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M-chat: entenda como funciona a triagem para o TEA

A triagem para o TEA faz parte do processo de diagnóstico e o M-chat é um dos testes mais usados. Entenda como ele funciona, neste artigo.

O diagnóstico precoce do autismo é fundamental para que as intervenções também possam ser realizadas quanto antes. Embora os sinais do TEA — Transtorno do Espectro Autista — possam ser percebidos antes dos dois anos, não há um exame clínico para diagnosticá-lo.

Dessa forma, os testes como o M-chat são importantes ferramentas que auxiliam os médicos a realizar o diagnóstico de autismo. Além dos testes, são usadas outras estratégias como observação da criança e entrevista com os pais.

O M-chat é o primeiro protocolo a ser usado, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria. Embora existam outros testes, como o ADI-R e o ADOS, é sobre o M-chat que vamos falar hoje, justamente por ser o mais comum na triagem para o TEA.

Dificuldades no diagnóstico de autismo

Muitas estudos direcionam suas pesquisas para o diagnóstico precoce do autismo, pois receber acompanhamento de profissionais especializados ainda na primeira infância, ameniza os sintomas do TEA.

Embora existam características comuns no autismo, muitos sintomas podem não levar ao diagnóstico, por se tratar de outra coisa. Por exemplo, não responder ao próprio nome pode ser um sinal de autismo, mas também um sintoma de problemas de audição.

Dificuldades de relacionamento e interação social, comuns no TEA, podem ser oriundas de outros transtornos como ansiedade. Da mesma forma, atrasos na linguagem, também característica comum do autismo, podem estar relacionados a distúrbios da fala.

Dessa forma, é fundamental uma avaliação precisa e completa, para realizar o diagnóstico de TEA. A partir dos sintomas observados na avaliação clínica, o médico avalia se há necessidade de realizar uma triagem para o TEA, o que inclui o uso de testes, como o M-chat.

M-chat na triagem para o TEA

O TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento e cada vez mais, graças a pesquisas e estudos sobre o tema, é possível fazer o diagnóstico precocemente. Os sinais e sintomas podem se manifestar antes dos dois anos e ferramentas como o M-chat são fundamentais para diagnosticar o autismo.

Vale lembrar que somente os resultados dos testes não levam ao diagnóstico de TEA, mas são parte fundamental do processo de avaliação. Isso porque eles fornecem pistas valiosas sobre sinais que justifiquem uma investigação mais ampla.

Além dos testes, os profissionais realizam observações das crianças em diferentes ambientes e entrevistas com os pais para avaliar a fala, a linguagem, as sensibilidades sensoriais, os comportamentos, interesses e interações sociais da criança.

A ferramenta M-chat é uma escala que ajuda a identificar o TEA precocemente, mesmo que sozinha não seja suficiente para fechar o diagnóstico. O M-chat deve ser aplicado pelo médico da criança, assim como realizar a avaliação das respostas.

O M-chat é um teste com perguntas que devem ser respondidas pelos pais, do tipo sim/não. Em geral, é realizado pelo pediatra quando a criança tem entre 16 e 30 meses. Além das questões, a segunda parte do M-chat é a Entrevista de Seguimento, para ajudar na avaliação.

Os pais devem responder às perguntas do teste, considerando o comportamento que observam em seus filhos. Ao final, soma-se os pontos e o resultado indica a presença de sintomas de autismo, mas não confirma o diagnóstico. Quando a pontuação for muito alta, o pediatra encaminha a criança para um especialista ou uma equipe multidisciplinar para avaliação.

Entenda como funciona a classificação da escala M-chat.

Pontuação de 0 a 2 – Risco baixo

Com essa pontuação, as chances de confirmar o diagnóstico de TEA são baixas, portanto não é necessário aprofundar a investigação, ainda que seja recomendado repetir o teste caso a criança tenha menos de 2 anos.

Pontuação de 3 a 7 – Risco moderado

Com essa pontuação, o pediatra passa para a segunda etapa do M-chat — a Entrevista de Seguimento, que mencionamos acima. Essa entrevista reúne mais informações sobre os sinais de TEA. 

Caso o resultado seja maior ou igual a 2 nesta etapa, pode indicar a presença do autismo e a criança deve ser encaminhada para um especialista. Se o resultado da pontuação estiver entre 0 e 1, não indica autismo, ainda que seja recomendado repetir o teste posteriormente.

Pontuação de 8 a 20 – Risco alto

Com essa pontuação, os pais devem procurar diretamente um especialista para confirmar o diagnóstico, sem a necessidade de fazer a Entrevista de Seguimento.

A avaliação com a escala M-chat é obrigatória nas consultas pediátricas realizadas pelo SUS, de acordo com a lei 13.438/17.

Se você perceber sinais e sintomas de autismo em seu filho, procure um especialista para realizar uma avaliação. 

Se restou alguma dúvida sobre como funciona a triagem para o TEA e o teste M-chat, deixe nos comentários.

Referências:

LOSAPIO, Mirella Fiuza  and  PONDE, Milena Pereira. Tradução para o português da escala M-CHAT para rastreamento precoce de autismo. Rev. psiquiatr. Rio Gd. Sul [online]. 2008, vol.30, n.3 [cited  2021-02-23], pp.221-229.

CARVALHO, Felipe Alckmin et al. Rastreamento de sinais precoces de transtorno do espectro do autismo em crianças de creches de um município de São Paulo. Psicol. teor. prat. [online]. 2013, vol.15, n.2 [citado  2021-02-23], pp. 144-154 .

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2 respostas em “M-chat: entenda como funciona a triagem para o TEA”

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