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TEA NÃO VERBAL E INCLUSÃO ESCOLAR: COMO FAZER DAR CERTO?

Muito se fala em inclusão escolar, porém as escolas ainda não nos preparam – ou não estão preparadas – para lidar com as possibilidades para que essa inclusão ocorra. Aqui, veremos a comunicação e suas possibilidades como ferramentas necessárias e fundamentais para a integração efetiva.

Já está mais do que provado que a inclusão escolar é importante em diversos aspectos: favorece a socialização, o desenvolvimento pessoal, as relações interpessoais, a integração entre os alunos fora do ambiente familiar, o respeito pelas diferenças, entre outras coisas.

No entanto, para que ela ocorra de maneira concreta, a escola precisa se valer de ferramentas relevantes, que podem ajudar no processo inclusivo.

Um dos aspectos que mais se destacam na inclusão escolar é a necessidade da comunicação. Há uma grande parcela de crianças e adolescentes que não consegue se comunicar de maneira verbal e que, para que tenha acesso às possibilidades que a escola oferece, precisa que o professor interfira, facilitando a compreensão do ambiente ao redor e oferecendo maneiras para que o aluno possa se expressar.

Por que é tão importante pensar em comunicação para falar de inclusão?

Imagine que ingresse em sala de aula uma criança autista não verbal. Como ela não fala, o professor e os demais alunos têm dificuldades de entender o seu comportamento, o que ela está pensando ou como gostaria de participar das atividades. Por outra via, sentindo-se incompreendida, a criança pode expressar agressividade, pela falta de repertório para manifestar seus sentimentos de outra forma.

Em um contexto como este, é bom que todos que convivam com a criança encontrem uma maneira de compreendê-la, para que ela possa aproveitar verdadeiramente todos os benefícios do ambiente escolar e tenha uma experiência satisfatória, conseguindo se expressar e interagir melhor.

Além disso, a criança autista precisa ter certa previsibilidade sobre qual atividade irá acontecer, como ela começará, quanto tempo vai durar e se é possível expressar seu desejo de participar ou não.

 Em um contexto como este, seria possível identificar três perfis de estudantes com dificuldades na comunicação:

 · O que não se comunica de nenhuma maneira:

Quando o aluno não consegue expor suas preferências ou escolhas, seja através da fala ou de outro recurso, uma angústia pode ser gerada. E isso pode acontecer para os dois lados: tanto para o aluno, que não se faz entender, quanto para o professor, que não consegue ajudar, porque não o compreende.

 · O que fala, mas não se comunica:

Há casos de autistas que falam, mas que não têm uma comunicação funcional. Geralmente sua fala vem repleta de ecolalias, ou sem repertório algum.

 · Quando se comunica sem falar:

É também possível ter uma comunicação, sem falar. Dessa forma, a criança pode se fazer entender através do uso de imagens ou de gestos.

 Este último modo estaria inserido no modelo de Comunicação Suplementar Alternativa ou Aumentativa (CSA), uma possibilidade de facilitar a expressão do aluno e a compreensão das pessoas que com ele convivem.

O professor deve ter ferramentas para fazer a inclusão acontecer

O objetivo da Comunicação Suplementar é justamente fazer com que os professores sejam suplementares a quem fala com dificuldade, ou que possui vocabulário limitado, aumentando o repertório do estudante.

Também é importante que a criança consiga expressar, de maneira alternativa, se necessário, tudo aquilo que a incomoda em sala de aula: se há muito barulho, se precisa ir ao banheiro, se sente dor, calor ou frio. Poder se expressar ajuda a evitar episódios de irritação ou agressividade.

Para isso, podem ser usadas expressões faciais, gestos, toques, escrita, apontar símbolos, imagens, sistemas de comunicação por troca de figuras (PECS) ou utilizar equipamentos com vozes que permitam a interação.

No processo de comunicação alternativa, é interessante observar que, quando a criança começa a aprimorar sua forma de expressão, o vínculo entre ela e o professor também é fortalecido. O aluno fica feliz ao ser compreendido, pois quando consegue comunicar algo e ser entendido, fortalece o vínculo com quem o interlocutor, e isso faz toda a diferença.

A Comunicação Suplementar Alternativa inibe o desenvolvimento da fala?

É um mito acreditar que a CSA inibe a fala. Pelo contrário. Estudos publicados demonstram que a prática constante da Comunicação Suplementar Alternativa chega a estimular a fala. O mais importante é saber que, caso a criança não fale, ela será capaz de se comunicar de alguma maneira.

No trabalho com CSA, mais do que focar tão somente na criança com dificuldade de fala, deve-se olhar os parceiros dela, pois estes devem estar preparados para saber como agir e reagir, caso a criança se mostre interessada.

A criança não verbal precisa de um olhar diferenciado e qualquer resposta dela deve ser observada com atenção, pois isso a estimulará a permanecer na tentativa de estabelecer a comunicação.

REFERÊNCIA:

KINOSHITA. Renato Lyuiti. Autismo e Linguagem: Entendendo a Comunicação Suplementar e/ou Alternativa. Disponível em: < https://lp.neurosaber.com.br/wp-content/uploads/2019/07/Autismo-e-Linguagem-Entendendo-a-Comunica%C3%A7%C3%A3o-Suplementar-e-ou-Alternativa_ebook-1.pdf >. 

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2 respostas em “TEA NÃO VERBAL E INCLUSÃO ESCOLAR: COMO FAZER DAR CERTO?”

Olá, sou professora de Química do EF2. Dou uma aula por semana de 45 minutos. Estou com um aluno com autismo severo em uma sala com 42 alunos. É uma escola particular e o caso dele é um caso de inclusão. Estou tendo muita dificuldade de lidar com ele, uma vez que a comunicação dele é muito restrita e não tenho curso sobre autismo. Fico extremamente angustiada , não acredito numa inclusão desse tipo. Será que vocês poderiam me auxiliar? Desde já agradeço imensamente.

Olá Ângela, tudo bem?

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Sol,
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