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Diagnóstico de autismo: entenda os níveis e os fatores de risco!

Existem muitas pesquisas sobre os fatores de risco para o autismo, mas ainda não há uma causa exata para o Transtorno do Espectro Autista (TEA). No entanto, há um consenso entre os cientistas de que fatores biológicos, genéticos e ambientais influenciam na probabilidade do desenvolvimento do autismo. 

O diagnóstico de autismo é feito pela observação da criança, baseado nas características descritas no DSM-V — Manual de Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais. Sendo que suas principais características são dificuldades na comunicação e na interação social, bem como comportamentos restritos e repetitivos.

No entanto, dentro do espectro autista existem diferentes níveis de gravidade dos sintomas. No autismo considerado leve, a pessoa não precisa de tanto apoio para desempenhar tarefas, enquanto no autismo grave, precisa de muito apoio. Entenda melhor, neste artigo.

Níveis de Autismo

O Transtorno do Espectro Autista, segundo o DSM-V, têm três níveis: nível 1, 2 e 3. Essa diferenciação facilita o diagnóstico, permitindo identificar a gravidade dos sintomas, que variam de leves a graves.

Nível 1: Leve

O nível 1 é o menos grave, por isso é considerado como autismo leve. Os sintomas são: dificuldades em situações sociais e comportamentos restritivos ou repetitivos, mas que requerem um suporte mínimo para as atividades do dia a dia.

As pessoas com autismo leve são capazes de se comunicar verbalmente e se relacionar, ainda que tenham dificuldade para manter uma conversa ou fazer e manter amigos. Preferem seguir rotinas estabelecidas e se sentem desconfortáveis ​​com mudanças ou eventos inesperados. 

Nível 2: Moderado

As pessoas com autismo moderado já precisam de um pouco mais de suporte. Podem ter mais dificuldade nas interações sociais, sendo que as relações são ainda mais desafiadoras do que para as pessoas com autismo leve.

Podem ou não se comunicar verbalmente e, se o fizerem, as conversas podem ser curtas ou sobre tópicos específicos, precisando de suporte para participar de atividades sociais.

O comportamento não verbal de pessoas com autismo moderado pode ser mais atípico, como não olhar para alguém que fala com elas e não fazer contato visual. Da mesma forma, têm dificuldade em expressar emoções ou compreender expressões faciais.

Apresentam também comportamentos restritivos e repetitivos, podem ter rotinas ou hábitos mais rígidos, e ficam muito desconfortáveis ​​ou perturbadas quando interrompidas ou com mudanças. 

Nível 3: Severo

As pessoas com autismo severo precisam de muito suporte — é a forma mais grave do TEA. Apresentam dificuldades significativas com a comunicação e habilidades sociais. Também têm comportamentos restritivos e repetitivos que atrapalham seu funcionamento independente nas atividades cotidianas.

Embora alguns indivíduos possam se comunicar verbalmente (com palavras), muitos podem não falar. Não reagem bem a eventos inesperados, podem ser hiper ou hipo sensíveis a determinados estímulos sensoriais. Têm comportamentos restritivos e repetitivos, como balanço, ecolalia, ou outros.

Pessoas com TEA Nível 3 precisam de apoio substancial para aprender habilidades essenciais para a vida cotidiana.

Fatores de risco para o autismo

Genes e mutações genéticas

Ainda que não exista um “gene do autismo”, estudos e pesquisas revelam que genes e mutações genéticas podem estar ligados a um risco maior de TEA. Até o momento, os pesquisadores registraram pelo menos 65 genes que têm uma forte ligação com o autismo. Algumas mutações genéticas parecem desabilitar genes essenciais para o desenvolvimento inicial do cérebro.

Condições cromossômicas

Dados de pesquisa demonstraram que pessoas com certas condições cromossômicas, como a Síndrome do X frágil ou esclerose tuberosa, têm maior probabilidade de ter autismo.

Família / fatores biológicos

Além dos genes, existem outros fatores biológicos que podem ser considerados fatores de risco para o autismo. Um deles é a idade avançada dos pais, outro está associado aos irmãos, já que, segundo pesquisas, crianças com pelo menos um irmão mais velho com TEA têm 18% de chance de ter autismo.

Influências ambientais

Fatores ambientais também podem aumentar a probabilidade de autismo. Podem ser nutricionais, já que muitas pessoas com autismo demonstraram deficiência em vitamina D. Da mesma forma, a exposição a pesticidas e metais pesados, como mercúrio e chumbo, também pode ser um fator de risco para o autismo.

Influências pré-natais

Estudos sobre a ligação entre o risco de autismo e as influências pré-natais revelaram uma série de complicações na gravidez ligadas ao TEA, como: idade parental avançada, uso de medicação materna durante a gravidez, sangramento e diabetes gestacional.

Complicações no parto

Pesquisas revelaram ligações entre o autismo e certas complicações traumáticas do parto, incluindo hipóxia e isquemia. Descobriu-se que bebês com anemia neonatal, ou com poucos glóbulos vermelhos transportadores de oxigênio, têm oito vezes mais probabilidade de desenvolver autismo. 

O estresse fetal causado pela aspiração de mecônio, uma condição em que a privação de oxigênio leva o feto a inalar produtos residuais no útero, também foi relacionado a um aumento de sete vezes no desenvolvimento posterior de TEA.

Agora que você já sabe um pouco mais sobre os níveis e fatores de risco para o autismo, compartilhe este artigo em suas redes e ajude  outras famílias!

Referências:

ELSABBAGH, Mayada. Linking risk factors and outcomes in autism spectrum disorder: is there evidence for resilience? Disponível em: https://www.bmj.com/content/bmj/368/bmj.l6880.full.pdf

Chaste P, Leboyer M. Autism risk factors: genes, environment, and gene-environment interactions. Dialogues Clin Neurosci. 2012;14(3):281-292. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3513682/

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