Sinais Precoces de Autismo em Crianças

Mãe observando sinais precoces de desenvolvimento do bebê

Os sinais precoces de autismo em crianças costumam aparecer já antes dos 16 meses, e muitas vezes passam despercebidos por serem confundidos com características individuais do próprio bebê. Quais são os sinais que merecem atenção, afinal? Por isso, vale ficar atento a qualquer sinal atípico que a criança apresente, desde a fase de amamentação até a fase de comunicação e interação social mais ampla. Identificar esses sinais precocemente é importante, embora nenhum sintoma isolado seja suficiente para compreender o quadro completo — é o conjunto de observações que orienta o diagnóstico de TEA.

Os sinais de autismo são individuais

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) — ou transtorno do espectro do autismo — afeta as áreas motora, cognitiva e social do desenvolvimento infantil, e por isso se manifesta de forma bastante individualizada em cada indivíduo. Ainda assim, existem alguns padrões observados com frequência, que os pais podem acompanhar desde os primeiros meses de vida. Cada criança tem seu próprio ritmo, e é importante ficar atento aos sinais precoces sem comparar rigidamente uma criança a outra ou tentar encaixá-la numa categoria fixa de classificação.

Sinais que podem aparecer antes dos 16 meses

Quando falamos de bebês com menos de 12 meses, alguns sinais podem ser confundidos com a própria personalidade da criança — por exemplo, um bebê muito “quieto” ou que não se adapta facilmente a mudanças. A tabela abaixo resume os sinais mais observados em cada fase:

FaseSinais mais observados
Antes dos 12 mesesDesatenção à voz do adulto; não balbucia; o olhar não procura a mãe quando ela se afasta; não estende os braços para pedir colo; falta de contato visual durante a amamentação; não responde com imitação a ações como sorrir; falta de resposta ao carinho; não brinca com outras crianças ou adultos; certa frieza em relação aos sentimentos alheios
Até os 16 mesesNão faz “tchauzinho” com as mãos; ausência de fala; dificuldade em demonstrar desejo sobre algo; não procura com o olhar; não gosta de ser tocado; locomoção atípica, como andar na ponta dos pés

Imitação: um marco social importante

Além dos sinais listados acima, a capacidade de imitar gestos e ações é um marco de desenvolvimento importante que costuma se consolidar entre 1 e 2 anos. Bebês com desenvolvimento típico tendem a repetir espontaneamente gestos simples que veem os adultos fazerem — bater palmas, mandar beijo, imitar uma careta engraçada. Em crianças com TEA, essa imitação pode aparecer com menos frequência ou exigir mais estímulo do adulto para acontecer, o que reflete uma diferença real na forma como a criança processa e reproduz ações sociais observadas.

Brincar compartilhado e gestos sociais entre 2 e 3 anos

Por volta dos 2 e 3 anos, outro sinal social importante é a capacidade de brincar de forma compartilhada — ajustando uma brincadeira ao interesse de um coleguinha, em vez de apenas brincar em paralelo, sem trocas reais. Gestos sociais mais elaborados, como acenar para chamar atenção de alguém ou esticar os braços pedindo colo em um contexto social (não só com os cuidadores mais próximos), também costumam se consolidar nessa fase. A dificuldade em ajustar uma brincadeira ao interesse do outro, ou em iniciar esse tipo de troca social espontaneamente, pode ser um sinal a mais observado nessa faixa etária — sempre em conjunto com os demais, nunca isoladamente.

Por que cada criança se manifesta de um jeito

Nenhum desses sinais, isoladamente, confirma nada. O que importa é o conjunto de observações ao longo do tempo, já que cada criança tem seu próprio ritmo de desenvolvimento. É natural que um bebê apresente um ou outro comportamento de forma isolada sem que isso indique TEA — a atenção deve se voltar para um padrão consistente e persistente.

