Voltar

O que diferencia o grau de autismo?

O Transtorno do Espectro Autista tem uma ampla variedade de severidade dos sintomas. O que diferencia o grau do autismo é o nível de dependência e a necessidade de suporte. Saiba mais.

Até 2013, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) classificava os tipos de autismo em: transtorno autista; síndrome de Asperger; transtorno invasivo do desenvolvimento não especificado e transtorno desintegrativo da infância. Hoje, todos fazem parte de um único diagnóstico, o Transtorno do Espectro Autista (TEA).

No entanto, a terminologia anterior não foi completamente eliminada e alguns médicos ainda fazem o diagnóstico com base nela, o que pode ser confuso. Neste artigo, vamos falar dos diferentes graus de autismo, baseado nas informações atuais do DSM-V. Confira!

Quais são os sintomas do autismo?

Os sintomas mais comuns do autismo envolvem dificuldades de comunicação e interação social. As habilidades de aprendizado, raciocínio e resolução de problemas também são afetadas. A presença de deficiência intelectual é muito comum no autismo(50%) ainda que altas habilidades também possam estar presentes no espectro (5–10%).

Cada indivíduo é único — enquanto algumas pessoas com autismo apresentam sintomas graves, outras apresentam um grau leve ou moderado. Dessa forma, é importante que os  pais e professores fiquem atentos aos sinais de autismo. São eles:

  • a criança não responde quando chamam seu nome;
  • evita o contato visual;
  • não compartilha objetos;
  • não gosta de contato físico;
  • não aponta;
  • repete palavras ou frases;
  • realiza movimentos repetitivos;
  • dificuldade de expressar necessidades;
  • brinca sozinha;
  • dificuldade de adaptação à mudança;
  • hipersensibilidade ao som, cheiro, sabor, visão ou toque;
  • necessidade de organização ou comportamento rígido;
  • fala e habilidades de linguagem atrasada;
  • perda de habilidades aprendidas anteriormente;
  • dificuldade em ler a linguagem corporal, expressões faciais e outras pistas sociais;
  • não entende sarcasmo, provocação ou figuras de linguagem;
  • fala em tom monótono;
  • dificuldade em se relacionar.

Tipos de autismo 

Embora a diferenciação dos tipos de autismo não seja mais tão usada hoje, é bom entender do que se trata. No entanto, quando o autismo é classificado por tipos, o diagnóstico se torna mais complicado, pois as diferenças entre eles podem não ser nítidas.

O diagnóstico único de TEA tira a ênfase da categorização e a coloca na intervenção precoce e no acesso a serviços essenciais. No entanto, é preciso conhecer os tipos de autismo, pois muitos diagnósticos foram realizados antes de 2015. São eles:

Síndrome de Asperger

A síndrome de Asperger está na extremidade leve do espectro. Pessoas com Asperger são consideradas de alto funcionamento, com inteligência normal a acima da média. 

Os sinais e sintomas incluem: prejuízo na interação social; dificuldade em ler expressões faciais, linguagem corporal e dicas sociais; não compreender ironia, metáfora ou humor; falta de contato visual e comportamentos repetitivos. 

Transtorno invasivo do desenvolvimento

Esse diagnóstico era dado quando um transtorno do desenvolvimento não atendia aos critérios para autismo, síndrome de Asperger, síndrome de Rett ou transtorno desintegrativo infantil. Também chamado de “autismo atípico”.

Os sinais incluem: déficits no comportamento social, fala e linguagem mal desenvolvidas, dificuldade em aceitar a mudança, comportamentos repetitivos, entre outros.

Transtorno autista

O transtorno autista estava na extremidade grave do espectro, com os seguintes sintomas: dificuldade na interação social, problemas de comunicação, comportamentos repetitivos, distúrbios de sono e alimentação, entre outros.

Crianças no extremo do espectro preferem brincar sozinhas, têm pouco ou nenhum interesse pelos outros, nem pelo mundo exterior e necessitam de um alto nível de suporte.

Transtorno desintegrativo infantil

Uma criança com esse transtorno atinge marcos de desenvolvimento normais nos primeiros anos. Depois disso, há um rápido declínio nas habilidades de linguagem e comunicação, sociais, de autocuidado e motoras. O transtorno desintegrativo da infância estava na extremidade grave do espectro.

Porque essa terminologia não é mais usada por médicos?

O espectro aborda uma ampla gama de atrasos no desenvolvimento e gravidade dos sintomas. O TEA inclui pessoas com traços de autismo leve, moderado e severo, englobando todos os níveis de inteligência e vários graus de comunicação e habilidades sociais.

As diferenças entre um grau e outro podem ser sutis e difíceis de identificar. No entanto, o diagnóstico ajuda a definir as melhores intervenções, considerando as necessidades individuais.

Quais as diferenças entre os graus de autismo?

Segundo o DSM-V, o grau de autismo é medido pela gravidade do comprometimento. A maioria das pessoas com TEA têm algum nível de deficiência intelectual e o grau varia de leve(nível 1) à severo(nível 3), passando pelo moderado(nível 2).

Grau leve (nível 1)

Nesse grau de autismo, a pessoa necessita de pouco suporte, tem dificuldades na comunicação, mas sem que isto limite sua interação social. Problemas de organização e planejamento podem prejudicar a independência.

Grau moderado (nível 2)

O grau de autismo moderado apresenta déficits nas habilidades de comunicação verbais e não verbais, mas com menos intensidade do que o nível 3 (severo). Devido às dificuldades de linguagem, necessitam de suporte para o aprendizado e interação social.

Grau severo(nível 3)

As pessoas com grau severo de autismo precisam de ainda mais suporte, pois apresentam déficits de comunicação graves. Também têm muita dificuldade nas interações sociais e capacidade cognitiva prejudicada. Tendem ao isolamento social e podem apresentar alta inflexibilidade de comportamento.

Como é feito o diagnóstico de autismo?

Não há um teste para diagnosticar o TEA. O diagnóstico é feito pela avaliação comportamental da criança e conversas com pais e cuidadores. A intervenção precoce está associada a efeitos positivos de longo prazo, portanto o diagnóstico precoce favorece o desenvolvimento da criança.

Agora que você já sabe o que diferencia o grau de autismo, compartilhe este artigo em suas redes sociais e ajude outras famílias!

Referências:

SILVA, Micheline  e  MULICK, James A.. Diagnosticando o transtorno autista: aspectos fundamentais e considerações práticas. Psicol. cienc. prof. [online]. 2009, vol.29, n.1 [citado  2020-08-20], pp. 116-131 . Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98932009000100010&lng=pt&nrm=iso>. ISSN 1414-9893.

OLIVEIRA, Karina Griesi e SERTIÉ, Andréa Laurato.Transtornos do espectro autista: um guia atualizado para aconselhamento genético. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/eins/v15n2/pt_1679-4508-eins-15-02-0233.pdf

Você também pode se interessar...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *