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Como lidar com TOD em crianças de 10 anos?

Todas as crianças apresentam comportamentos desafiadores de vez em quando, principalmente quando estão cansadas, com fome, estressadas ou chateadas. No entanto, é preciso investigar quando esses comportamentos se tornam duradouros, pois podem ser sintomas de TOD.

O comportamento de oposição faz parte do desenvolvimento infantil, principalmente entre os dois e três anos e no início da adolescência. Esses comportamentos se tornam uma preocupação quando são frequentes e afetam a vida social, familiar e acadêmica da criança.

Ser pai de uma criança com Transtorno Opositivo Desafiador pode ser muito exaustivo e frustrante. Por isso, é preciso conhecer estratégias para lidar com TOD em crianças, principalmente as que estão entrando na adolescência, pois os comportamentos desafiadores podem se agravar.

Transtorno Opositivo Desafiador em crianças

As crianças com Transtorno Opositivo Desafiador (TOD), apresentam um padrão contínuo de comportamento não cooperativo, desafiador e hostil em relação a figuras de autoridade, que interferem no funcionamento do dia a dia.

Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais — DSM-V — o Transtorno Opositivo Desafiador é definido como um padrão recorrente de raiva / humor irritável, comportamento argumentativo / desafiador ou vingança com duração de pelo menos 6 meses.

As crianças com TOD correm o risco de desenvolver outros problemas de saúde mental, como transtorno de humor, ansiedade, Transtorno de Conduta (DC), Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, depressão, entre outros.

Sintomas de TOD

Os sintomas de TOD são distintos do comportamento esperado para a idade das crianças.

Por exemplo, em crianças menores de 5 anos, o comportamento desafiador deve ocorrer na maioria dos dias; em crianças de 5 anos ou mais, esse tipo de comportamento deve ocorrer pelo menos uma vez por semana.

Os sintomas de TOD costumam estar presentes em casa, na escola ou em outros ambientes e podem incluir:

  • acessos de raiva frequentes;
  • discussão excessiva com adultos;
  • recusa em cumprir os pedidos e regras de adultos;
  • tentativas de irritar ou perturbar as pessoas;
  • culpar os outros por seus erros ou mau comportamento;
  • ser melindroso ou se irritar com os outros;
  • raiva frequente e ressentimento;
  • comportamento de vingança.

Causas de TOD

As causas do Transtorno Opositivo Desafiador não são claras, mas existem fatores de risco que podem contribuir, como histórico de transtornos mentais na família, tabagismo materno durante a gravidez, toxinas ambientais, como o chumbo e comportamento dos pais como técnicas duras, coercitivas, inconsistentes, negligentes ou abusivas. 

A pesquisa também mostra que o comportamento de uma criança agressiva está relacionado com práticas parentais agressivas, como punição corporal. 

Diagnóstico de TOD

Normalmente, o TOD não é diagnosticado em crianças menores de 3 anos porque é comum que nessa idade elas apresentem acessos de raiva, um dos critérios diagnósticos do transtorno.

Após os 3 anos, as crianças são mais capazes de expressar verbalmente as frustrações e de se comportar de maneiras mais socialmente aceitáveis. Portanto, o diagnóstico de TOD é mais seguro quando as crianças estão no final da educação infantil em diante.

Uma criança que apresenta sintomas de TOD deve passar por uma avaliação abrangente e descartar outros distúrbios.

Tratamento do TOD

Os tratamentos são determinados com base em muitos fatores que incluem a idade da criança e a gravidade dos sintomas. Um plano de tratamento deve considerar as características e necessidades de cada criança.

Como lidar com TOD em crianças de 10 anos

Ser pai de uma criança com Transtorno Desafiador de Oposição é desafiador e, muitas vezes, exaustivo, principalmente quando elas estão entrando na adolescência e os comportamentos desafiadores se agravam.

Preparamos algumas dicas para lidar com TOD em crianças de 10 anos ou mais, confira!

  • Seja um bom modelo, reduzindo as interações coercitivas entre pais e filhos. Quando estiver dominado por emoções como raiva ou frustração, faça uma pausa. Não contribua para o conflito e dê exemplo de como lidar com ele de maneira adequada.
  • Encontre maneiras de elogiar seu filho e recompensar o comportamento pró-social e não desafiador.
  • Estabeleça limites razoáveis ​​e adequados à idade. Aplique consequências que podem ser imediatas e consistentemente aplicadas, como um intervalo, perda de privilégios, etc.
  • Escolha suas batalhas com sabedoria. Evite lutas de poder priorizando aquelas mais importantes para o aprendizado da criança.
  • Gerencie seu estresse e crie uma rede de apoio para você. É difícil ser pai de uma criança com TOD. Converse com outros pais, professores e profissionais para trabalharem em equipe com seu filho e se apoiarem mutuamente.

Além disso, é importante buscar tratamento com psicoterapia. Quando o TOD ocorre com outros transtornos, como o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, pode ser necessária medicação. No entanto, isso só deve ser feito após o estabelecimento de outros tratamentos e avaliação médica.

O tratamento precoce é recomendado para aumentar a eficácia do tratamento e os resultados a longo prazo.

Se restou alguma dúvida sobre como lidar com TOD em crianças de 10 anos, deixe nos comentários.

Referências:

BARLETTA, Janaína Bianca. Avaliação e intervenção psicoterapêutica nos transtornos disruptivos: algumas reflexões. Rev. bras.ter. cogn. [online]. 2011, vol.7, n.2 [citado  2021-07-16], pp. 25-31 .

PINHEIRO, Maria Antonia Serra. Marcelo Schmitz. Paulo Mattosc e Isabella Souza. Transtorno desafiador de oposição: uma revisão de correlatos neurobiológicos e ambientais, comorbidades, tratamento e prognóstico.

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2 respostas em “Como lidar com TOD em crianças de 10 anos?”

Agradeço imensamente a capacidade de partilha que o Instituto NeuroSaber possui, nos motiva a buscar soluções viáveis e práticas para a nossa ação educativa.

Agradeço a equipe neurosaber por partilhar os vários conhecimentos e que tem me ajudado muito no meu dia-a-dia como mãe e professora

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