Voltar

Síndrome de Down na escola: dicas e práticas de inclusão

A inclusão de crianças com necessidades especiais, como lei e prática no Brasil e no mundo, visa promover uma educação para todos. Ainda que represente um desafio para familiares, professores e profissionais da saúde, por falta de apoio ou preparação adequada, muito temos aprendido com essa prática.

A criança com Síndrome de Down tem necessidades especiais, mas assim como todas as crianças. A inclusão na escola tem nos ensinado a importância de considerar cada aluno — suas habilidades e dificuldades — no planejamento pedagógico. Não existe uma única receita para ensinar a todos.

No entanto, conhecendo as características da Síndrome de Down, fica mais fácil receber a criança e sua família na escola, assim como adaptar as estratégias de ensino. Neste artigo, vamos dar algumas dicas e práticas de inclusão das crianças com Síndrome de Down na escola. Boa leitura!

Síndrome de Down na escola

Muitas crianças com Síndrome de Down têm associada a Deficiência Intelectual (DI), o que leva a dificuldades na aprendizagem. Tais dificuldades podem estar relacionadas à linguagem, raciocínio lógico, memória e refletir na socialização e na autonomia.

Dessa forma, a criança com Síndrome de Down na escola precisa de estratégias diferenciadas no processo de aprendizagem. É muito importante que seja realizado um planejamento pedagógico que considere as características de cada criança. 

O professor precisa conhecer as potencialidades de seu aluno, assim como suas maiores dificuldades, cognitivas e comportamentais. Por esse motivo, é essencial a participação da família, assim como dos profissionais que trabalham com a criança fora da escola.

Estratégias norteadoras para a inclusão

Ainda que o planejamento precisa ser individualizado, algumas estratégias podem ser norteadoras para a inclusão das crianças com Síndrome de Down na escola. São elas:

Adaptação do currículo

Muitas vezes, será necessária uma adaptação no currículo, adequando-o às necessidades da criança de Síndrome de Down. Isso não significa que ela irá aprender algo diferente dos colegas de turma, mas que o conteúdo será abordado e avaliado de uma forma específica.

Suporte concreto e visual

As crianças com Síndrome de Down aprendem melhor com estímulos visuais e materiais concretos. Sempre que necessário, o professor deve utilizar esses recursos para trabalhar os conteúdos em sala de aula.

Fragmentação de conteúdos

Ao trabalhar um conteúdo em sala de aula, busque estratégias de fragmentação. A repetição é importante para as crianças com Síndrome de Down e o trabalho em etapas facilita a memorização e o aprendizado.

Use uma linguagem clara

Assim como os recursos concretos ajudam na aprendizagem da criança com Síndrome de Down, os comandos do professor também devem ser claros e simples. Isso para que o entendimento do que deve ser feito ou é esperado do aluno naquele momento possa ser melhor compreendido por ele.

Raciocínio abstrato

Principalmente nos anos iniciais na escola, as crianças com Síndrome de Down ainda aprendem muito pelo concreto. O professor deve valorizar seus progressos nesse sentido, sem deixar de trabalhar o raciocínio lógico.

Repetição

Como dissemos, a memorização dos conteúdos depende da repetição. A prática é muito importante para todas as crianças na aprendizagem, principalmente para as com Síndrome de Down.

Dicas e práticas de Inclusão:

Conhecendo as características comuns na Síndrome de Down, é possível pensar em estratégias e atividades para a sala de aula. Preparamos algumas dicas para te inspirar, confira!

Estratégias de alfabetização

As crianças com Síndrome de Down costumam apresentar déficits de linguagem que dificultam a alfabetização. A aprendizagem de leitura pelo método fônico (som da letra) pode não ser o mais indicado. Ao mesmo tempo, elas costumam ter boa memória visual. 

Dessa forma, as estratégias de alfabetização que trazem mais benefícios são as que trabalham com a palavra inteira, como o método global. Trabalhar as letras e os sons deve ser um segundo passo na alfabetização das crianças com Síndrome de Down.

Outra dica é usar lápis mais grosso ou adaptadores com apoio para os dedos, trabalhando a escrita das letras com um tamanho maior. As crianças com Síndrome de Down podem apresentar hipotonia muscular, o que leva a dificuldades com a coordenação motora fina.

Utilize apoio visual e materiais concretos para trabalhar a matemática. Aprender matemática exige muita capacidade de abstração e raciocínio lógico e esses materiais ajudam a contextualizar o conteúdo, facilitando a compreensão do mesmo.

Essas são algumas orientações importantes para os anos iniciais da criança com Síndrome de Down na escola. O trabalho com as diferenças é um desafio para todos, mas também um aprendizado valioso. 

O mais importante no processo de ensino aprendizagem é fazer com que a criança se sinta capaz de superar as suas dificuldades, potencializando as suas habilidades. Essa é a verdadeira inclusão e estamos aprendendo com as crianças com Síndrome de Down, que não só elas, mas todas as crianças, têm necessidades especiais.


Referências:

MIRANDA, Edna Maria. A Prática Pedagógica com Alunos com Síndrome de Down nos Anos Iniciais. Disponível em: https://psicologado.com.br/atuacao/psicologia-escolar/a-pratica-pedagogica-com-alunos-com-sindrome-de-down-nos-anos-iniciais

https://diversa.org.br/sindrome-de-down-escola-dicas-praticas-inclusao/

Você também pode se interessar...

