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Como avaliar a dificuldade de caligrafia da criança

A caligrafia é uma habilidade complexa e muitas crianças têm dificuldade em dominá-la. Isso pode causar frustração e angústia, afetar o desejo da criança de escrever e causar ansiedade nos pais e professores. Veja como avaliar a dificuldade de caligrafia da criança e o que fazer para ajudá-la, neste artigo.

Nem todas as dificuldades de caligrafia são causadas pelos mesmos fatores e a avaliação do problema deve considerar a idade e as características de cada criança. É importante avaliar como a caligrafia está sendo ensinada na escola, se as dificuldades são compartilhadas pelo professor, pelos pais e pela criança, além de identificar quais as áreas de maior preocupação. 

Como avaliar a dificuldade de caligrafia

Em primeiro lugar, é bom ter em mente que existem diferentes áreas que podem ser o foco das dificuldades, tais como:

  1. Legibilidade — Todas ou a maioria das palavras escritas não podem ser lidas fora do contexto.
  2. Limpeza — A caligrafia está confusa ou aparenta uma falta de controle.
  3. Conforto — A criança está sentindo dor, tensão ou desconforto ao escrever.
  4. Pressão — Ela está pressionando o lápis com muita/ pouca força ou a pressão varia.
  5. Rapidez — Ela escreve muito devagar ou muito rápido, tornando a escrita imprecisa.
  6. Motivação/prazer — Ela reluta em escrever ou desiste facilmente.

Todos esses pontos devem ser analisados, a fim de que possamos identificar onde está a maior dificuldade de cada criança. Além disso, é importante observar o que se espera da caligrafia da criança de acordo com a sua idade. 

Os pais e professores devem estar atentos à escrita das crianças e também à forma como ela escreve. É preciso que família e escola trabalhem juntas para identificar as dificuldades de caligrafia e traçar planos e estratégias para superá-las.

O que fazer com as crianças com dificuldade de caligrafia

Em casa, os pais podem observar como seus filhos escrevem, sua coordenação geral e motora fina, como eles manuseiam outros objetos, como por exemplo, a faca e o garfo nas refeições. Isso ajuda a entender se a coordenação motora está prejudicada, o que pode contribuir com a dificuldade de caligrafia.

Da mesma forma, é importante que os pais verifiquem como está o ambiente de estudos de seus filhos, se estão sentados corretamente na hora de fazer as tarefas e não deitados no chão, em frente à TV ou na cama.

Os pais também devem oferecer ferramentas de escrita adequadas para a idade da criança, como lápis não muito grossos ou finos, canetas que não arranham, etc. Ao perceberem alguma dificuldade na escrita é importante conversar com as crianças sobre como elas se sentem em relação à sua caligrafia.

É importante entender se isso preocupa a criança, se está difícil para ela e como você poderia ajudá-la. Caso as dificuldades persistam, os pais devem entrar em contato com os professores.

Na escola, é importante verificar se o professor também está preocupado com a caligrafia da criança. Ele poderá informar aos pais como a caligrafia é ensinada nas aulas e como eles podem, em casa, apoiar o que está sendo feito na escola. Se, ainda sim as dificuldades persistirem, é importante fazer uma avaliação de caligrafia com profissionais especializados.

As dificuldades leves podem ser superadas com um bom ensino e com o amadurecimento da criança. No entanto, problemas mais graves podem persistir na adolescência e na vida adulta se a intervenção apropriada não for dada.

A intervenção direcionada, seja de um terapeuta ocupacional, um fisioterapeuta ou um professor especialista fará grande diferença para a maioria das crianças. Um bom ensino básico, especialmente na primeira fase do ensino fundamental, é importante. No entanto, existem algumas crianças que ainda têm dificuldade em escrever à mão, apesar de terem tido aulas na escola.

A importância da caligrafia

Em muitos momentos será necessário escrever à mão, por exemplo, em certas disciplinas escolares (como matemática, ciências) e em outras circunstâncias cotidianas. Além disso, existem evidências de que o ato físico de escrever à mão ajuda no fluxo de ideias para a composição escrita de maneiras que a digitação não ajuda.

É importante entender a importância da caligrafia, pois muitas vezes diante das dificuldades na escrita, as crianças podem preferir a digitação. Além disso, a escrita à mão é muito pessoal, uma expressão da identidade e não deve ser suprimida ou deixada em segundo plano. 

Muitas crianças diagnosticadas com transtornos do neurodesenvolvimento têm dificuldades com a caligrafia. Podem apresentar problemas de leitura e ortografia, de atenção, má  coordenação motora e até Transtorno do Espectro Autista. No entanto, a dificuldade de caligrafia não é suficiente para indicar a presença de um desses transtornos. Uma avaliação feita por profissionais especializados é necessária para verificar a presença da disgrafia.

O que é disgrafia?

Disgrafia é a perturbação ou dificuldade com integração ortográfica-motora (ou seja, caligrafia). O termo descreve a dificuldade de escrita, pois é possível que seja um problema isolado e não esteja associado a um distúrbio mais geral. Alguns pesquisadores reconhecem que fragilidades em diferentes tipos de processamento podem ser responsáveis ​​pelo problema, como controle motor, percepção visual e dificuldades de ortografia. 

Se restou alguma dúvida sobre como avaliar a dificuldade de caligrafia da criança, deixe nos comentários.

Referências:

RODRIGUES, Sônia das Dores; CASTRO, Maria José Martins Gomes de  and  CIASCA, Sylvia Maria. Relação entre indícios de disgrafia funcional e desempenho acadêmico. Rev. CEFAC [online]. 2009, vol.11, n.2 [cited  2020-11-28], pp.221-227.

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