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Método Denver: como aplicar no autismo

Resumo

O artigo tem como proposta apresentar as contribuições do Método Denver em casos de tratamentos do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Vários estudos já foram feitos para comprovar a eficácia da aplicabilidade do ESDM (Early Start Denver Model/ Modelo Denver para Intervenção Precoce). Dentro desse âmbito, torna-se importante avaliar os principais sintomas do autismo. Essa relação é válida, pois as características apresentadas podem ser usadas como parâmetros a serem observados durante a intervenção.

Introdução

Antes de falar sobre a aplicabilidade do Método Denver, deve-se reiterar alguns pontos do Transtorno do Espectro Autista (TEA) que justificam o papel que este importante modelo exerce, sobretudo sobre o cotidiano de pacientes diagnosticados com o autismo.

O TEA tem como característica principal os sintomas que interferem na interação social. Dentro dela, destaca-se também a comunicação da criança ou do jovem. Essas pessoas geralmente demonstram incapacidade de estabelecer um discurso fluido. Outro ponto que se pode ressaltar é o pouco contato social que a maioria enfrenta.

Existem vários sinais que são notados, tais como o problema de reciprocidade social e emocional; pouca capacidade de pensar de forma figurada, a falta de contato visual com o interlocutor, entre outros.

É inegável que uma pessoa diagnosticada com TEA precisa de intervenções que venham ao encontro de seu desenvolvimento. A partir do acompanhamento médico e da participação de profissionais de diferentes áreas, constituindo uma equipe multidisciplinar, o pequeno ou o adolescente é devidamente submetido a tratamentos que visem à melhora em seu desempenho.

Em um cenário repleto de terapias, intervenções e novas descobertas que potencializam o estudo acerca do autismo, destaca-se o papel importante que o Método Denver exerce.

O que é o Método Denver?

– O ESDM (Early Start Denver Model/ Modelo Denver para Intervenção Precoce) aposta no caráter desenvolvimentista a fim de estabelecer nos pacientes os domínios de algumas habilidades importantes para sua autonomia. Há pesquisas que sugerem a rapidez do desempenho de uma criança com autismo a partir do Método Denver.

– O objetivo do Método Denver é se atentar à formação das interações; além das habilidades de engajamento da criança com outras pessoas. Além disso, é possível notar as iniciativas sociais da criança, a espontaneidade e o aumento de oportunidades de aprendizados sociais que a criança experimenta por meio de uma relação de afeto com seus semelhantes.

O Método Denver no autismo

– De acordo com Figueiredo (2014), tal método se preocupa em “utilizar estratégias analíticas aplicadas aos comportamentos naturais, estimulando habilidades cognitivas, sociais e de linguagem”. Vale esclarecer também que o Método Denver estabelece a sequência normal de desenvolvimento. Um detalhe muito importante trazido no estudo de Figueiredo (2014) é que o ESDM considera “necessário o envolvimento dos pais na terapia de seus filhos. Estimula também as trocas interpessoais e o afeto positivo no engajamento com as pessoas.”

– Outro ponto importante para ressaltar é que a linguagem e a comunicação são ensinadas dentro de uma relação positiva e que é baseada no afeto, sempre tendo como preocupação o ensino da atenção compartilhada como pré-requisito.

– O detalhe interessante é que uma vez que o Método Denver é um modelo desenvolvimentista de intervenção precoce para crianças, ele também utiliza práticas que são observadas na Análise do Comportamento Aplicada (ABA).

Isso mostra uma importância considerável a partir do momento em que, no modelo em questão, nota-se a combinação da abordagem desenvolvimentista com a comportamental. Sendo assim, os terapeutas aproveitam essa junção para criar a programação de trabalho individual de cada criança.

– O Método Denver promove uma atenção maior à coleta de dados e, também, ao acompanhamento de forma detalhada das atividades a serem desenvolvidas pelas com as crianças.

Importante saber

Löhr (2016), a partir de um estudo que analisa o livro ‘Intervenção precoce em crianças com autismo: modelo Denver para a promoção da linguagem, da aprendizagem e da socialização’, apresenta um dado importante, onde ela explica que alguns estudos revisados indicam sobre a eficácia do Modelo Denver.

“Nos quatro primeiros estudos citados ocorreu aceleração do desenvolvimento de crianças com autismo. Estudos experimentais ou quase experimentais posteriores para examinar a eficácia da intervenção comparando a intervenção segundo o Modelo Denver com outro tipo de intervenção não apontaram diferença entre as duas abordagens comparadas, ambas tendo eficácia de 80% no que tange ao incremento de palavras comunicativas durante a intervenção.” (LÖHR, 2016).

Referências

FIGUEIREDO, Carolina Salviano. Um estudo sobre programas de intervenção precoce e o engajamento dos pais como co-terapeutas de crianças autistas. 2014. Dissertação (Mestrado em Psicologia) – Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2014. Disponível em: https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/29057/29057.PDF. Acesso em: 11 fev. 2020.

LÖHR, Thaise. Intervenção precoce em crianças com autismo: modelo Denver para a promoção da linguagem, da aprendizagem e da socialização. Educar em Revista, Curitiba, n. 59, p. 293-297, jan./mar. 2016.

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3 respostas em “Método Denver: como aplicar no autismo”

Olá Virgínia,
Ainda não temos um conteúdo sobre este tema, mas vamos colocar em nossa pauta abordar sobre este assunto também.
Obrigada pelo contato!
Atenciosamente,
Equipe NeuroSaber

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