolver suas habilidades.

Sol,
Equipe NeuroSaber 💙

Boa Noite! Acompanho um educando autista e tem muita habilidades na construção de objetos e personagens com material reciclados, brincamos e no final cria uma historia em quadrinho ou um livro.

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