Diagnóstico e acompanhamento contínuo

O TEA é uma condição do neurodesenvolvimento, e o diagnóstico de TEA costuma ser feito com base em critérios de comportamento observados ao longo do tempo, não em um único exame — é o autismo entendido como um conjunto de características, não um evento isolado. O diagnóstico precoce, com identificação dos sinais precoces do autismo já nos primeiros anos, favorece o desenvolvimento significativo da criança. Após a identificação, cada pessoa recebe uma classificação por nível de suporte, que indica o grau de auxílio necessário no dia a dia — geralmente com apoio de uma equipe multidisciplinar, que pode incluir terapia com fonoaudiólogos, psicólogos e terapeutas ocupacionais. Algumas crianças apresentam padrões repetitivos de comportamento restrito, dificuldade em manter uma rotina flexível, e dificuldades na comunicação com outras pessoas, tanto verbal quanto não verbal — cada habilidade e cada caso variam bastante de uma criança para outra.

O acompanhamento especializado costuma ser contínuo, muitas vezes ao longo da vida, com o objetivo de fortalecer a autonomia e possibilitar mais qualidade de vida da criança em cada fase do desenvolvimento. Isso não significa que toda suspeita de TEA levará a um tratamento igual — cada estratégia de intervenção é pensada para as necessidades específicas de cada indivíduo, ajudando-o a comunicar suas necessidades e a participar ativamente da própria rotina, com participação ativa da família em todo o processo.

Quando procurar avaliação

A partir do momento em que os pais percebem alguns sinais precoces de forma consistente, o melhor a fazer é conversar com o pediatra ou procurar um neuropediatra. Assim, é possível acompanhar o desenvolvimento da criança de perto e, se necessário, encaminhar para uma identificação mais precisa. Quanto mais cedo esse acompanhamento começa, mais cedo é possível promover estratégias que ajudem a família a lidar com os desafios do dia a dia, favorecendo o desenvolvimento cognitivo e social da criança — por isso, vale procurar orientação profissional mesmo diante de uma pequena desconfiança.

Conclusão

Os sinais precoces de autismo em crianças vão desde comportamentos observados ainda na amamentação até marcos sociais mais elaborados, como a imitação e o brincar compartilhado entre 2 e 3 anos. Reconhecer esse conjunto de sinais, sem alarmismo e sem comparações rígidas entre crianças, é o que ajuda a família a buscar avaliação no momento certo, favorecendo também a inclusão da criança em diferentes ambientes desde cedo. Para se aprofundar em sinais de outras fases específicas, veja o Guia de Sinais de Autismo por Fase do Desenvolvimento, e sobre a faixa de 1 ano especificamente, consulte Sinais de Autismo em Bebês de 1 Ano.

Assista também ao vídeo do neuropediatra Dr. Clay Brites sobre o tema:

Este conteúdo tem caráter educacional e informativo e não substitui avaliação ou acompanhamento por profissionais da saúde e da educação.

Perguntas Frequentes

Quais sinais de autismo podem aparecer antes dos 16 meses?

Sinais como desatenção à voz do adulto, ausência de balbucio, falta de contato visual durante a amamentação, pouca resposta ao carinho e locomoção atípica, entre outros, listados por faixa etária ao longo deste artigo.

Por que a imitação é um marco social importante?

Porque é uma das primeiras formas de a criança reproduzir e aprender com ações sociais que observa nos adultos — sua ausência ou baixa frequência pode ser um sinal relevante quando combinado a outros.

O que é brincar compartilhado e por que ele importa?

É a capacidade de ajustar uma brincadeira ao interesse de outra criança, em vez de apenas brincar ao lado dela sem troca real — um marco social que costuma se consolidar entre 2 e 3 anos.

Quando devo procurar avaliação?

Quando os sinais aparecem de forma consistente e persistente ao longo do tempo — mesmo diante de uma pequena desconfiança, vale procurar um pediatra ou neuropediatra.

Referências Científicas

ZWAIGENBAUM, Lonnie et al. Early identification of autism spectrum disorder: recommendations for practice and research. Pediatrics, v. 136, supl. 1, p. S10–S40, 2015.

