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Qual a diferença entre autismo leve e autismo de alto funcionamento?

No novo DSM V — Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders — a condição autismo de alto funcionamento foi englobada no Transtorno de Espectro Autista. Em contrapartida, no manual revisado, são descritos os diferentes níveis do TEA: leve, moderado e grave. 

Muitas pessoas consideram que autismo leve e autismo de alto funcionamento significam a mesma coisa, o que nem sempre é verdade. É muito importante entender essa diferença, para que os profissionais que atendem a criança com autismo possam encontrar as melhores estratégias de intervenções e tratamento.

O autismo leve é um quadro onde a criança tem menos prejuízos sociais e cognitivos. No autismo de alto funcionamento, geralmente, ela apresenta alta habilidade em alguma área, mas tem prejuízos significativos em outras. Entenda melhor a diferença entre autismo leve e autismo de alto funcionamento, neste artigo.

Autismo de Alto Funcionamento

O autismo de alto funcionamento, como próprio nome diz, é um quadro autístico onde a criança apresenta altas habilidades comportamentais — de organização e gestão — e, por outro lado, determinadas habilidades do cotidiano estão comprometidas.

Ou seja, são pessoas com algumas habilidades fantásticas mesmo apresentando uma dificuldade enorme de se comunicar, de usar a fala e os meios de comunicação com as pessoas. 

O indivíduo com autismo de alto funcionamento pode ter graves prejuízos cognitivos, linguísticos, dificuldades de aprendizagem escolar — como problemas de leitura e escrita — coordenação motora e outras alterações. Por outro lado, pode apresentar grandes habilidades executivas ou uma memória excepcional. 

Dessa forma, o autismo de alto funcionamento, geralmente, é um autismo moderado ou severo e não leve, como a Síndrome de Asperger, então a gravidade do quadro é maior. Em contrapartida, as pessoas com autismo de alto funcionamento têm determinadas habilidades excepcionais e, até mesmo, superiores.

Algumas crianças apresentam um atraso importante de fala e dos processos de comunicação: conseguem compreender o outro, mas têm dificuldade de se expressar. É comum que usem meios linguísticos inadequados, como jargão, ecolalia e inversão pronominal ao se comunicarem.

Autismo leve e Síndrome de Asperger

Por outro lado, temos o nível leve do autismo, como a Síndrome de Asperger, que é a forma mais branda do espectro autista. O quadro não apresenta atrasos ou prejuízos significativos, mas sim grandes habilidades verbais e possíveis dificuldades nas interações sociais.

As crianças com Asperger podem apresentar comportamentos repetitivos e interesses restritos, como em outros níveis do autismo. Como têm inteligência acima da média — em sua maioria — alguns especialistas nomeiam o quadro como autismo de alto funcionamento.

Na escola, as crianças com Asperger conseguem se desenvolver e aprender. Por causa disso, o diagnóstico pode ser difícil e até tardio, pois os pais ficam confusos diante as grandes habilidades de seus filhos em contraste com algumas dificuldades e características peculiares, que se assemelham a quadros de autismo mais graves. 

As crianças com Asperger são capazes de cumprir tarefas e acatar regras, por isso passam a impressão de que são apenas “excêntricas”, já que podem ter comportamentos antissociais e dificuldade de perceber demandas do cotidiano social. Ainda assim, conseguem se expressar bem e usar sua inteligência na rotina da vida cotidiana. 

Diferença entre autismo de alto funcionamento e autismo leve

O autista de alto funcionamento tem um comprometimento importante da linguagem e da fala, alterações cognitivas, portanto, um quadro de autismo moderado ou até severo. Para você ter uma ideia, muitos pacientes com autismo de alto funcionamento têm deficiência intelectual.

Já a criança com autismo leve, como a Síndrome de Asperger, não tem esses comprometimentos, ainda que possa apresentar dificuldades na interação e comportamentos restritos. Essa é a principal diferença e é importante que ela esteja clara, porque é muito diferente conduzir um criança com autismo de alto funcionamento e uma criança com Asperger, seja na clínica ou na escola.

Não tem como esperar que a criança com autismo de alto funcionamento tenha a mesma autonomia no cotidiano daquela com Asperger. Por mais que ela tenha habilidades excepcionais em algumas áreas, também tem prejuízos cognitivos, sociais e linguísticos importantes que requerem formas diferentes de intervenções e tratamento.

Restou alguma dúvida sobre a diferença entre autismo leve e autismo de alto funcionamento? Deixe nos comentários.

Referências:

KLIN, Ami. Autismo e síndrome de Asperger: uma visão geral. Rev. Bras. Psiquiatr. [online]. 2006, vol.28, suppl.1 [citado  2020-07-23], pp.s3-s11. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462006000500002&lng=pt&nrm=iso>. ISSN 1809-452X.  https://doi.org/10.1590/S1516-44462006000500002.

ASSUMPÇÃO, Francisco Baptista, Marília Penna Bernal, Qualidade de vida e Autismo de Alto funcionamento. Percepção da criança, família e educador. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/pdf/bapp/v38n94/v38n94a10.pdf

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