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Qual a importância dos sistemas sensoriais para crianças com TEA

Muitas crianças e adultos com Transtorno do Espectro Autista têm dificuldade em organizar, interpretar e responder apropriadamente às informações sensoriais. 

Como resultado, eles têm sistemas sensoriais que reagem de forma exagerada ou insuficiente. E com isso, podem reagir de maneira inesperada a sons, toque e textura de tecido e costuras de suas roupas. 

Neste artigo iremos falar sobre a importância dos sistemas sensoriais para crianças com TEA. Continue lendo e deixe seu comentário ao final!

O que são sistemas sensoriais?

Sistemas sensoriais são a constituição de órgãos que recebem e levam os estímulos ao nosso redor para nosso cérebro, como por exemplo nossos olhos, nariz, orelha e etc.

Dentro destes estímulos, todos já tivemos experiências sensoriais desagradáveis ​​ou perturbadoras em algum momento de nossas vidas. 

Os mais comuns incluem o som do arranhar de unhas no quadro-negro, etiquetas de roupas que coçam, luzes fortes ou alimentos muito frios. 

Cada pessoa tem sua própria lista de sensações desagradáveis e nenhuma lista de duas pessoas será idêntica. 

Por exemplo, algumas pessoas têm dificuldade para dormir com a televisão ligada ao fundo, enquanto outras acham que os ruídos da TV as ajudam a adormecer mais rápido. 

Uma pessoa pode se encolher ao som de freios rangendo, enquanto outra pode nem mesmo notar o som. Algumas pessoas gostam de toques leves na pele, enquanto outras sentem cócegas e não toleram tais toques. 

Sistemas Sensoriais no TEA

Problemas sensoriais extremos são muito comuns no Transtorno do Espectro Autista. 

Algumas crianças com TEA não toleram sons ou abraços, enquanto outras não percebem sons e gostam de abraços. 

Uma criança pode ter uma reação explosiva e exagerada a ruídos altos, enquanto outra pode nem mesmo reagir. 

Crianças com problemas sensoriais têm dificuldade em filtrar informações sensoriais. Seus sistemas nervosos não sabem o que devem bloquear e o que devem amplificar.

Visualmente, os indivíduos com TEA podem ter um olhar atípico e uma incapacidade de detectar emoções a partir dos dados visuais que percebem nos rostos.

A Importância dos Sistemas Sensoriais para crianças com TEA

Uma criança com sistemas sensoriais hiperativos pode evitar participar de atividades que envolvam movimento. 

Isso acontece porque ela pode se sentir enjoada com muita facilidade e por isso, pode resistir a atividades como subir ou descer escadas. 

Também é comum que elas procurem ajuda para realizar tarefas aparentemente simples, como caminhar, ou preferirem ficar no colo ao invés de caminhar.

Em contraste, crianças com sistemas sensoriais hipoativos procuram ativamente atividades que envolvam movimento. 

Eles podem gostar de se balançar ou outras atividades que envolvam movimento e possivelmente não ficam tontos depois de girar em círculos. 

No entanto, podem precisar de uma adaptação em relação ao movimento excessivo, em vez de precisar de incentivo para simplesmente se engajar no movimento (como pode ser o caso com crianças com sistemas sensoriais hiperativos).

Entender como funcionam os sistemas sensoriais de cada criança é importante pois ajuda os profissionais envolvidos no processo terapêutico a entenderem como direcionar esse processo de uma maneira agradável e eficaz. 

Exemplos de Problemas Sensoriais no Autismo

Uma das manifestações mais comuns de distúrbios nos sistemas sensoriais no autismo é a ausência de contato visual.

A criança pode desviar o olhar e achar difícil olhar uma pessoa nos olhos, além de não prestar atenção a diferentes pistas visuais que ocorrem durante uma interação social.

Crianças com problemas sensoriais táteis podem ter dificuldade em tolerar as sensações geradas enquanto se vestem ou se arrumam, ou mesmo enquanto mastigam alimentos. 

Os terapeutas podem trabalhar com crianças sensíveis ao tato para dessensibilizá-las a texturas e sensações de toque inevitáveis. 

Isso pode acontecer gradualmente ao longo do tempo, ensinando as crianças a serem capazes de tolerar durações cada vez maiores de contato com as sensações evitadas.

Outros exemplos podem incluir:

  • Comportamento de busca sensorial incomum, como cheirar objetos ou olhar fixamente para objetos em movimento.
  • Comportamentos de evasão sensorial incomuns, incluindo evasão de sons e texturas cotidianas, como secadores de cabelo, etiquetas de roupas, aspiradores de pó e areia.
  • Comportamentos auto estimulatórios, como bater na própria testa, bater palmas e andar na ponta dos pés.

Soluções Terapêuticas

As caixas sensoriais são uma ferramenta ou suporte comum usado durante as atividades de integração sensorial. 

Essas caixas são recipientes que podem ser enchidos com vários conteúdos (pinhões, massa, seda, etc.) para fornecer uma experiência contida de uma textura evitada ou desejada. 

Crianças sensíveis ao toque com autismo são incentivadas a passar as mãos por essas caixas para obter acesso controlado à estimulação durante um procedimento de dessensibilização. 

Como alternativa, as crianças que desejam sensações específicas podem usar as caixas para obter acesso ao seu estímulo favorito. 

Em alguns casos, o acesso às caixas é uma recompensa por si só, que os terapeutas podem usar para motivar outro comportamento desejado. 

Areia, lençóis, caixas, brinquedos e acesso a espaços protegidos para brincar são outros meios para fornecer várias formas de estimulação sensorial a crianças sensíveis.

Concluindo

Portanto, a importância de reconhecer como os sistemas sensoriais atuam de formas diferentes no autismo está em conseguir fornecer o melhor apoio e tratamento para cada caso específico dentro do espectro.

Gostou do artigo? Comente aqui embaixo!

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Referências:

Gracepointwellness.org. 2021. Sensory Integration – Autism Spectrum Disorder. [online] Disponível em: <https://www.gracepointwellness.org/20-autism-spectrum-disorder/article/8790-sensory-integration> [Acesso em14 setembro 2021].

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1 resposta em “Qual a importância dos sistemas sensoriais para crianças com TEA”

Esta me ajudando muito. Tenho uma criança na turma. Que está sendo diagnosticado ainda. Mas seu irmão já foi diagnosticado. Ele tem aspectos que chamam atenção. Não olha nem responde a chamados; não gosta de volume de música alta; não aceita ordens em determinadas situações, como horários de determinadas ações.

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