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Ler para o bebê recém-nascido faz sentido?

Os benefícios da Leitura em Voz Alta começam desde os primeiros dias de vida.

Desde a vida intrauterina, dentro da barriga da mãe, o bebê já consegue ouvir os sons externos do mundo que o cerca. A voz materna, a algazarra dos irmãos, o latido do cachorro. Os ruídos frequentes são assimilados pela criança e estudos demonstram que até um mês após o nascimento, os recém-nascidos são capazes de lembrar desses sons e reagir a eles. Baseados nesse conhecimento, os programas de estimulação à literacia de todo mundo estimulam a leitura em voz alta para as crianças desde sempre. 

Em uma pesquisa realizada com gestantes, os cientistas pediram que as mães lessem um texto para os bebês ainda no útero, durante seis semanas. Após o parto, ao ouvirem novamente o mesmo trecho, o estudo demonstrou que os pequenos se acalmavam – diminuindo a frequência cardíaca – e acionaram a parte do cérebro relativa à memória, ou seja, a familiaridade com a cadência do texto, lido pela mãe, era capaz de influenciar o comportamento dos bebês.

LENDO PARA BEBÊS

Esse é um período de desenvolvimento cerebral intenso, em que os bebês já serão capazes de identificar os padrões rítmicos da leitura. Mas além do potencial de desenvolvimento cognitivo para as crianças, o que os especialistas defendem é que a leitura em voz alta para os recém-nascidos é uma ferramenta importante para criação do vínculo afetivo entre a criança e seus cuidadores, tão fundamental nesse estágio da vida.

Mas, para quem deseja saber o que a leitura fará ao cérebro dos bebês, vale destacar que ao ler para o recém-nascido,os pais também proporcionam à criança em desenvolvimento: contato visual, promoção da linguagem, construção de vocabulário e habilidades emocionais e cognitivas importantes.

Além disso, a leitura em voz alta nos primeiros meses de vida promove a sensação de segurança ao bebê, e a voz materna/paterna, ou do mediador em questão, é uma poderosa fonte de segurança. 

QUAL É A DIFERENÇA ENTRE A LEITURA E UMA CONVERSA?

Este não deve ser um momento de “estímulo à alfabetização”, mas sim uma apresentação à língua, por isso textos melódicos, histórias rimadas, prosas e poemas são os mais indicados para curtir a leitura com o seu bebê.

Clássicos da poesia infanto-juvenil, escritos especialmente para as crianças, auxiliam a percepção do bebê por fornecerem padrões rítmicos estáveis e recorrentes. Além de captar a emoção de quem está lendo, por meio da expressão da voz, o bebê será exposto aos arranjos e musicalidade da literatura, que é diferente da comunicação verbal cotidiana.

“Se você já fala com o bebê, já pode ler para ele”, dizia o autor e entusiasta da leitura em voz alta Jim Trelease.

Nos primeiros meses, a visão do bebê ainda não é totalmente desenvolvida, por isso a audição é uma forma de captar o mundo exterior. Aproveite para apresentar a ele poemas que você gosta, trechos de livros que esteja lendo ou alguma história da sua infância.

Mesmo os recém-nascidos já serão capazes de absorver rimas, assonâncias e aliterações contidas no texto. A leitura em voz alta promove, a longo prazo, o desenvolvimento da atenção, da memória e da retenção das crianças. 

Dedique um período do dia para a leitura e não exagere. A capacidade de atenção da criança é muito pequena até os dois anos. Cinco ou dez minutos já promovem os benefícios e a criação do vínculo afetivo por meio da leitura. 

Busque títulos pensados especialmente para as crianças, cuja construção facilite a absorção do texto, a cadência, o ritmo…

Para que a leitura se torne um hábito – adquirido em casa ou mesmo no berçário – a pessoa responsável por contar a história pode seguir essas dicas:

  • Escolha uma posição confortável: pode ser sentado, com o bebê no seu colo, ou deitado com o livro sobre você, deixando sempre o livro à vista da criança. Lembre que nos primeiros meses a visão deles ainda não está muito definida, por isso permita contato próximo com o livro;
  • Capriche na expressão vocal e corporal: leia em um ritmo tranquilo, mas crie vozes para os diferentes personagens, entonações diferentes para cada situação e também gesticule ou faça mímicas para contar a história! Isso irá acrescentar muita diversão ao momento;
  • Não tenha medo de repetir as histórias: nos primeiros meses, a constância é muito importante. Ler o mesmo livro várias vezes proporciona a descoberta, dia após dias, de novos elementos e sonoridades da história.

A construção do hábito da leitura começa desde o berço. Invista nessas dicas e forme um pequeno leitor – em casa ou na creche.

REFERÊNCIAS:

DECASPER, Anthony J., SPENCE, Melanie. Prenatal maternal speech influences newborns’ perception of speech sounds. Em: Infant Behavior and Development. Volume 9, 1986, páginas 133-150.

GRANIER-DEFERRE, Carolyn; BASSEREAU, Sophie; RIBEIRO, Aurélie; JACQUET, Anne-Yvonne e DECASPER, Anthony J. A Melodic Contour Repeatedly Experienced by Human Near-Term Fetuses Elicits a Profound Cardiac Reaction One Month after Birth. Disponível em: https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0017304

TRELEASE, Jim. The Read-Aloud HandBook. Introdução, página 1. Disponível em: https://www.trelease-on-reading.com/rah-intro.html

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