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders: DSM-5-TR. 5. ed. rev. Washington, DC: American Psychiatric Publishing, 2022.

Foto de Luciana Brites

Luciana Brites

Fundadora do Instituto NeuroSaber, Doutoranda em Ciências do Desenvolvimento Humano e Mestra em Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Mackenzie, Pedagoga, Psicopedagoga, Psicomotricista, Especialista em Educação Especial na área de Deficiência Intelectual e Psicopedagogia Clínica e Institucional. Autora de vários livros, programas educacionais e palestrante. Seu livro "Brincar é fundamental: como entender o neurodesenvolvimento e resgatar a importância do brincar durante a primeira infância" foi finalista do 63 Prêmio Jabuti (2021) na categoria Ciências. Agraciada pela Comissão de Educação e pela mesa diretora da Câmara de Deputados, ao prêmio Darcy Ribeiro de Educação, menção honrosa concedida para quem cujos trabalhos ou ações mereceram especial destaque na defesa e promoção da Educação no Brasil.

Respostas de 10

  1. Tenho um neto de 3 anos por consideração e percebi pelas reações que ele ainda não fala completamente as palavras e de acordo com os artigos lidos me deparei com alguns comportamentos de ETA. Como saber se meu neto tem alguma anormalidade.
    Alguns pontos observados:
    ● atraso na fala
    ● nao interage com outras crianças na escola
    ● nao dá atenção quando chamam
    ● as vezes percebo uma individualidade

    1. Olá, Rosemeri

      Esse comportamento pode ser por muitos motivos diferentes. Temos muitos conteúdos que podem te ajudar a entender melhor isso.
      Acesse youtube.com/neurosabervideos e também aqui em nosso blog temos mais artigos que podem te ajudar.

      Webster – Equipe NeuroSaber

  2. Boa Noite, eu atenho quase certeza que tenho autismo, mas sempre me deparo com artigos ou profissionais sempre voltados para as crianças. Não consigo encontrar um profissional em são paulo que atenda e faça diagnóstico em adultos. Teria algum profissional para indicar? Tenho 36 anos. Obrigada

    1. Olá Juliana, tudo bem?

      Recomendamos que procure um neurologista, como não temos parceria na cidade, não temos nenhuma indicação no momento.

      Sol,
      Equipe NeuroSaber 💙

  3. Boa noite,tenho dois netos gêmeos, com suspeita de autismo. Um deles não está querendo comer.tem algum local no Rio de Janeiro, que faça tratamento gratuito?agradeço a atenção. POIS NAO SABEMOS O QUE FAZER

    1. Olá Ana Cláudia, tudo bem?

      Procure um UBS (Unidades Básicas de Saúde)do seu bairro, para mais informações de como solicitar um encaminhamento com o especialista(Neurologista).

      Sol,
      Equipe NeuroSaber 💙

  4. Meu marido tem síndrome de Asperger, percebi algumas coisas na minha bebê (1 ano e 2 meses)… O que devo fazer?
    Ela falava algumas palavrinhas (papai, mama, dá, mais) e parou de falar
    Ela não olha de frente para as pessoas, ela abaixa a cabecinha e olha de baixo pra cima…
    Ela não para um minuto, não dorme direito, fica andando de um lado para outro por bastante tempo.
    Ela não brinca com as outras crianças, prefere brincar sozinha.
    Ontem fui tentar brincar com ela, ela não aceita, ela vira de costas e brinca sozinha…
    Quando não damos o que ela quer, ela arranca os próprios cabelos, puxa e arranca… já fez isso 3 vezes

    1. Olá Priscila, tudo bem?

      Sem avaliação não podemos dar uma orientação precisa sobre o caso. É importante buscar um especialista para lhe dar melhores informações e orientação para uma intervenção. De qualquer forma, temos conteúdos no youtube.com/neurosabervideos e também em nosso blog que podem te ajudar em muitas questões.

      Sol,
      Equipe NeuroSaber 💙

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