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TDAH e o Hiperfoco

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um transtorno de natureza neurobiológica, comum durante a infância e que pode acompanhar o indivíduo durante toda sua vida. A pessoa que possui TDAH costuma ter dificuldade em manter a atenção, gerenciar seus níveis de energia e controlar os impulsos.

Ao contrário da distração, uma das características também presentes em crianças com TDAH é o hiperfoco. Neste artigo vamos entender um pouco mais sobre ele e algumas atividades que podem ajudar no desenvolvimento da criança.

O que é hiperfoco?

O hiperfoco em crianças com TDAH classifica-se como a capacidade que elas possuem em se concentrar em algo e permanecer durante muito tempo super concentradas naquilo. Seu hiperfoco é ativado quando estão fazendo atividades que gostam e são agradáveis para ela, atividades que são do seu interesse, como um jogo, um trabalho ou algum objeto que eles gostem, por exemplo. 

Isso explica o porquê algumas crianças e adultos conseguem passar horas jogando, lendo, trabalhando em algo que gostam, por exemplo, e perdem a concentração facilmente na hora de realizarem outras tarefas.

De acordo com estudos, o hiperfoco é resultado de baixos níveis de dopamina, um neurotransmissor nos lobos frontais do cérebro que atua no sistema de recompensa imediata, motivação e prazer. Com isso, a carência de dopamina torna difícil a troca de comandos para realizar as tarefas que muitas vezes podem ser chatas, mas muito necessárias.

Em algumas vezes, a concentração pode ser excessiva, fazendo com que as crianças não prestem atenção ao seu redor. Porém, o hiperfoco em crianças com TDAH pode ser usado em favor dela, quando entendemos do que elas gostam e regulando momentos para esses interesses.

Saiba mais sobre como ajudar a criança hiperfocada:

Estratégias para gerenciar o hiperfoco:

É possível tornar o hiperfoco em uma vantagem para auxiliar no desenvolvimento da criança com TDAH. Algumas estratégias para ajudar são:

1. Criar um cronograma

Desenvolva um cronograma que ajude a criança a controlar suas atividades, incentivando-a a criar uma rotina onde consegue limitar um tempo entre as outras atividades necessárias que elas não gostam tanto e as atividades prazerosas.

Criar um cronograma também pode ser muito útil para fazer com que eles sejam capazes de estabelecer prioridades do que devem fazer e evitar que foquem em apenas uma atividade por muito tempo. 

2. Marque os tempos finais

Você pode usar o tempo final de um filme, um episódio de série ou uma música para indicar à criança que ela precisa reorganizar a sua atenção. Isso auxilia para que ela não fique hiperfocada por muito tempo.

3. Atividades que envolvam outras pessoas

Desenvolva e proponha atividades que envolvam outras pessoas, ajudando-os a não ficarem sozinhos.

4. Crie lembretes!

Indivíduos com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade costumam se perder facilmente e não concluir algumas tarefas, por isso, assim como o cronograma, os lembretes ajudam-os a focar nas tarefas que eles têm de terminar.

5. Controle as distrações

A televisão e o videogame, por exemplo, podem ser uma fonte de distração e a criança pode começar a ativar seu hiperfoco. Por isso, desligue esses aparelhos ou leve a criança para outro ambiente quando for necessário que ela se concentre em outras tarefas.

Duração do hiperfoco

O tempo de duração no hiperfoco em alguns casos, ou coisas, podem parecer surgir do nada e durar semanas, meses ou até mesmo anos. Uma coisa é certa: quando um terminar, será substituído por outro. 

Não precisa se preocupar, a capacidade de hiperfocar em algo que se torna um interesse especial e se desenvolve em conhecimentos e habilidades genuínas pode se tornar uma plataforma para o sucesso e possivelmente uma carreira.

Referências:

FIGUEIREDO, Juliete de Souza. Um estudo de caso a partir da atuação psicopedagógica utilizando estratégias lúdicas com o TDAH. 2015.

LUIZÃO, Andréia Migliorini; SCICCHITANO, Rosa Maria Junqueira. Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade: um recorte da produção científica recente. Revista Psicopedagogia, v. 31, n. 96, p. 289-297, 2014.

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