19 respostas em “Síndrome de Down na escola: dicas e práticas de inclusão”

Olá por favor me orientem a melhor escola de ensino médio para minha filha com síndrome de down que está com 19 anos. Está escola tem que ter ensino d vida do cotidiano também

Eu não sinto dificuldade em adaptar os materiais, mudar o planejamento e elaborar atividades concretas, tudo isso é muito claro no meu trabalho e, é aplicado para todas as crianças que tem necessidades específicas. A minha dificuldade é entender a resistência das crianças com síndrome de Down em cumprir regras. Observo que respeitar o tempo de concentração, adaptar as atividades, mudar a metodologia das aulas ,adicionar o lúdico e o material concreto não são ferramentas suficientes para que a criança atenda as regras básicas da escola. Sendo assim, o professor decorre mais tempo ensinando as regras e cuidando do aluno (sei que isso faz parte também do trabalho), do que ensinando o pedagógico.

Olá Maria,
Acesse nossos canais, temos muitas informações importantes lá que podem ter respostas para suas dúvidas. Vale a pena conferir!!!
YouTube: https://youtube.com/neurosabervideos
Facebook: NeuroSaber
Instagram: @neurosaberoficial
TELEGRAM NEUROSABER https://t.me/joinchat/Rie71UDhpRQwZTBh
Artigos em nosso Blog: http://www.neurosaber.com.br/artigos
Conheça também nossos Programas, cursos e NeuroPalestras: https://lp.neurosaber.com.br/neurosaber-cursos/

Bom dia , também estou com dificuldade para adaptar atividades,fora que eles só aprende visual.
Bom queria saber se você já conseguiu se adaptar? Se poder passar dicas agradeço

Bom dia , também estou com dificuldade para adaptar atividades,fora que eles só aprende visual.
Bom queria saber se você já conseguiu se adaptar?

bom dia!sou professor do oitavo ano do ensino fundamental e esse ano vou precisar faser o (PEI) sera que seria possivel uma orientação,desde ja agradeço.

Sou professor de SRM e eu tenho aluna com Down e outros alunos especiais. Todos, sem exceção estavam no nível pré-silábico quando entrei nessa turma, utilizei o método fônico e todos, também sem exceção evoluíram para silábico em questão de meses. Até levei um susto quando li acima. Entende-se que o nível de dificuldade da leitura é maior em TEXTO → FRASE → PALAVRA → SÍLABA → FONEMA. Se o aluno tem dificulade de associar grandes conjuntos, não seria correto começar pela menor unidade? A cada dia que desenvolvo meu trabalho, mais considero um erro trabalhar o método global com criança com dificuldade, mesmo que não seja especial, muitas chegam ao 3º ano do EF e sabem o “NOME” de todas as letras, mas não sabem os SONS e por isso, não conseguem discorrer.

Texto muito esclarecedor!
Ser docente é ir além dos conhecimentos didáticos e pedagógicos. Pressupõe conhecimentos que abarquem toda a pentadimensão humana, em suas vertentes psíquica, biológica, física, social e espiritual, principalmente quando se trata do ensino a sujeitos com NEE-Necessidades Educativas Especiais. Quanto ao ensino-aprendizagem dos portadores de Trissomia do cromossomo 21(Down), os educadores devem utilizar as TICs e usar de estratégias que primeiramente despertem o interesse do educando para manter sempre o foco de atenção.

Sou AAEE, no Município do RJ. A escola recebeu esse ano o aluno com Down, tenho acompanhado o aprendizado dele, trabalho com o visual e com músicas dentro do contexto. Ele tem dificuldades na fala e é resistente às regras. Gostaria de mais esclarecimento sobre como alfabetizar esse aluno, já que ele se encontra no oitavo ano do ensino fundamental e não escreve e nem lê.

Meu primeiro ano com uma aluna com down, menina inteligente, com potencial incrivel. Ela está no quarto ano e lê e escreve apenas dois numeros, o 2 e o 3, nada além. Fica super orgulhosa quando pergunto quais são esses números e ela olha super feliz pra me responder com toda segurança. Estou como uma louca estudando tudo o que eu posso, quero oferecer o melhor para estimular cada vez mais o que ela tem em potencial.

Sou mãe de uma criança com síndrome de down…fico muito feliz….. E me deparar com a profissional como você parabéns minha linda que Deus te abençoe,…

Boa tarde, estou tentando ajudar a uma família com filha que tem Síndrome de Down, só encontrei as escolas CEDE e ADID. A Adid vai apenas até o 5o. ano. Vocês teriam outras referências de escolas para crianças com Down ? Obrigada.

Atualmente trabalho numa sala de aula do 2º ano, tenho alunos com sindrome de Down, não é fácil adaptar as atividades ao plano de curso e a ABNC. Gostei de ler este artigo e das dicas apresentadas, obrigada pelas sugestões de links e das estratégias norteadoras também, pois obtive informações que compreendi melhor como ensinar criança com sindrome de Down, elaborar atividades adaptadas no planos de aula.

Sou estagiária em uma escola, onde venho atuando como mediadora de aluna down, eu e a professora estamos tendo dificuldades em encontrar atividades que despertem o interesse da aluna e que a mantenha concentrada, ela é bem agitada e não obedece comandos a longo prazo, sendo necessária constante repetição das regras básicas da sala de aula. As atividades que ela demonstrou interesse foram apenas de pintura com tinta guaxe, pois com o lápis de cor ela não gosta.
Outras atividades que tentamos foram sem sucesso, mas estou buscando fontes, pesquisando em vários lugares para tentar achar formas de fazê-la evoluir.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *