Voltar

O que é o Transtorno Desintegrativo da Infância

Na atualização do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V) em 2013, muitos transtornos foram reclassificados ou incluídos no novo diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA). 

O Transtorno Desintegrativo da Infância — TDI —  embora tenha sido descoberto e diagnosticado muito antes do autismo, agora é classificado como TEA. Embora esteja no espectro, o TDI tem suas próprias nuances, características e ramificações.

O Transtorno Desintegrativo da Infância, também conhecido como síndrome de Heller, segue um padrão diferente do TEA, mas não é menos prejudicial para o bem-estar psicológico e social das crianças que sofrem com isso. 

Neste artigo, discutiremos sobre o Transtorno Desintegrativo da Infância: sua história, entendimentos atuais e tratamento.

Transtorno Desintegrativo da Infância

O Dr. Theodore Heller descobriu o TDI em 1908, muitos anos antes do primeiro diagnóstico de autismo. É por isso que também é chamado de síndrome de Heller, uma condição rara, caracterizada por seu início tardio (geralmente após os 3 anos), que causa atrasos no desenvolvimento de habilidades motoras, funções sociais, linguagem e habilidades sociais. 

Muitas crianças com TEA apresentam atrasos no desenvolvimento, nas habilidades sociais, de linguagem ou motoras. Os sintomas de TDI são semelhantes, mas as pessoas atingidas se desenvolvem normalmente durante os primeiros anos de vida. No entanto, por volta dos três ou quatro anos, perdem repentinamente as habilidades adquiridas.

Embora a velocidade dessa desintegração varie, muitas vezes ela ocorre rapidamente. O Dr. Heller codificou o transtorno após tratar seis crianças, originalmente chamando a regressão de desenvolvimento de “demência infantil” para descrever a perda de habilidades básicas observada.

Em 1994, o TDI foi oficialmente reconhecido e adicionado ao DSM-IV. É categorizado como parte do espectro atual do autismo por compartilhar um perfil semelhante de efeitos debilitantes no desenvolvimento. 

Sinais e sintomas de TDI

As crianças com Transtorno Desintegrativo da Infância tendem a se desenvolver normalmente durante os três primeiros anos de vida. Por isso, é importante que pais e cuidadores conheçam os sinais e sintomas de TDI para que possam detectá-los.

A primeira indicação de TDI é quando os pais percebem em seu filho um novo comportamento ou problemas de comunicação e procura ajuda médica. Em cerca de 75% dos casos de TDI, a perda de habilidades ou comportamentos regressivos é precedida por intensa ansiedade na criança. 

Isso pode se apresentar como pesadelos ao acordar, confusão ou padrões de perturbação nervosa. Esse tipo de comportamento ou ocorrências anteriores são conhecidos como pródromo (não é necessário para o diagnóstico de TDI).

Os verdadeiros critérios diagnósticos para TDI requerem que uma criança exiba um comportamento regressivo em pelo menos duas áreas principais (com desenvolvimento normal durante pelo menos os primeiros dois anos), como:

  • capacidade de manter ou iniciar conversas com outras pessoas (habilidades de linguagem receptiva e expressiva);
  • capacidade de desenvolver relações com os pares e demonstrar reciprocidade social e emocional;
  • habilidades motoras naturais e comportamentos consistentes com consciência física / espacial;
  • controle do intestino ou da bexiga (se já estiver presente).
  • comportamentos restritos, repetitivos ou estereotipados (como balançar a cabeça ou agitar as mãos) não relacionados a outras condições.

As crianças com TDI, muitas vezes, são incapazes de um diálogo extenso com outras pessoas e podem evitar iniciar a comunicação, mesmo em ambientes confortáveis. Também podem apresentar regressão nas habilidades sociais já adquiridas, ter dificuldades para fazer ou manter amigos. 

Elas também podem responder de forma inadequada a situações sociais, como não dizer olá e adeus ou responder perguntas dirigidas a eles. Por último, os pais podem notar o início de novos movimentos repetitivos, acidentes urinários ou de fezes quando não havia nenhum.

Tratamento para o Transtorno Desintegrativo da Infância

O tratamento para TDI será semelhante ao tratamento para autismo, pois a ênfase é geralmente na intervenção precoce, baseada no comportamento e nas necessidades específicas de cada criança. 

As possíveis terapias para TDI incluem fonoaudiologia, terapia ocupacional, terapia de integração sensorial e desenvolvimento de habilidades sociais. Como no TEA, não há terapias farmacológicas específicas para TDI, mas dependendo dos sintomas da criança, alguns antipsicóticos ou inibidores seletivos da recaptação da serotonina podem ajudar a tratar alguns dos sintomas comportamentais.

O envolvimento e a educação dos pais são essenciais para o sucesso do tratamento. Para melhorar o que é ensinado e aprendido nas terapias, a criança também deve ser encorajada e instruída em casa pelos pais.

Se você gostou de saber um pouco mais sobre o Transtorno Desintegrativo da Infância, compartilhe este artigo em suas redes e ajuda outras pessoas!

Referências:

MERCADANTE, Marcos T; VAN DER GAAG, Rutger J  and  SCHWARTZMAN, Jose S. Transtornos invasivos do desenvolvimento não-autísticos: síndrome de Rett, transtorno desintegrativo da infância e transtornos invasivos do desenvolvimento sem outra especificação. Rev. Bras. Psiquiatr. [online]. 2006, vol.28, suppl.1 [cited  2021-03-29], pp.s12-s20.

PESSIM, Larissa Estanislau. HAFNER, Maylu Botta. TRANSTORNOS INVASIVOS DO DESENVOLVIMENTO INFANTIL.

Você também pode se interessar...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *