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Transtorno do processamento sensorial no TEA

O transtorno do processamento sensorial é um conjunto de alterações na forma como o cérebro recebe, integra e organiza informações para realizar atividades e cumprir papéis sociais.
As alterações sensoriais afetam crianças com transtorno do Espectro Autista (TEA), mas podem ocorrer em indivíduos com deficiência intelectual também. É muito importante entender que esse transtorno tem uma base biológica e pode ser tratado.
As crianças com TEA  apresentam reatividade sensorial atípica, que podem estar relacionadas com alterações sensoriais. Nesse sentido, considerar a existência do transtorno sensorial ajuda a entender esses comportamentos, sendo muito relevante para o manejo do seu tratamento. 
Neste artigo, falamos sobre processamento sensorial, transtorno do processamento sensorial no autismo e as formas de tratamento. Vem com a gente!

O que é processamento sensorial 

Para começar a entender o transtorno de processamento sensorial no autismo, vamos falar de sensorialidade — a forma como nosso cérebro recebe, integra e organiza informações. Isso para podermos realizar tarefas e atividades, assim como cumprir adequadamente um papel social. 
Sensorialidade é a percepção de sensações olfativas, gustativas, táteis, auditivas, visuais e proprioceptivas. É a capacidade de perceber, sentir e identificar objetos, sons, gostos, cores, etc, assim como poder interpretar as sensações do próprio corpo. A capacidade de integrar as diferentes sensações só é possível pelo processamento sensorial.

O que é transtorno do processamento sensorial

O transtorno do processamento sensorial — anteriormente chamado de transtorno de integração sensorial — define distúrbios na capacidade de processamento e integração de estímulos. 
É uma condição neurofisiológica onde as sensações são recebidas e interpretadas de forma atípica, gerando respostas também atípicas, principalmente nas pessoas com TEA. Por exemplo: para uma criança com transtorno do Espectro Autista, processar sentimentos de calor ou frio, cansaço, fome, luzes e sons pode ser muito desafiador e, até mesmo, avassalador. 

Alterações sensoriais no autismo

No DSM-V — Manual Diagnóstico e Estatístico dos transtornos mentais — foram descritos três principais padrões sensoriais no TEA: hiporreatividade, hiperreatividade e busca sensorial. Alguns autores acrescentam a percepção aprimorada como um quarto padrão. 
As alterações sensoriais causadas pelo transtorno de processamento sensorial, afetam o comportamento das crianças com TEA, impactando a sua rotina. Atividades do dia-a-dia como comer e dormir podem se tornar problemáticas, assim como alterações no ambiente.
As pessoas com TEA podem viver as experiências sensoriais com angústia e ansiedade, mas também com grande fascínio e interesse. Quando estas são vividas com angústia, podem levar a comportamentos restritivos e repetitivos. 
Dessa forma, é muito importante que pais, professores e profissionais que acompanham as crianças com TEA fiquem atentos aos sinais de ansiedade, pois muitas vezes elas têm dificuldade de comunicar o que está incomodando.

Sinais de transtorno sensorial de processamento em crianças com TEA

  • Intolerância a texturas e certas roupas: algumas crianças com TEA  não conseguem suportar a sensação de certas roupas em seus corpos. As ideais são aquelas com poucas costuras e sem etiquetas. 
  • Intolerância a certos ruídos ou barulhos altos: algumas crianças podem se incomodar com determinados sons, como aspiradores, sirenes ou bebês chorando. Esses ruídos chegam a causar dor física nos portadores de transtorno sensorial.
  • Texturas e cores dos alimentos.
  • Dificuldade em usar habilidades motoras finas, como giz de cera ou caneta, colocar roupas pequenas em bonecas ou usar botões nas roupas.
  • Dificuldade com mudanças ou transições. Embora todas as crianças pequenas precisam de tempo de transição, uma criança com transtorno sensorial pode ter mais dificuldade para mudar de atividade, cômodo, casa ou escola. 
  • Desajeitado: esbarrar em coisas ou pessoas. As pessoas com alterações sensoriais podem ter dificuldade em localizar seus corpos no espaço.

Formas de tratamento do transtorno sensorial no autismo

Em primeiro lugar, vale ressaltar que cada criança é única. Cada situação terá que ser trabalhada de uma forma adequada às necessidades de cada um. 
Existem muitas maneiras de tratar o transtorno sensorial no autismo, mas para encontrar o caminho certo, é preciso a lembrar que cada pessoa é diferente e experimentará o mundo de maneiras que nem sempre iremos entender. 
O melhor tratamento para suavizar o impacto das alterações sensoriais nas crianças com TEA,  é o multidisciplinar. É fundamental contar com o acompanhamento de neurologista que trabalhe com autistas, terapeuta ocupacional, psicólogo, fonoaudiólogo e médico.
Para concluir, frisamos a importância da compreensão da existência do transtorno processamento sensorial, não só para entender comportamentos das crianças com TEA, mas para evoluir no tratamento do autismo.
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Referências:
POSAR, Annio. Alterações sensoriais em crianças com transtorno do espectro do autismo. J. Pediatr. (Rio J.) vol.94 no.4 Porto Alegre jul./ago. 2018.
https://autismawarenesscentre.com/does-my-child-have-sensory-processing-disorder/

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